domingo, 25 de junho de 2017

"- Como? Há um meio especial de se evitar o sofrimento?
- Sim, há um meio.
- É uma fórmula, um processo, ou o quê?
- É um modo de se agarrar as coisas. Por exemplo, quando eu estava aprendendo a respeito da erva-do-diabo, era por demais ansioso. Agarrava as coisas assim como as crianças agarram bala. A erva-do-diabo é apenas um entre um milhão de caminhos. Tudo é um entre um milhão de caminhos (un camino entre cantidades de caminos). Portanto, você deve sempre manter em mente que um caminho não é mais do que um caminho; se achar que não deve segui-lo, não deve permanecer nele, sob nenhuma circunstância. Para ter uma clareza dessas, é preciso levar uma vida disciplinada. Só então você saberá que qualquer caminho não passa de um caminho, e não há afronta, para si nem para os outros, em largá-lo se é isso o que seu coração lhe manda fazer. Mas sua decisão de continuar no caminho ou largá-lo deve ser isenta de medo e de ambição. Eu lhe aviso. Olhe bem para cada caminho, e com propósito. Experimente-o tantas vezes quanto achar necessário. Depois, pergunte-se, e só a si, uma coisa. Essa pergunta é uma que só os muito velhos fazem. Meu benfeitor certa vez me contou a respeito, quando eu era jovem, e meu sangue era forte demais para poder entendê-la. Agora eu a entendo. Dir-lhe-ei qual é: esse caminho tem coração? Todos os caminhos são os mesmos: não conduzem a lugar algum. São caminhos que atravessam o mato, ou que entram no mato. Em minha vida posso dizer que já passei por caminhos compridos, mas não estou em lugar algum. A pergunta de meu benfeitor agora tem um significado. Esse caminho tem um coração? Se tiver, o caminho é bom; se não tiver, não presta. Ambos os caminhos não conduzem a parte alguma; mas um tem coração e o outro não. Um torna a viagem alegre; enquanto você o seguir, será um com ele. O outro o fará maldizer sua vida. Um o torna forte; o outro o enfraquece."

"Em nossas conversas, Dom Juan sempre usava ou se referia à expressão "homem de conhecimento", mas nunca explicava o que queria dizer com isso. Perguntei-lhe a respeito.
- Um homem de conhecimento é aquele que seguiu honestamente as dificuldades da aprendizagem - disse ele. Um homem que, sem se precipitar nem hesitar, foi tão longe quanto pôde para desvendar os segredos do poder e da sabedoria.
- Qualquer pessoa pode ser um homem de conhecimento?
- Não; não qualquer pessoa.
- Então o que é preciso fazer para se tornar um homem de conhecimento?
- O homem tem de desafiar e vencer seus quatro inimigos naturais.
- Ele será um homem de conhecimento depois de vencer esses quatro inimigos?
- Sim. Um homem pode chamar-se um homem de conhecimento somente se for capaz de vencer os quatro.
- Então, qualquer pessoa que conseguir vencer esses inimigos pode ser um homem de conhecimento?
- Qualquer pessoa que os vencer torna-se um homem de conhecimento.
(...)
Quando eu estava me preparando para partir, tornei a lhe perguntar acerca dos inimigos do homem de conhecimento. Argumentei que ia passar algum tempo sem voltar, e que seria uma boa idéia escrever as coisas que ele tivesse a dizer e pensar a respeito enquanto estivesse fora. Hesitou um pouco, mas depois começou a falar:
- Quando um homem começa a, aprender, ele nunca sabe muito claramente quais seus objetivos. Seu propósito é fumo; sua intenção, vaga. Espera recompensas que nunca se materializarão, pois não conhece nada das dificuldades da aprendizagem. Devagar, ele começa a aprender... a princípio, pouco a pouco, e depois em porções grandes. E logo seus  pensamentos entram em choque. O que aprende nunca é o que ele imaginava, de modo que começa a ter medo. Aprender nunca é o que se espera. Cada passo da aprendizagem é uma nova tarefa, e o medo que o homem sente começa a crescer impiedosamente, sem ceder. Seu propósito torna-se um campo de batalha. E assim ele se deparou com o primeiro de seus inimigos naturais: o Medo! Um inimigo terrível, traiçoeiro, e difícil de vencer. Permanece oculto em todas as voltas do caminho, rondando, à espreita. E se o homem, apavorado com sua presença, foge, seu inimigo terá posto um fim à sua busca.
- O que acontece com o homem se ele fugir com medo?
- Nada lhe acontece, a não ser que nunca aprenderá. Nunca se tornará um homem de conhecimento. Talvez se torne um tirano, ou um pobre homem apavorado e inofensivo; de qualquer forma, será um homem vencido. Seu primeiro inimigo terá posto um fim a seus desejos.
- E o que pode ele fazer para vencer o medo?
- A resposta é muito simples. Não deve fugir. Deve desafiar o medo, e, a despeito dele, deve dar o passo seguinte na aprendizagem, e o seguinte, e o seguinte. Deve ter medo, mente, e, no entanto, não deve parar. É esta a regra! E o momento chegará em que seu primeiro inimigo recua. O homem começa a se sentir seguro de si. Seu propósito torna-se mais forte.
Aprender não é mais uma tarefa aterradora. Nesse momento, o homem pode dizer sem hesitar que derrotou seu primeiro inimigo natural.
- Isso acontece de uma vez, Dom Juan, ou aos poucos?
- Acontece aos poucos e no entanto o medo é vencido de repente e depressa.
- Mas o homem não terá medo outra vez, se lhe acontecer alguma coisa nova?

