sexta-feira, 21 de julho de 2017

Rainy day.

Hoje aconteceram várias coisas. Mostly bad things. 
Tô morando com Vanessa faz 2 dias.
Hoje minha irmã mandou um whats dizendo pra ir pra casa, porque minha tia Leda morreu.
Primeiro o tio Roberto, irmão de vovó. Uns 2 anos depois (ou menos), minha avó paterna também morreu. Um ou dois anos depois, o filho mais velho dela, tio Wellington. Dois anos depois (ou menos?) meu pai. Hoje faz 1 ano e 10 dias que meu pai morreu, e agora morreu a minha tia. Minha avó teve 13 filhos. Todos "criados" como se diz no interior. Morreram depois dos 60. Agora são 10. 
Eu lembro de me dar conta que eles estavam perto de morrer, uns 5 natais atrás. Lembro de olhar em volta e observar como todos já estavam tão velhos e completamente diferentes das memórias da minha infância.
Eu não vi meu pai envelhecendo. Num dia ele tinha cabelo e bigode preto, no outro dia era cinza e ele não tinha mais 1,80m, ele não parecia mais tão maior que eu. Do lado dele eu já estava quase da mesma altura, e eu não cresci. Ele se curvou. Na verdade, o tempo curvou ele.
Voltei pra casa pra ir pro velório. Ninguém me disse nada, do que ela morreu, o horário, nada. Cheguei e minha irmã estava sozinha (com meu sobrinho). Começou a gritar sobre como eu vou matar minha mãe porque saí de casa (pff....), a discussão foi escalating quickly, não levei desaforo pra casa, gritei de volta. Um show de berros. Ela começou a gritar que eu sou louca. Larguei meu notebook e voei em cima dela, puxei o cabelo dela, agarrei o pescoço dela. Coitado do meu sobrinho, nunca tinha visto essas coisas... tudo bem. Eu vi tanto e sobrevivi. Ela disse que ia me internar no hospício, que ia chamar isso, aquilo, ia chamar "o meu irmão pra ele me controlar". Eu disse chame mesmo, pode chamar. O meu sobrinho gritou NÃO!!!!! kkkkkkk. Não entende que adultos blefam.
Fui tomar banho chorando, pensando em escrever pra minha mãe. Sobre tudo. Os pensamentos suicidas, a depressão, a ansiedade, e o que pensei sobre ser parecida com meu pai que era extremamente depressivo. Meu irmão chegou em casa, eu soluçando no quarto escrevendo, minha irmã no telefone rindo. Ele veio me abraçar e disse que não ligue pra ela, você não sabe que sua irmã é assim? ... etc. Cansei de aceitar isso, cansei de "você não sabe que fulano é assim?". Lembrei do texto que Vitória postou dizendo que pregar que a pessoa deve "oferecer a outra face" é interesse de quem tem o poder. Eu não me senti em casa lá. Engraçado. Em Petrópolis tenho tido problema com a bagunça e o gato de Vanny que mia a noite inteira quando ela sai, mija tudo etc. Mas assim que eu cheguei na casa da minha mãe, eu quis voltar pra lá. Minha mãe veio conversar. Disse que "eu estou exagerando" por reagir assim (ir embora) aos desaforos dela. Que ela reclama e enche o saco e pasme,.... eu não sei que ela é assim mesmo? Assim mesmo. ... E tem alguém pra passar a mão na minha cabeça e dizer que eu sou "assim mesmo"? Not really
Eu cortei a mão no aparelho da minha irmã e machuquei forte a lateral da mão e uma parte dos tendões do dedo mindinho e anelar. Mal consigo digitar. Maldita seja. Eu nunca fui muito família. Nunca fui, que família? Nós sempre fomos uma república. Pra que fingir, diria Cazuza.
Não queria ir pra missa amanhã. O enterro. Pobre tia Leda e primo Marcelo. Ela morreu do nada... como todo mundo na família do meu pai. Ela era uma boa pessoa. Doce como o primeiro nome dela (Dulce) sugeria. Carinhosa, gentil, tranquila, crafty. Me ensinou a fazer biscuit e ponto cruz. Ela sabia que eu adorava natal e sempre me dava muitos enfeites que ela mesma fazia pra colocar lá em casa, e eram perfeitamente lindos, como os de editorial de revista mesmo. Ela nunca foi má ou escrota como a tia Neide, hehe. Bem... eu sei que se eu for amanhã vou chorar e ficar triste. É triste, um clima triste. Essa chuva, mais um enterro... eu me sinto sem tempo pra luto e tristeza. Time is running out... eu preciso trabalhar, estudar, arrumar um emprego, me sustentar, fazer o cartão do RU, passar o pano na casa... começar a coleta, responder o cara lá de NY...fico listando mentalmente. Olhar tela de proteção. Quanto é a internet a Cabo? (dica: é caro...) 
Minha irmã disse que já saiu de casa com 4 mil reais e quando viu as contas blá blá. Estou te dando um conselho de irmã mais velha (dizia ela, segurando os meus dois pulsos, sem eu ter tocado nela, depois que saí do banho.. a toalha caindo, meu sobrinho olhando) você não tem onde cair morta, etc.. quis vomitar na cara dela. A mãe de Yuri não poderia nem sonhar em ganhar 4 mil reais por mês. Tanta gente se sustentando com poucos salários mínimos, criando filho, dando nó em pingo d'água igual Marié. Ela gritou que sou rica, mimada, rica... eu não diria uma coisa tão nojenta quanto "4 mil reais por mês não dá pra pagar as contas". Isso é ridículo. Piranha riquinha dondoca. Só sabe se olhar no espelho e procurar ruga e tratamento de botox, plástica, peeling, esperar o macho da vez pedir em casamento, fofocar no telefone com as amigas, a minha mãe diz "quando sua irmã vai cair na real e deixar de ser adolescente? ela tem 34 anos e um filho que teoricamente ela deveria criar". Mãe, meu palpite é que nunca. 
Quando eu cheguei em Vanny eu limpei minha privada do meu banheiro. Nunca limpei uma privada. Eu tenho 24 anos... Yuri ficou indignado quando eu disse que nunca passei uma roupa. Odeio isso, odeio ser assim, odeio viver numa bolha, odeio não ter autonomia e responsabilidade, odeio como minha mãe não deixa meus irmãos aprenderem a se virar pra usar a dependência deles pra nunca ficar sozinha. 

Hoje o bb chegou depois de 3 semanas fora. Eu não sabia muito bem o que esperar, porque comigo é out of sight, out of mind. Cheguei num ponto em que pensei que ele poderia ficar lá e eu estaria bem. Me virando, cheia de problemas, mas bem, normal... talvez indiferente. Eu me tornei uma pessoa fria, do ano passado pra cá... mas também me arranjei um monte de problemas e passei todo o tempo que pude com minhas amigas e acho que isso ajudou a me deixar assim tão tranquila em relação a isso. Ele tá dormindo aqui, na cama dele. Agora eu gosto mais daqui (da casa dele). Yuri voltou muito carinhoso e carente. Acordou e disse que sonhou comigo, e voltou a dormir. Eu achei que iria sofrer mais que ele, porque ele estaria na Europa se divertindo e eu aqui na mesmice, obrigações, problemas. Mas ele sentiu mais, sofreu mais... I have grown colder. A vida não me choca nem surpreende. Quando lembro de Gui dizendo que na maior parte do tempo não sente nada, cada vez me identifico mais...

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