segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

"A angústia é uma característica fundamental da existência humana. Quando o homem desperta para a consciência da vida, percebe que ela não tem sentido ou uma finalidade. É na angústia que percebemos o nada como essa sombra que paira sobre todas as coisas. O nada que tudo aniquila está por sobre e além de nós. Na angústia todas as coisas se  nivelam. Tudo se torna efêmero, tudo se torna igual. O mundo perde sua cor. Tudo caminha para seu ocaso. Tudo caminha para seu fim e decadência. Na angústia percebemos que somos um ser para morte. É a morte que retira todo o sentido da vida. Como afirma Heidegger, 'o mundo surge diante do homem aniquilando todas as coisas particulares que o rodeiam e, portanto, apontando para o nada'”

sábado, 28 de janeiro de 2017

"You told me not to wait
Unless I could wait forever
Cause there's no time for us
To comfort in what was..."

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Oi meu gatinho.

Eu não consegui ser uma gatinha sabidinha hoje.
São 3h e eu ainda não dormi.
Eu desisti de ir pra praia com minha família. Vou ter que perder de ver minha nova prima-sobrinha lá do Espírito Santo. A minha maior motivação pra ir era conhecer ela. Mas tem coisas maiores. Eu tô atrasada. Eu tenho um problema sério com responsabilidade. Com compromisso, com tudo que é sério. Eu tenho um problema sério com seriedade. A minha marca registrada é fazer piada. É por isso que eu sou conhecida onde quer que eu esteja "trabalhando". Na faculdade sempre foi assim. Quando eu ia pras supervisões dos meus pacientes, quando eu apresentava trabalhos... as pessoas estavam sempre esperando que eu dissesse algo esdrúxulo de que elas fossem dar risada. Porque eu sempre fazia isso. Porque era meu jeito irreverente de me esconder. Mesmo no mestrado as pessoas sempre falam "ah, você é tão engraçada". O meu humor tem sido minha marca, e o meu escudo. É mais fácil de levar um fora ou ser repreendido quando você tá fazendo uma piada. Quando parece que você não tá falando sério. Assim não tem jeito de você ser desmoralizado. Afinal, pra você não passava de uma brincadeira desde o começo, certo? Assim não dá pra sair como bobo. E eu não quero que as pessoas saibam que eu me levo a sério demais. Que eu sou frágil e tenho medo do julgamento delas. Sabe, quando eu deito na cama de noite, eu costumo pensar sobre duas coisas. Você sabe que eu não acredito em deuses e entidades. Eu já te falei com todas as letras algumas vezes. Quando eu deito na cama no escuro, eu costumo pensar sobre a minha finitude. Sobre como a vida termina e sobre como eu vou ser obrigada a viver o momento da minha própria morte. Sobre como haverá um momento que será o último, e depois dele não virá mais nenhum momento. E quando eu penso nisso, parece que nada importa demais, que nada é grande demais. Porque essa vida é finita e tudo que eu fizer vai passar, inclusive as vergonhas. Além disso eu também costumo pensar nos astros girando lá em cima, e as vezes o peso das estrelas é grande demais pra eu suportar. O tamanho do universo é grande demais pra eu suportar, e eu preciso começar a pensar nas coisas pequenininhas pra me acalmar: o teto em cima da minha cabeça, ou que vou ter que acordar cedo no dia seguinte, ou qual meu trabalho pra semana que vem, ou que tenho que comprar couve. Eu me sinto protegida no micro. Nas coisas mirradas. O espaço infinito me assusta, praticamente o que disse Blaise Pascal (pela boca do professor de epistemologia) numa aula de filosofia que nunca vou esquecer. 
E mesmo eu sabendo disso. Da minha vida finita. Do universo tão maior do que tudo que eu posso conhecer. Da minha insignificância. Eu não consigo me desprender. Meu ego é grande demais. Eu tenho tanto medo de ser constrangida. Veja bem, eu tenho tanto medo de ser constrangida, que eu não costumo me abrir nem mesmo com você. Porque eu já fui constrangida muitas vezes antes. Não é sua culpa. Eu tenho medo de te incomodar. Quando você chega inocente em casa pra jogar algum joguinho seu ou vem pra cá só desmaiar na minha cama fazendo conchinha, eu me sinto mal em ficar despejando negatividade e preocupação nos seus ouvidos. 
Eu sinto constantemente que é coisa demais pra dar conta. Cuidar de tudo com perfeição. Eu sinto que todas as coisas que preciso saber na minha dissertação são demais pra eu aprender de uma vez só. Eu tava deitada pra dormir quando percebi que tenho pouco mais de vinte dias pra entregar. A qualificação. E depois mais uma semana pra preparar uma apresentação. Eu tenho tanto medo de ser medíocre. Eu queria fazer uma coisa diferente, uma coisa inédita. Eu nunca vou me contentar com replicar um trabalho. Eu preciso acrescentar algo. Preciso saber mais. Eu queria ter sabido mais antes. Que eu não tivesse deixado tudo assim de última hora. Agora é impossível ficar perfeito. Eu tenho me sentido um lixo. Exceto pelos raros momentos em que eu consigo cumprir a minha agenda. Eu desativei meu facebook hoje. Não posso ter distrações. Eu não posso mais ficar jogando com você, brincando... eu simplesmente preciso dar tudo que tenho agora. Anxiety is crushing me. Eu tô tão perdida e odeio ter que fazer tudo sozinha. Odeio a incerteza, odeio ficar ansiosa. Odeio as imagens que ficam aparecendo na minha mente...
Hold me my angel, i'm falling apart

