segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Burning for you

Home in the valley
Home in the city
Home isn't pretty
Ain't no home for me
Home in the darkness
Home on the highway
Home isn't my way
Home I'll never be

Burn out the day
Burn out the night
I can't see no reason to put up a fight
I'm living for giving the devil his due

And I'm burning, I'm burning, I'm burning for you

Time is the essence
Time is the season
Time ain't no reason
Got no time to slow

Time everlasting
Time to play b-sides
Time ain't on my side
Time I'll never know

Burn out the day
Burn out the night
I'm not the one to tell you what's wrong or what's right
I've seen Suns that were freezing and lives that were through
Well I'm burning, I'm burning, I'm burning for you

A primeira vez que ouvi essa música eu tinha 18 anos, dia 4 de outubro, 10h. Estava deitada na cadeira da Tattoo Brasil, com o Marcelo fazendo a minha primeira tatuagem, minhas duas andorinhas no quadril. O riff dela ficou gravado na minha cabeça mas fiquei com vergonha de perguntar a ele que música era aquela. Então prestei bastante atenção e ele estava ouvindo a rádio "Kiss FM". Quando voltei pra casa procurei pela rádio e pela lista das músicas tocadas no horário em que eu estava fazendo a tatuagem. Por meses eu procurei, mas não ouvi nada da letra, só o riff, então era impossível procurar se não fosse pela lista das músicas na rádio e não tive sucesso nisso. A segunda vez que ouvi essa música, eu estava na casa de Yuri. Numa das primeiras vezes que ficamos juntos, eu estava mostrando pra ele várias músicas que eu gostava, de bandas variadas. Coloquei uma música do Blue Öyster Cult que amo, chamada Don't Fear the Reaper. A reprodução automática do Youtube dele puxou outra música: Burning For You. Quando ouvi aquele riff nem acreditei. 5 anos depois e a música simplesmente me aparece na cara, na mesma época (setembro-outubro). Eu sempre tive esperança de que quando eu parasse de procurar e esquecesse ela iria surgir, mas se passou tempo demais e eu já tinha desistido até mesmo disso. Até que. E hoje ela me reapareceu como sugestão aqui, ouvi várias vezes e gostei tanto da letra também. Hoje eu e Yuri nos sentamos nas cadeiras de rodinhas que ele tem no quarto, um de frente pro outro e conversamos besteiras e eu ri tanto. Ri das histórias dele e do jeito dele de falar e ele ria da cara que eu fazia reagindo as maluquices que ele tava dizendo. Ri até ficar sem ar, até a barriga doer. E quando a gente parava de rir pra se beijar ele fazia "pfffff" no meio do beijo e a gente começava a rir de novo. "E aí passou um ciclista, na verdade era um nóia de bicicleta" e só de escrever isso eu ri aqui mais uma vez. Certas coisas são bobas e simples e a gente não vê se não der importância. O pai dele o chamou pra o aniversário do irmão mais novo e ele resolveu ir e aí não pudemos mais dormir juntos como ele queria. Mas eu tava sorrindo ainda porque eu tinha rido demais. E ele me perguntou se eu tava triste. Eu disse que não, e você e ele disse tô, porque vamos nos separar. Mas isso também é importante. Sentir saudades, sentir a falta e escrever. Lembrar que a gente gosta de alguém enquanto a pessoa não está lá. Escrever os detalhezinhos que eu gosto de guardar do lado de fora da cabeça onde muitas vezes consigo acessar mais facilmente porque os fios não estão emaranhados como aqui dentro. 

[00:51, 29/11/2016] Yuri Leon ❤️: minha linda                        
[00:51, 29/11/2016] Yuri Leon ❤️: queria poder expressar o quanto eu gosto de vc

