sexta-feira, 14 de julho de 2017

Eu sei que você não lê aqui, mesmo daí, mesmo de longe, ou mesmo quando você voltar. Mas o que se repete muito na cabeça pede pra sair da abstração, de onde não se sabe onde fica, pra se tornar material, existir no mundo de forma concreta, física. 

Hey bb,
How you doing? São 5:49 da manhã e eu perdi o controle da minha vida de novo, como sempre.
Logan tá dormindo aqui na cama e quando passo a mão na cabecinha dele, ele me responde apropriadamente com um prrrr prr. Será que você vai chegar aqui e dizer "que gato é esse?", como costuma fazer, porque ele cresceu? Eu nem percebo mais que ele tá ficando maior. Só reparo que agora as patinhas dele são enormes e a "luvinha" branca tá aumentando.

Sabe, lindo. Escrevi pra você ontem, mas não publiquei aqui. Lembra daquele dia que eu voltei do banho e comecei a escrever, mas aí parei e disse "eu nunca mais vou continuar esse texto", e você me perguntou por que e respondi que simplesmente se eu parasse de escrever um texto no meio, nunca retomava. Aquele era sobre saudade. Nunca retomei. O blog é cheio de rascunhos, a parte secreta dele. Rascunhos em que escrevo o que eu não quero que seja lido, ou lembrado. Ou simplesmente que achei que não estava bom o suficiente pra publicar, ou parei na metade.
Outro dia Vitória tava me contando que uma pedra (gema) era mais cara o quanto mais sua cor no meio fosse uniforme. Significava que ela foi muito lapidada. Uma pedra mais "suja" e com mais cores e desenhos é menos nobre. Os textos não publicados são a gema impura, que não foi muito lapidada, ou que simplesmente era de um pedaço mais  externo da pedra. 
Olha que interessante, o texto de ontem também era um pouco sobre saudade. Vou reproduzir umas partes dele aqui, e outras não. Tentar seguir com o processo de lapidação.

Breathe, breathe in the air
Don't be afraid to care
Leave, but don't leave me
Look around, choose your own ground
For long you live and high you fly
And smiles you'll give and tears you'll cry
And all you touch and all you see
It's all your life will ever be

É um pouco mais de 1h do dia 13/07, aqui em Natal. Aí onde você tá são 6h, segundo o Google. O país com o nome que pra mim é a palavra mais bonita em alemão: Österreich (se lê 'êsterraish', Áustria em português). Todos os dias você me pergunta se estou com saudades. Sabe, pra falar a verdade eu ainda não tinha sentido tanto assim, até ontem de noite. Quando parei pra pensar.

Um dia você tava dirigindo no caminho pra sua casa, e você comentou sobre Time, do Pink Floyd. Eu falei que nunca ouvia essa música, porque a única que ouvia do Dark Side of the Moon era Money. Você ficou indignado e disse que a gente iria escutar assim que chegasse. Quando você colocou ela, reconheci um trecho que já havia visto escrito em algum lugar, mas não sabia de qual música era:

Home, home again
I like to be here when I can
When I come home cold and tired
It's good to warm my bones beside the fire

Gostei da melodia dela, apesar que não dei muita importância. Ela ficou na minha cabeça. Semana passada eu tava lavando louça e ouvindo música e começou a melodia de Time, mas a introdução da música era diferente. Então o Waters começou a dizer breathe, breathe in the air... era outra música. E ouvindo ela entendi como Time era linda. Era uma continuação de Breathe, e elas eram uma coisa só junto com The Great Gig in the Sky. E olha só a letra dela... eu diria que algumas coisas parecem vir no momento certo nas nossas vidas. Você responderia que estou sendo incoerente, haha.
Faz uma semana que você foi embora. Left, but didn't left me. Você me diz que quando voltar vamos direto pro cinema assistir Planeta dos Macacos. Você diz "um estranho, veio de fora..." pra me dar a dica que comprou um alienzinho do Toy Story pra mim. Você tem razão, lindo, eu reclamo demais. Você tem razão, lindo, eu sou como sua vó que não acredita no que você diz! kkkk. Eu deveria confiar mais no seu julgamento. Confiar mais em você, seguir mais o que você diz, levar você mais a sério. Você tem razão quando diz que não dou valor ao que você faz por mim. E agora de longe eu consigo ver melhor, entender melhor. De alguma forma entrou na minha cabeça, eu me fiz ou fui feita acreditar que amar era expressar com palavras. Era criar situações românticas com silêncios, momentos memoráveis, misteriosos, era saber fazer o uso adequado e certeiro da linguagem. Lembro de um dia ter dito pra você que você não é romântico! Você poderia elegantemente ter me respondido