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Dia 19 de janeiro.

Tenho escrito todos os dias. Nada publicável. Toda vez que começo a escrever aqui acabo ficando com sono e indo dormir e uma coisa é certa: se eu interrompo um texto pra dormir, ele nunca mais será retomado.
São 4:11 da manhã. Fiquei com sono lá pela 1h mas passou. Acho que eu não gosto mais de escrever aqui. Quando eu escrevo, preciso me concentrar. Não posso ouvir Nerdcast, o Pirula ou conversar com alguém. E ficar ouvindo o silêncio tem me torturado muito. Eu nunca estive tão verdadeiramente sozinha. Acho que faz parte das férias e de eu ter que trabalhar pra compensar todo o tempo em que não fiz isso. Frequentemente preciso escrever a minha dissertação e não posso me cansar muito, senão falta tempo. Yuri agora trabalha na empresa do pai dele e nossas conversas não vão muito além de "bom dia, boa noite, te amo viu? até amanhã". Ele passa o dia trabalhando e quando chega em casa vai jogar no computador até dormir. Eu fico aqui escrevendo, lendo, quebrando a cabeça, indo pra academia, fazendo dieta, jogando, ouvindo podcast, arrumando o quarto, conversando com Vanessa pelo Facebook e às vezes tomando conta do meu sobrinho... mas acho isso muito interessante. Antes, nós estávamos quase 100% do tempo juntos. Era raro passarmos mais de um dia longe um do outro. Mas logo veio esse um dia, que virou dois, virou três, virou normal que fosse dia sim dia não, ou dia não, dia não e dia sim, ou tivesse que esperar um momento "especial": mais pro final da semana, depois de eu terminar alguma fase do trabalho, quando a gente quer transar ou como por exemplo amanhã porque eu pintei o cabelo e queria que ele me visse enquanto tá bonito. Isso não me dói. Acho que faz parte da vida normal, do cotidiano. Eu e Yuri temos um relacionamento extremamente tranquilo e comum. Ele é de longe o melhor namorado que já tive. Mas esse texto não é sobre ele.
É engraçado o que o tempo faz com as amizades. Ou comigo. Pelo amor de deus, eu sou um lixo em desenvoltura social. E parece que quanto mais tempo passo em casa, pior fica. É quase como parar de ir pra academia e ver aquela porra de músculo que você investiu tanta energia e proteína pra crescer se desfazendo do dia pra noite, murchando, sendo absorvido pelo corpo. Eu tenho me sentido um alien quando saio com meus amigos. Não que em algum momento da minha vida eu tenha sido totalmente extrovertida, sem vergonha, desinibida, a estrela do rolé. Nunca fui. Só que nunca estive como agora também. Sem saber como agir com gente com quem antes eu tive tanta intimidade. É impressionante o poder das rotações da Terra em jogar pra longe as pessoas com quem você não mantém contato por um tempo. 
Anteontem eu fui pro Pedrão com as meninas. Não tinha muito o que fazer lá, porque eu não bebo e nem fumo mais, tento evitar comer carne e queijo e quem dirá fritura. Ou seja, só conversar e resistir a tentação de ver outras pessoas fumando. Eu me senti tão perdida, tão sem jeito, tão desconexa. Tinha tantas coisas que eu ia planejando no caminho pra dizer, mas que acabei por dizer só uma e por cima. Às vezes eu consigo perceber que as pessoas não estão dispostas a ouvir. E eu tenho precisado tanto falar. Tanto que não consigo nem escrever de tanta coisa. E também por não querer dar o braço a torcer e escrever coisas negativas no blog. Yuri não é muito de ouvir. Não, ele não é nada bom em ouvir e isso piora as coisas em 90%. Sempre fui de procurar um namorado como a primeira pessoa pra me dar apoio/desabafar. E agora eu não tenho mais isso e fica tudo guardadinho dentro do meu corpo adoecido pela ansiedade - frequentemente tenho quedas de imunidade, meu cabelo cai como nunca, não consigo dormir direito, tenho pesadelos todas as noites, meu corpo fica inchado e se enche de infecções - esse é o preço do meu silêncio (e de não usar drogas, eu acho). Mas tudo bem, a vida continua. Essas angústias não são nada perto do que já aguentei, e menos ainda perto do que sou capaz de aguentar.