Meus ouvidos se deliciam com a forma que você muda a voz e o jeito de falar quando me diz palavras doces. Eu percebo que você fala de um jeito meio envergonhado porque é verdade, porque você tá abrindo seu coração e ficando vulnerável pra mim. Eu sei que quando é mentira é bem mais fácil de dizer. Sei disso porque sou exatamente desse jeito e você se parece tanto comigo em milhares de coisas. Como é bom te ouvir dizer que algo é uma delícia enquanto a gente transa ou quando eu compro alguma comida e dou um pedaço na sua boca e você diz que é "totalmente excelente", eu simplesmente deixo de comer mesmo com vontade ainda como eu fiz com o café mocha que tava tomando hoje. Porque é tão bom ver você satisfeito que isso não importa. É tão bom ouvir você dizendo "for the love of god, né gatinha?" ou falando grosserias de uma forma tão inocente que não me resta nenhuma resposta que não seja dizer que vou fazer um curso de cavalês com você. Ou quando você me pergunta se eu não acho bom acordar e ver você dormindo do meu lado. É quase natural como se você sempre tivesse estado ali. Foi tão bom quando você bebeu aquela única vez em dois meses juntos e você disse "eu posso não dizer muitas coisas, mas eu sinto muitas coisas". Sinto tanta gratidão por você na minha vida, meu lindo, meu ursíneo. Wish you were here dormindo na minha cama esperando eu acabar de escrever esse texto. Mas tudo bem. Amanhã tem mais...

Com a lua

Minha menstruação chegou sozinha e naturalmente como uma boa anjinha e amiga em 26 dias, mesmo eu tendo tomado a pílula do dia seguinte mês passado, e sendo a minha expectativa que atrasasse como atrasou por 2 meses enquanto eu tava com Nathan e tomando bombas hormonais por capricho dele. Falei pra Yuri que poderia passar um mês tomando anticoncepcional como presente de natal pra não ter que fazer coito interrompido e nem usar camisinha mas disse que como consequência disso eu teria alterações de humor como sempre tive enquanto tomava. Ele disse que se era assim eu não precisava fazer isso, que não fazia questão que eu fizesse algo que me faria mal. 
Fiquei menstruada dia 24 e desde então o sangue vem e vai quando quer. E com ele oscilam também minhas emoções. Nas madrugadas tenho sentido um amor profundo pela vida e existência e uma sensação de poder muito forte. Uma sensação de que posso conseguir tudo o quanto quero se eu tentar o suficiente. Se eu me esforçar e tiver um foco e me manter firme. Sinto gratidão pela minha vida, pelas pessoas que amo, muita vontade de dar amor e um desejo muito forte de viver e conhecer coisas novas, e também de retornar à coisas antigas. Quando eu tinha 12 anos meu pai comprou um livro wicca pra mim na banca de revista que ele costumava frequentar enquanto esperava a hora de me buscar na escola. Eu sempre gostei muito de ler e ficar sozinha e meu pai gostava disso e incentivava me dando sempre revistas (por um acaso, ele teve a ideia de me dar a revista Wicca também) e livros, geralmente sobre ciência, só que pra crianças. Esse livro era sobre elementais e ele viu que gostei e continuou comprando pra mim muitos exemplares ao longo dos anos. E eu passei o começo da minha adolescência lendo livros sobre magia, paganismo, praticando rituais e como as ilustrações dos livros eram pinturas barrocas/medievais maravilhosas, eu ficava tentando desenhá-las também. Estive pensando num presente pra Vitória. Num presente que seja ao mesmo tempo simbólico e mágico e tive boas ideias. Isso me fez sentir saudades de acreditar em algo. E se tem algo que pra mim é plausível, são as crenças pagãs. Os deuses da Natureza. Se há uma espiritualidade em mim, ela é pagã, xamãnica. É mais antiga que o cristianismo e sacraliza a vida, a morte, os processos naturais. E eu sinto agora uma vontade forte de voltar pra elas. Não sei como meus hormônios estão agindo na minha cabeça. Estou muito sensível e as vezes com um medo enorme de falhar e de ser, outras vezes tão forte, mas aceitando as ondas como fazendo parte do que sou e tentando perder o medo de enlouquecer, a paranoia, entender que a tristeza faz parte do meu dia a dia. De certa forma sinto que encontro o que faz parte de mim e o que veio a mim por um acaso e que parece tanto orquestrado, arquitetado. Uma vontade de estudar e entender tudo e também de guardar meu espírito e minhas emoções no calor das crenças antigas e voltar a praticar e ver sentido. Não sei como vou ser sempre mas sei que agora é disso que preciso. Exercer minha natureza e entrar em conformidade com a natureza do Mundo.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

I asked for it, but...