- Não. Uma vez que o homem venceu o medo, fica livre dele o resto da vida, porque, em vez do medo, ele adquiriu a clareza de espírito que apaga o medo. Então, o homem já conhece seus desejos; sabe como satisfazê-los. Pode antecipar os novos passos na aprendizagem e uma clareza viva cerca tudo. O homem sente que nada se lhe oculta."

quarta-feira, 21 de junho de 2017

"Consider this: You can see less than 1% of the electromagnetic spectrum and hear less than 1% of the acoustic spectrum. As you read this, you are traveling at 220 km/sec across the galaxy. 90% of the cells in your body carry their own microbial DNA and are not 'you.' The atoms in your body are 99.9999999999999999% empty space and none of them are the ones you were born with, but they all originated in the belly of a star. Human beings have 46 chromosomes, 2 less than the common potato. The existence of the rainbow depends on the conical photo-receptors in your eyes; to animals without cones, the rainbow does not exist. So you don’t just look at a rainbow, you create it."

NASA Lunar Science Institute, 2012

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Nightmares & Dreamscapes

Yuri passou os últimos dias aqui em casa. Foi embora domingo de tarde, mas "cedo". Umas 16h maybe. Fui pra academia logo depois. Meu quarto anda tão bagunçado e não gosto disso... então achei bom porque eu precisava organizar as coisas. Tenho me sentido angustiada com coisas estagnadas. Uma história interessante:
Muitas vezes eu sonho que o meu quarto é um quarto de depósito como antes, só que com a minha cama aqui. Antes dos meus pais reformarem a casa, esse quarto ficava praticamente do lado de fora. Vou tentar descrever. Minha cozinha agora é em "L" e em uma das pontas do L, perto da porta de trás que dá pro quintal, fica o meu quarto. Antes minha cozinha era um "I" e essa parte que agora também é cozinha a gente chamava de "área de serviço". Era onde a gente colocava algumas coisas que não usava e também nossos animais de estimação. Era uma área coberta, mas sem laje, só na telha. Ela começava na porta da cozinha e terminava numa grade de ferro bem fininha e enferrujada, formando desenho de losangos entre os metais. Eu morria de medo de vir nessa parte da casa quando era criança, porque essa grade dava pro breu do quintal, e tinha só um cadeado segurando um trinco tão velho que eu poderia quebrar com um sopro. Eu sempre tive medo de ver alguma coisa nessa grade (inclusive, um dia um cara pulou da casa do vizinho pro nosso quintal, através desse muro lateral do quintal que agora é fechado. Também dava pra ver a torre de cima da igreja e os sinos daqui da porta, por causa disso). Por esse mesmo motivo tinha medo das janelas da cozinha e dos banheiros, que eram enormes (passava uma pessoa tranquilamente) e davam pra área de serviço. Além disso, ali ficava o meu quarto. Antes era um quarto de depósito onde a gente colocava as coisas velhas, empoeiradas e sem uso. Era cheio de cocô de barata, baratas em si, lagartixas, traças e às vezes ratos. O chão era de tijolinho vermelho, muito antigo. Guardávamos móveis antigos pra comportar as tralhas de forma organizada. Às vezes eu passava horas aqui sentada no chão procurando algo pra ler ou lendo. Encontrava livros proibidos (de sexo hehe), paradidáticos, gibis, livros do Paulo Coelho e outros esotéricos, clássicos (Dom Casmurro, Brás Cubas, Primo Basílio...), coleções (Jorge Amado e outros escritores brasileiros). Tinha Clarice Lispector, Agatha Cristie, Stephen King. Naquela época meus preferidos eram sobre ocultismo, parapsicologia e coisas sobrenaturais, porque eu ainda acreditava nisso. Era um tradicional "quarto de empregada"- resquício da cultura escravista brasileira - e tinha até um banheirinho minúsculo e que não funcionava, só servia pros agentes de saúde virem vez ou outra ver se tinha foco de dengue. Também tinha uma linha de telefone e às vezes quando meus pais brigavam e começavam a se bater eu ligava pra casa de Vanny e ficava conversando com ela pra tentar ignorar o barulho que eles faziam. 
Quando meus pais reformaram esse quarto, me deixaram escolher quase tudo. Eu escolhi um teto de gesso, e por isso meu teto é bem baixinho, só um pouco maior que Yuri (porque o teto era inclinado, e o gesso precisa ser reto. Aí ele foi nivelado no ponto mais baixo). Antes de terminarem, eu vi como as placas de gesso ficam penduradas ao teto velho e sujo por cabos de metal, cobrindo ele todo. Eles trocaram o piso, tiraram o banheiro, trocaram a porta, tiraram a parede velha de azulejo, mandaram fazer uma janela do jeito que eu queria (que encontrei no weheartit). A única coisa que sobrou foi a luz e o "lustre" em volta dela, que nunca troquei porque nunca encontrei um que achasse legal. 