O que eu queria contar era que Marié tava reclamando de algumas coisas que o namorado dela fez. Reclamou que paga o aluguel por ele, reclamou que ele não pesquisa as coisas, não faz nada, não faz o que ela diz, etc etc. Depois disse "nosso casamento já tem data marcada!". Contei pra minha mãe tudo que ela disse e depois isso. E a minha mãe falou algo assim "não sei porque mulher acha que precisa tanto de homem!!!!" enfurecida. E eu falei que até pra tomar banho e lavar o cabelo, Marié chama o namorado pra ficar no banheiro junto com ela. Ela tem medo de ficar sozinha. E as vezes quando eu vejo o relacionamento deles eu me pergunto se ela é feliz mesmo, se ela gosta dele mesmo, ou se isso é porque eu e as outras amigas comentamos frequentemente como é difícil arrumar um homem que nos leve a sério nessa cidade, ou que nos trate bem ou que seja bom, como tem sido difícil arrumar um relacionamento hoje em dia, etc, e ela tem estado nesse relacionamento há tanto tempo que aparentemente não vale a pena arriscar começar tudo de novo. Ou será que eu sou uma descrente por que nunca passei por isso? Porque eu nunca amei ninguém por muitos anos? De toda forma eu tenho certeza que Marié acha que precisa dele muito mais do que ela realmente precisa. E tenho certeza também que ela não quer pensar sobre isso. Ela só quer seguir o plano que ela elaborou pra vida dela. Casar e ser engenheira no Canadá, criar filhos lá. E ele faz parte do plano, porque ela já poderia ter ido embora mas não vai porque precisa esperar que ele se forme. Será que eu esperaria por alguém assim? Será que se eu tiver uma chance de ir embora num doutorado, eu vou sentar e esperar pacientemente que Yuri termine o curso dele que ele nem leva a sério, que só faz jogar e passar se arrastando (igual ao namorado dela), pra poder levar ele junto comigo pra realizar algo que eu construí pra mim sozinha com o meu próprio sangue e lágrimas? God forbid. 
O que me deixa mais triste é que eu me identifico com ela. É que eu sei que sou assim também. Trouxa, como diria Thiago. Não sei ela, mas eu sempre acho que mereço menos amor do que os outros (leia-se: minhas amigas) acham que mereço. Mas eu acabei fugindo completamente do que eu ia dizer. Na verdade eu só ia dizer que Marié começou a usar gírias que não usava antes porque mudou de emprego e eu fiquei me perguntando se ela percebeu que está mudando o jeito de ser por conviver com pessoas totalmente diferentes das do outro trabalho mas não falei nada. Eu sempre tenho a impressão que nós mulheres precisamos muito mais dos homens do que eles precisam de nós. Mesmo que a gente hoje em dia seja independente financeiramente. Independente de recursos, independente que eles cacem por nós ou nos protejam de predadores, de outros homens, ou sejam confiáveis pra ajudar a criar nossos filhos, pra cuidar de nós enquanto estamos grávidas. Mesmo com tudo o que nós temos hoje, nós mantemos essa relação assimétrica. Nós temos medo de eles irem embora, nós achamos que não vamos conseguir outro que invista tanto na gente ou nos trate tão bem. Eu tenho a impressão de que nós investimos muito mais tempo e energia pensando neles do que eles em nós. Não sei se a minha visão vem da minha experiência negativa e se a minha observação das outras tá contaminada com a minha percepção. Sei que meus namorados sempre tiveram hobbies que tomavam muito do seu tempo: tocar guitarra, assistir anime, jogar na internet ou na vida real, tantas coisas... enquanto o meu grande hobby sempre foi me ocupar deles. E eu me sinto triste por não ser individualistazona desconstruída que investe na própria vida como um lobo solitário, que se coloca como prioridade máxima, que se preocupa muito mais com o próprio desenvolvimento e crescimento do que com qualquer outra coisa. Mas no fim das contas, acho que esse é o legado que a evolução inscreveu no cérebro de nós meninas, e que não tem cultura capaz de destruir por completo o que a natureza construiu em milhares de anos.




quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A rush of thoughts to the head

3:20

Lemme get some sleep

Estou sentada sozinha na minha cama, encostada na parede gelada.
Antes de pegar meu computador, a luz do ar condicionado e a luz que entra através da cortina fininha me faziam enxergar tudo com a ajuda das minhas pupilas dilatadas. Estou tentando me convencer a dormir desde meia noite, e nada. Eu quero tanto dormir mas não consigo parar de pensar. Eu quero acordar amanhã cedo pra poder trabalhar mais. Pra poder escrever mais.

Hoje eu estava escrevendo a minha dissertação. Took me all day, da hora que acordei (13) até as 18:30 quando fui pra academia. Mal escrevi uma página, mas fiquei orgulhosa do meu progresso. Orgulhosa de ter conseguido me sentar e escrever sem ficar nervosa ou me levantando. Eu demorei muito a escrever porque é como se eu fosse alguém tentando montar um quebra cabeça perfeitamente a partir das bordas pro centro, ou da esquerda pra direita, ao invés de ir juntando as peças aleatoriamente. As coisas simplesmente fluíram, hoje eu senti como se alguma coisa tivesse mudado. Isso me lembra de algo interessante sobre ontem.

Ontem à noite eu estava me forçando a escrever enquanto conversava com Vanessa e Lauro sobre a imprevisibilidade da vida e sobre como é difícil se forçar a trabalhar quando já se está muito acostumado à distrações (leia-se: vadiagem). Eu fui pegar uma coisa na cozinha e tive um estalo. Eu percebi porque escrever estava me deixando tão ansiosa. Escrever estava me deixando ansiosa ao ponto de eu me entupir de comida, ou toda vez que eu abria o word, começava a dormir. Outro dia dormi quase 20 horas porque tentava escrever e ia deitar e dormia. Algum misto de medo e depressão. E então durante a conversa com Vanny eu simplesmente me dei conta da imagem que estava vindo na minha cabeça toda vez que eu escrevia. Eu me lembrava da qualificação de Anthonieta, e da professora Emília esculhambando ela e colocando um monte de defeitos na dissertação dela. E lembro de pensar (isso já faz cinco anos) "por que Fívia não corrigiu os erros dela? Como ela deixou isso passar? Ela poderia ter evitado que Anthonieta passasse por isso". Sim, eu estou com um terror enorme de passar pela mesma coisa que ela, porque Fívia simplesmente não tem me ajudado em nada. Tenho medo de ouvir críticas sendo que foi tudo mérito meu, e já que é assim, automaticamente tudo também fica sendo culpa minha. Parece que entender isso tornou as coisas mais leves. Às vezes ter feito terapia ajuda em algumas coisas. Agora eu só queria dormir pra acordar amanhã num horário razoável, cozinhar minha comida, lavar minhas roupas e escrever. Eu só queria descansar e fazer as coisas do jeito certo. Mas só de pensar nessa dissertação eu não consigo nem piscar. I'm a real live wire.
--









segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

"We have a mythology surrounding romantic love that says it’s a special, rare feeling, reserved for just a few people in your whole life. It says that love takes time to develop, and that the feelings you experience at the outset of a relationship are not love, but something else (“infatuation”, “a crush”, or my favorite, “twitterpation“ (see Bambi)). It also says that love is generally constant and reliable, and that falling in love is A MAJOR LIFE EVENT, about which SOMETHING MUST BE DONE!”