[23:33, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Mas seja meu espelho da vileza                        
[23:33, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Diga tudo de ruim que vc pensa de mim                        
[23:33, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Cuspa na minha cara                        
[23:33, 21/11/2016] Guilherme: Como eu faço isso?                        
[23:34, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Não aguento mais as pessoas fingindo que eu sou maravilhosa                        
[23:34, 21/11/2016] Guilherme: Aahh                        
[23:34, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Quero ser chutada igual cachorro velho                        
[23:34, 21/11/2016] Guilherme: Kkkkkk                        
[23:34, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Não aguento mais esse mundo de falsidade                        
[23:34, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: De facada nas costas veneno etc                        
[23:34, 21/11/2016] Guilherme: Isso seria tao melhor pessoalmente                        
[23:34, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Então só começa                        
[23:34, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: KKKKKKK                        
[23:35, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Da um gostineo                        
[23:35, 21/11/2016] Guilherme: Deixa eu pensar como dizer                        
[23:39, 21/11/2016] Guilherme: Hum...eu tenho asco de vc kkkk
brincadeira.

Vc se acha demais, tu cresceu num ambiente de mt conforto material e isso estragou parte de vc, tipo, a sua postura é as vezes é como se o mundo te devesse algo ou como vc se diz ''superior'' as pessoas tem q ta ali pra te agradar. Acho q mt vezes qnd alguém n te dá mt atenção ou n te percebe, vc já n gosta da pessoa.                        
[23:40, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: ASCO                        
[23:40, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: KKKKKKKK                        
[23:40, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Hummmm                        
[23:42, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Isso é o mais suave?                        
[23:42, 21/11/2016] Guilherme: Tu reclama mt a toa tbm, no minimo de desconforto vc ja diz q ta cansada q n aguenta, q a vida É difícil demais, sendo a maioria das coisas pra vc é bem fácil. ( maioria n é tudo, n digo q vc tem problema)                        
[23:42, 21/11/2016] Guilherme: Nao é o suave, é o normal                        
[23:42, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Kkkkk                        
[23:42, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Pq vc disse que queria falar pessoalmente                        
[23:43, 21/11/2016] Guilherme: Seria mais divertido pessoalmente, acho os pensamentos viriam mais fluídos                        
[23:43, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Ah sim                        
[23:43, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: O que mais migo?                        
[23:43, 21/11/2016] Guilherme: Melhor ainda seria bebado q a carga emocional seria mais forte                        
[23:46, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Kkkkkkkkkk                        
[23:47, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Tá bom migo                        
[23:47, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Obrigada                        
[23:50, 21/11/2016] Guilherme: Vc n se esforço o suficiente na maior parte do tempo e qnd começa ja quer logo parar, aí tipo tem.vez q eu penso ''aah vá se fuder, tu só tinha isso pra fazer e ainda ta chorando'' tipo sua aula, passou um tempao falando q tinha q fazer, tava ocupada e tal, tal. Pra no final aprontar em cima da hora. Isso pq tua pesquisa tu nem.começou, ja devia ta tentando adiantar isso faz tempo, mas tu ta fugindo disso atualmente.

As vezes vc se coloca como mt superior e acaba rejeitando mt do q vc n concorda a princípio aí tenta menosprezar a pessoa. Ex: Rafael kkkk

tipo eu acho vc bem inteligente, tem um raciocínio bom e adoro conversar com vc, mas tu é mt mimada kkkk                        
[23:50, 21/11/2016] Guilherme: Sim, queria saber sua historia com Vannis se possível                        
[23:50, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Rafael eu tenho motivos pra ter nojo                        
[23:51, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Hehe                        
[23:51, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Ele veio dar em cima de mim de novo                        
[23:51, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Falar que sonhou pornografia comigo                        
[23:51, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Se der um dedo ele quer o braço                        
[23:51, 21/11/2016] Guilherme: Kkkkk                        
[23:53, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: eu nem quero mais fazer esse mestrado na real                        
[23:53, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: mas não posso voltar atrás                        
[23:53, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: e se não for isso não sei do que trabalhar                        
[23:54, 21/11/2016] Guilherme: Pessoalmente vc conta                        
[23:56, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: tá bom migo                        
[23:56, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: boa noite                        
[23:56, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: :**                        
[23:56, 21/11/2016] Guilherme: Vc n quer pq ??
Mas tipo vc recebe dinheiro do governo pra isso, recebe mais q a maioria da população ( e essa galera trabalha 8 horas por dia e paga tua bolsa tbm). Agora q vc entrou tem a obrigaçao de fazer um trabalho                        
[23:57, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: sim, por isso eu tenho que trabalhar                        
[23:57, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: mas desde que lulu morreu eu perdi a vontade                        
[23:57, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: só que eu fui paga todos esses meses                        
[23:57, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: se eu desistir vou ter que devolver o dinheiro a capes e n tenho de onde tirar pra pagar                        
[23:57, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: cnpq*