A expectativa x realidade da minha janela que fiz no dia que ela chegou. Na esquerda, a foto que levei pra Dumaresq de exemplo

Ringo e príncipe Lulu inspecionando se a minha porta do quarto ficou boa. Descansem em paz.
O interessante disso tudo é que quase toda noite eu escuto um estalinho metálico. Só de noite. Eu tinha uma bolsa com um pedaço gigante de metal e achava que era esse pedaço escorregando pelo guarda roupa. Joguei fora. Na outra noite, o barulho de novo. Não consigo detectar de onde vem. Minha mãe disse que é o encanamento. São 6 anos de barulhinho. Talvez seja o cabo atrás do gesso se contraindo de frio, pensei finalmente um dia desses. A segunda parte interessante é que tenho um pesadelo recorrente aqui.
Desde que eu cheguei aqui, muitas vezes eu sonho que esse quarto é o mesmo quarto de antes. Muito embora eu não lembre tão bem dele, porque eu esqueço coisas que aconteceram semana passada, quem dirá a imagem de um quarto que se desfez seis anos atrás. Mas nos sonhos eu lembro dele, eu vejo a janela, o guarda roupa que ficava aqui e prendia um pedaço da janela e não deixava ela abrir. Lembro da portinha (mal) pintada de branco, com várias camadas de tinta descascando e revelando a mais antiga e amarelada. Eu sonho que é o mesmo quarto só com a minha cama. O mesmo quarto cheio de sujeira, poeira, cheio de bichos. E sonho que eu durmo aqui, no meio da bagunça. Sonho que ele é assombrado, que existe um tipo de dark force aqui. E depois que meu pai morreu, às vezes sonho que encontro ele aqui, só que no quarto como era antes. Um dia desses contei isso pra Yuri e disse: eu acho que tenho esses sonhos porque falta trocar uma coisa. O lustre. Acho que isso fica no meu inconsciente. Ele analisou de outro jeito, disse: Eu acho que você sonha com isso porque tem pavor de sujeira e bagunça, e o que você menos quer é bagunça em cima de você. Achei uma boa leitura também. Quando acordei domingo e Yuri continuou dormindo (pra variar) foi de um outro pesadelo. Não contei o sonho pra ele porque sei que ele não daria importância/tentaria silenciar dando qualquer solução pra não ter que falar mais disso então não falei nada. Mas foi interessante também e quero guardar em algum lugar. Sonhei que estava na casa da minha avó, mãe do meu pai. Eu sei que era lá porque eu lembro vagamente dos cômodos dela, mas eles estavam diferentes, era uma casa de dois andares com um pé direito enorme. Lá tinha um quarto assombrado pelo espírito de uma menina, pelo que entendi. Eu entrava lá pra buscar alguma coisa e uma força me puxava e me sentava na cama, e eu tentava sair e era muito difícil chegar na porta. Depois eu ainda acabava voltando lá porque esqueci algo. Quando acordei me lembrei imediatamente de quando li 1408, e antes ainda, quando assisti o filme com o meu pai. Tinha algo de parecido nesse sonho. Não consigo lembrar de quase nada, só da sensação ruim, do medo que me contaminou a tal ponto de eu não querer voltar a dormir mais depois dele.
Bônus: primeira foto que tirei no meu quarto