"Vows are spoken to be broken
Feelings are intense, words are trivial
Pleasures remain, so does the pain
Words are meaningless, and forgettable"
Amar não é dizer que ama. Não é criar situações de caso pensado, usar estratégias e fórmulas genéricas que funcionariam com qualquer pessoa. Amar é ver o alien de Toy Story na loja de brinquedo em Londres e lembrar que sua namorada sabe todas as falas dele no filme. Amar é prometer uma ida ao cinema quando chegar, o que deixa implícito: está tudo bem entre nós, não me apaixonei por nenhuma europeia! Quando voltar, veremos nossa sequência de filmes preferida no cinema. Amar é dizer que ama pela primeira vez no meio de uma briga, ou no meio de outra, com voz relutante e envergonhada "não vá embora, agora eu sei que é com você que quero passar o resto da minha vida!". Amar é caótico, é bagunçado, cru, não é perfeito, limpo, organizado, não segue roteiro, não é como no cinema (apesar de que tem trilha sonora!), não tem uma fórmula, não existe critérios a serem cumpridos, como no manual dos transtornos mentais, em que pra poder rotular alguém com um determinado transtorno basta que a pessoa tenha apresentado cinco dos dez critérios nos últimos seis meses. Eu sempre pensei que os relacionamentos começavam como vasos muito bonitos e intactos e que com a medida do tempo iam caindo e criando cicatrizes irreparáveis, e que na primeira cicatriz já valia a pena desistir, porque não era mais perfeito. Que ideia!

Agora que você tá aí e eu aqui, estou finalmente tendo a experiência de ficar sozinha. Eu sempre busquei a todo custo nunca ter que suportar a minha própria companhia. Sempre tive alguém em quem pensar, ou com quem contar. E agora eu tô vivendo sem te consultar, tomando minhas próprias decisões. Outro dia minhas músicas no celular simplesmente sumiram! Quase te contei, mas aí pensei "posso resolver isso". Apareceram problemas, dilemas, tomei decisões, descobri meu caminho sem perguntar pra ninguém! Muitas vezes eu comecei a te escrever no whats e apaguei ao invés de enviar. Estou aprendendo a não te contar cada passo, cada pensamento, cada emoção. Aprendendo a não descarregar tudo em cima de você. Aprendendo a dormir sozinha (com Logan hehe). Eu percebi, por exemplo, que muitas vezes fico triste e você não dá importância e isso me chateia. Mas que minhas tristezas vão embora tão rápido quanto chegam. Talvez seja por isso que você não se preocupa muito. Agora eu penso "tudo bem, vai passar!" e percebo o quanto minhas emoções variam rápido. Eu não preciso falar o tempo todo sobre elas. Se você visse o quanto cresci, o quanto cresci do ano passado pra cá... e muita coisa foi por sua causa, sabia? 

Ano passado eu e Vitória conversamos algumas vezes sobre a definição de amor, se o amor real é o que faz sofrer, ou o que só faz bem. Eu não posso definir o que é amor e o que não, mas posso definir uma coisa. Um amor bom é aquele que nos permite amar a nós mesmos, enquanto amamos o outro. E você não é egoísta, você me dá espaço pra que eu também me ame, você não monopoliza o meu amor todo pra si. Pra te amar não precisa estar de joelhos. É por isso que eu cresço perto de você. 
Eu sempre acreditei no jeito de saber pelo caminho letrado, culto, filosófico, reflexivo, complexo. A sua sabedoria não vem de livro, é simples, é experiência. Você é meu simple kind of man. Você é something you love and understand. Você é sábio de um jeito poético, amoroso, musical, doce. Racional, mas não ensaiado, espontâneo, kind hearted. Eu amo você. Que bom que te encontrei. You're all I need... 

sim estou com sdds principalmente de:



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