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É impressionante como os homens tem dificuldade de ser empáticos. Eu tenho observado isso com todos os homens ao meu redor. Gui, Rafael, até mesmo Yuri, que é um anjo, tem uma dificuldade imensa de se colocar no meu lugar. 

É migo, dessa vez você errou feio. 
Eu não cresci com muito conforto material. Pelo contrário. Eu fui a filha não planejada dos meus pais. O meu pai era professor na UF desde que minha mãe veio com ele pra Natal. E ser professor na UF em tempos antigos não era algo bom. Quando nasci, no governo FHC, os salários de professor estavam congelados e ficaram por anos, até que o PT subisse ao poder e resolvesse investir em educação pública. Tanto é que minha família e a de muitos outros professores ainda está por receber uma indenização pelo tempo em que a inflação galopou e os salários ficaram parados. Quando minha mãe engravidou de mim, o meu pai xingou ela. Disse que ela era uma porca parideira por engravidar à toa, dentre outras coisas. Sei disso porque encontrei o diário da minha mãe embaixo da cama quando era criança, e foi aí que nunca mais o perdoei. Quando soube que ele não queria que eu tivesse nascido. Quando eu era pequena, eu herdava minhas roupinhas dos primos que eram um pouco mais velhos que eu. Os meus irmãos eram constrangidos na escola porque sempre atrasava a mensalidade (mas fez questão de mantê-los no CEI por muito tempo). Ele fazia empréstimo pra fazer feira no supermercado. Eu sempre pedia pro papai Noel uma piscina de enterrar no chão (de azulejo) e sempre ganhava daquelas pequenininhas de plástico. Mas como eu era inocente, não ligava, nem entendia. A minha casa era a mais feia e pobre quando comparada à dos meus amigos, e eu só ganhei um quarto com 18 anos. Durante 18 anos da minha vida, eu dormi com meus pais, sem espaço nem privacidade nenhuma. Quando eu era pequena e ficava doente (costumava ter infecção urinária), minha mãe não me levava ao médico, dizia simplesmente pra eu tomar muita água e esperar. Depois ela me disse que era porque consulta era caro demais. Eu podia ter ficado com sequelas, e talvez até fiquei, dado os problemas que tenho hoje com isso. Minha mãe fumou a minha gravidez inteira, e eu também tive sorte de sair ilesa. O meu pai andou de fusca até 2007, ano que ele comprou um outro carro finalmente. Eu tinha 13 anos e já chamava atenção de todo mundo eu não ter um carro "normal". Pra adolescente esse tipo de bosta é muito importante. Eu ODEIO fuscas, porque esse carro quebrava praticamente toda noite. Às vezes quando meu pai ia me buscar na escola de noite, ele mandava eu ir sentada no banco de trás atrás dele, porque os freios do carro estavam quebrados e ele não tinha dinheiro pra consertar. Tantas vezes ficamos na UFRN de noite porque o carro quebrou, esperando alguém vir nos socorrer.  Eu morria de medo porque sabia que tinha corpos no CB e achava que eles iriam se levantar e vir pegar a gente. O carro tinha um buraco que dava pra ver o chão quando ele andava. Ele fedia e era desconfortável, barulhento, os cintos eram quebrados. Mas o meu pai trabalhava o dia inteiro pra ter pelo menos isso. Ele ia pra universidade de manhã e só voltava à noite, eu mal o via. Mas na quinta ele já passava a ficar em casa, e era meu pesadelo. Porque era o dia que ele começava a beber pra parar só domingo. Domingo era um dia bom porque ele tava de ressaca e dormia o dia todo e não incomodava ninguém. Ele já se achava o dono do mundo. Mas quando bebia, tinha certeza. Infinitas vezes ele se comparou à Deus e à Jesus. Sempre humilhava a gente e dizia que essa era a casa dele e que estava fazendo um favor pra todos nós. Batia na minha mãe, jogava o café nela se achasse que tava ruim. Cortava ela, humilhava ela. E quando eu o enfrentava, ela ficava atrás