quinta-feira, 8 de junho de 2017

Did you know...it was all going to go so wrong for you
And did you see it was all going to be so right for me
Why did we tell you then
You were always the golden boy then
And that you'd never lose that light in your eyes

Hey you...did you ever realize what you'd become?
And did you see that it wasn't only me you were running from
Did you know all the time but it never bothered you anyway
Leading the blind while I stared out the steel in your eyes

The rain fell slow, down on all the roofs of uncertainty
I thought of you and the years and all the sadness fell away from me
And did you know...
I never thought that you'd lose the light in your eyes

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Oi meu amor,

Eu sei que agora deveria estar escrevendo e-mails pra pesquisadores gringos, lendo artigos complicados em inglês e "produzindo", mas ao invés disso, estou deitada na cama abraçada com o travesseiro que você dormiu, pensando em você e chorando. Percebi então que o melhor que eu tinha pra fazer agora era vir aqui e dizer com todas as letras o que talvez eu tenha dito muitas vezes pessoalmente de forma indireta, mas que nunca conseguiria dizer de verdade com a clareza que tenho escrevendo.
Me perdoe por ter demorado tanto pra ter coragem de dizer tudo o que tenho pra dizer. É que ano passado aconteceram tantas coisas que me maltrataram o coração de um jeito que acho que ninguém merece sentir, de um jeito que ainda não consegui contabilizar o estrago, mas que a despeito de eu tentar esconder de todo mundo (inclusive de você) e a todo custo, sei que você pode ver the darkness leaking out of me, quando choro no escuro na hora de dormir, ou quando eu confesso pra você que estou triste e cansada de viver. Eu sei que você percebe o quanto sinto aquilo que te mandei ontem "I can see you're sad, even when you smile, even when you laugh, I can see it in your eyes, deep inside you want to cry"…

Sabe lindo, ontem Victor deu aula sobre a neurobiologia da afiliação (ou do amor, como alguns preferem chamar). No começo da aula, ele definiu o conceito de apego mais ou menos assim:

Apego é quando um animal procura proximidade física de outro numa situação de estresse, em busca de conforto e segurança.

Essa definição é tão simples e ao mesmo tempo linda!
Depois disso ele explicou como funciona a circuitaria cerebral nesse caso, quais áreas envolvidas, quais neurotransmissores, qual a importância evolutiva... e eu teria pensado nossa, é só isso... meros processos químicos, interações elétricas, respostas a estímulos. Tudo tão explicável, mundano, sem mistério. Mas eu andava tão triste, e te mandei uma mensagem: "tô me sentindo tão sozinha no mundo". E você respondeu "tá sozinha não, bebê, você tem eu. Quer que eu vá te visitar hoje?" e aí você sente que é mais do que isso, sabe lindo? É mais do que a gente pode explicar. Tem algo de sagrado, de divino. Algo além da pura neurobio, neuroendocrinologia. Mais do que seleção natural, mais do que filogenia. Tem algo de mágico, de espiritual, de extra-terrestre, de sublime, entende?

Eu poderia dar a isso o nome de amor. Eu amo você, lindo. E posso te dizer com convicção que você é a primeira pessoa que amei (romanticamente) de verdade. Lembra daquela conversa que a gente teve uma vez? Eu disse
- Você não sabe fazer as pessoas se apaixonarem por você! Você tem que me fazer um monte de promessas que não pode cumprir.
- Mas aí depois você vai passar o resto da vida jogando na minha cara que eu não cumpri o que prometi.
- Tá vendo como você é bobo? Você realmente não sabe fazer isso! Você tem que prometer, não cumprir e ainda por cima me fazer acreditar que foi por culpa minha. É assim que as pessoas fazem as outras se apaixonarem por elas.