“Rare and reserved for just a few people in your whole life” – ever asked yourself why that is? We’re told “love” is a very important, very valuable word that should be used with extreme caution and frugality. If we felt this feeling for just anybody it wouldn’t be so special, right? So to increase it’s value (and price) we are made to believe love is a scarce resource, even more scarce than religionists want sex to be.
Sex and love are to be reserved for “The One” – the one who will make babies with you and pay your bills (or wash your dishes)… The One who will go to work for the machine and keep society divided into neat and tidy nuclear family units. In modern days, we’ve allowed for people to love and have sex with more than one person in a lifetime, but not too many more… you’re only allowed so many “mistakes” – break-ups and divorces – before you find the “real” One, the real love of your life.
So, the idea of love scarcity prevails. We are tricked into thinking the word “love” will lose it’s value and meaning if it’s shared too many times with too many people.
But love is just a feeling, and like all feelings it comes and goes for various people all the time. There’s no controlling it. There’s no stopping it. And there’s no shame in feeling it for as many people as you feel it for. (...)
I guess what being in love really means is temporarily seeing the divine in people, catching little glimpses of their perfection, momentarily being blinded by the light of their glory."

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Dawn

4:30 da manhã.

Deitada e acordada no escuro, no quarto do meu irmão. Sem camisa, só com a minha calcinha rosa choque. Pela janela entra cada vez mais luz. Os pássaros da manhã cantam: um rouxinol, conforme aprendi lendo Romeu e Julieta, e alguns outros que não sei o nome, cada um com seu canto particular e passível de distinção. O resto é silêncio, exceto pelo som do ventilador, que gira pra esquerda e pra direita balançando o lençol fininho e trazendo um frio que passa e volta, de acordo com o vento. Passo os dedos da mão esquerda pra cima e pra baixo na coluna de Yuri e penso que um dia eu vou lembrar desse momento e vou me arrepender. Um dia eu vou lembrar que estive deitada na cama com ele e vou pensar que não aproveitei o suficiente enquanto podia e amaldiçoar cada segundo em que segurei esse computador agora. Um dia eu vou lembrar de algo doce que Yuri fez e chorar sentindo sua falta. Penso em como ele é tão meigo e em como é bom sentir a pele das costas dele se arrepiando na medida que minha mão vai passando por ela. Um dia isso não vai acontecer mais e eu me antecedo na angústia, pois no futuro me fará falta. Tem sido assim, sempre assim. Eu sou uma pessoa nostálgica. Sempre sentindo vontade de voltar no tempo, sempre achando que quando tinha algo não aproveitei o suficiente. Olho pra ele e penso tantas vezes "meu príncipe, o que eu posso fazer pra sentir que aproveitei totalmente o tempo que passei com você?" sem jamais encontrar a resposta. Costumo me lembrar nesses momentos dos vídeos de filosofia dizendo que felicidade é um momento que você não deseja que acabe. Bem, se é assim, felicidade dói. Não a felicidade em si, mas a perspectiva de seu fim que deixa um gosto amargo na garganta. Esse momento é irrepetível. Yuri dorme como um anjo de short azul e eu escuto os pássaros cantando no escuro-cada-vez-mais-claro enquanto leio que Vênus é o único planeta que gira ao contrário. Mal posso esperar amanhecer pra gente ir pra praia. Mal posso esperar por um banho de mar. Vou lá fora e olho o céu, que está listrado de azul e rosa como nossas roupas. Semi nublado e fresco. Eu adoro o amanhecer.

5:10, os pássaros do amanhecer já não cantam. Agora só consigo ouvir os bem-te-vis.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

My heart is so heavy.

As tristezas do ano passado são como bolas de ferro acorrentadas ao meu corpo.

Eu quero tanto me sentir leve e me libertar de tudo o que aconteceu. Eu quero tanto que esse ano seja novo e diferente. Fresh. Mas eu me pego pensando nas mágoas o tempo todo. Recontando tudo na minha cabeça. "Aconteceu isso, isso e isso e tudo foi dando errado...". E a minha energia vai embora por causa desses pensamentos. I feel so stuck. Eu procuro por rituais pra enterrar o ano passado. Mas não encontro o que preciso. I need a brand new start. Meus antigos problemas parecem voltar over and over again. Eu preciso encontrar onde eles nascem. De que parte eles vem. Eu preciso saber o porque de tudo isso. Preciso de redenção, preciso perdoar. Preciso parar de enrolar. Preciso lavar tudo isso de dentro de mim. Jogar fora pra caber outras coisas dentro. Preciso agir de outra forma... Don't wanna be a mess anymore