Quando eu li aquele texto que te mostrei dos "14 passos pra manipular alguém", percebi que a minha vida inteira caí em armadilhas e jogos genéricos que funcionariam com qualquer um, prenderiam qualquer um. Não era nem sobre mim, sabe? Eram só pessoas que sabiam manejar minhas vulnerabilidades e me dar o que eu precisava, pra tomar o que queriam em troca, depois. E por muito tempo acreditei que isso era ter amado, me apaixonado. Até aquele dia. Eu estava só sendo vulnerável e me deixando usar. Abusar. Maltratar... porque acreditava que era isso que eu merecia, mesmo que meus amigos estivessem sempre lá gritando que não, mas eu achava que era só porque eles não sabiam o quão má eu era. Mas a minha família, os meus namorados... eles sabiam que por trás da maquiagem tinham olheiras enormes, sabiam dos defeitos do meu corpo, sabiam do meu temperamento agressivo, das coisas mal resolvidas dentro da minha cabeça... eles sabiam a verdade, sabiam o lixo que eu era e por isso só lhes restava me tratar assim, feito lixo. E foi preciso que você chegasse e visse tudo, visse mais além do que todos viram, e me conhecesse muito mais do que qualquer um já conheceu... e ainda continuasse me tratando feito gente. Pior ainda, como se eu fosse especial, como se eu fosse bonita, como se eu fosse digna, como se eu merecesse... ser amada. Como se eu merecesse respeito. E isso foi um choque pra mim e muitas vezes eu chorei pensando nisso (como agora). Eu nunca pensei que iria chorar um dia por alguém me fazer feliz, quase tanto quanto já chorei pelo mal que me fizeram. Porque você pensa que eu choro depois que gozo só porque é bom, mas eu choro de emoção. De amor. Eu choro porque não entendo porque mereço que alguém me trate tão bem, porque eu mereço ser tão feliz. Eu choro lembrando de todos os momentos que passei chorando de tristeza, de dor, de solidão, sem saber que um dia eu poderia esquecer todos aqueles pesadelos. Sem saber que um dia alguém poderia me salvar. Pode parecer uma idiotice de se dizer, mas é exatamente o que sinto.
Porque durante toda a minha vida eu me senti tão fraca, pequena, vulnerável, inofensiva. Mas quando eu seguro na sua mão eu tenho certeza que nada de ruim vai me acontecer. É como se você pudesse me proteger de tudo... é como o conceito de apego da aula! Eu te amo tanto...

Por tanto tempo eu tive medo de dizer isso. Medo de que eu fosse dizer e depois talvez tivesse que voltar atrás...? Depois descobrisse que fui enganada. Como se o fato de eu não dizer pudesse me proteger de alguma coisa. Me fazer menos ridícula por me sentir assim. You know what, bb? Quando eu era criança, sempre via nos filmes algo sobre ter um coração puro. "o anel só pode ser carregado por quem tem um coração puro..." etc. e eu não entendia como seriam essas pessoas, como elas seriam diferentes das outras. Quando te conheci, entendi perfeitamente bem o que isso significava. Você tem um coração puro, uma alma tão limpa, cristalina, ensolarada, inocente. Você é o meu Spike da vida real. Tão simples, honesto, humilde, gentil, generoso, doce, tranquilo e com mad skills haha. Eu te amo tanto. Obrigada por ter tocado in my time of dying pra mim de slide e tudo, logo quando a gente se conheceu. Por ter dito "eu te amo" primeiro. Por tudo que você fez por mim... por encher minha vida de música, sentido, amor, segurança, tranquilidade... não posso listar senão vai parecer que o que você fez por mim é algo que cabe numa lista. E nós sabemos que it simply doesn't. Então por todas as coisas... thank you.

"She was the part of me I've lost somewhere along the way
The part that was missing, that I've been longing for…"



terça-feira, 6 de junho de 2017

As you look around this room tonight
Settle in your seat and dim the lights
Do you want my blood, do you want my tears?
What do you want, what do you want from me?
Should I sing until I can't sing any more
Play these strings until my fingers are raw?
You're so hard to please
What do you want from me?

Do you think that I know something you don't know
What do you want from me?
If I don't promise you the answers would you go?
What do you want from me!?
Should I stand out in the rain
Do you want me to make a daisy chain for you?
I'm not the one you need
What do you want from me...

You can have anything you want
You can drift, you can dream, even walk on water
Anything you want

You can own everything you see
Sell your soul for complete control
Is that really what you need?

You can lose yourself this night
See inside there is nothing to hide
Turn and face the light

What do you want from me...

sábado, 3 de junho de 2017

the only person i can ever save is myself
the only person i can ever save is myself
the only person i can ever save is myself