dele com o dedo na frente da boca e fazendo uma cara de medo. Pedindo silenciosamente "Por favor, fique calada". E assim eu aprendi, e muito bem. Aprendi a baixar minha cabeça, aprendi que minha opinião não vale, aprendi que eu não valho. Aprendi que eu sou um verme, que eu sou a ralé, que eu sou inferior. Eu tinha uma desconfiança tão absurda do meu pai, que se ele voltasse pra casa por um caminho diferente, eu já achava que ele iria me abandonar em algum lugar estranho e voltar pra casa sem mim. Achava que ele iria me descartar assim, e minha mãe não faria nada pq era submissa a ele. Porque ela tinha medo dele, porque ela precisava dele. Porque ela nunca tentou compensar ou dar suporte pra mim. Pelo contrário, ela muitas vezes deu a entender que era minha culpa o fato de ela nunca ter deixado ele. Como se o meu nascimento fosse a sua condenação. Se teve algo que a minha vida não foi, foi FÁCIL. Eu tinha uma fobia de gente tão grande que eu passava mal quando vinha alguém aqui em casa. Eu tinha dores de estômago antes de ir pra escola, vomitava, ficava nervosa. Meus pais levaram no médico e descobriram que não era doença, então imediatamente era "frescura". Eles nunca se perguntaram nem por um minuto se eles não tinham cagado completamente o meu psicológico com tudo que me fizeram. Perdi as contas das vezes que meu pai batia na minha mãe e eu pegava a bíblia e relia "Bem aventurados os que choram, pois a eles pertence o reino de Deus", enquanto chorava. Mas eu nunca fui bem-aventurada, rezei tanto pra sair dessa casa, pra um deus que nunca ouviu as minhas preces ou nunca sentiu a menor compaixão por mim. E por muito tempo eu levei tudo isso muito a sério. A opinião deles sobre mim. É por isso que você se engana. Eu DETESTO ser o centro das atenções. Nunca fiz questão que ninguém gostasse de mim, com exceção, talvez das minhas amigas. Nunca fiz questão de ser percebida ou reparada. Se eu fizesse questão disso, eu não andaria com Vitória, porque ela claramente chama muito mais atenção, é mais simpática, mais bonita etc. Encontraria alguém que eu achasse inferior pra me destacar. Mas eu não preciso disso, não preciso da aprovação de ninguém, nem da sua. Não preciso impressionar ninguém, nem você. Eu já me impressiono comigo e isso talvez te incomode. Homens são assim mesmo. Mas ninguém vai me dar o valor que eu sei que tenho. Muito menos você. Eu aprendi a não esperar por isso, como um cachorro. Só eu sei do que passei, e só eu sei porque eu tô do jeito que tô. Desmotivada e procurando prazer. Eu mal consigo apagar a luz pra dormir. Quando durmo, sonho com os mortos. Tenho pesadelos. Choro antes de dormir, tenho pensamentos intrusivos, arrependimentos. Tenho medo e não encontro um remédio pra ele. Isso somado ao fato de que eu tenho medo de ser exposta. Medo do julgamento dos outros, medo que alguém confirme tudo o que meu pai disse sobre mim. Você foi altamente leviano e sem consideração. Eu sinceramente esperava muito mais de você. Que você dissesse algo que incomoda os outros que eu faço ao invés de me criticar sem sequer saber da minha vida. Ser pobre não te faz melhor que eu. E se eu ganho dinheiro do governo é porque estudei pra chegar onde tô. E ainda mais usando Rafael como exemplo. Eu tenho nojo da necessidade de Rafael de viver num palco. Tudo que ele faz é pra conseguir atenção dos outros, inclusive trabalhar muito como ele trabalha. Ele estuda muito só pra mostrar pros outros. Pra ter aprovação e admiração e se fazer crer que é alguma coisa. Ele é extremamente machista e abusivo. Ele ficou puto comigo porque eu não quis dar pra ele e me chamou de um monte de coisas. Chegou a dizer que eu era louca, entre outras coisas que não lembro mas que poderia tentar recuperar se você quisesse. Desculpe se sou má com babacas, com pessoas abusivas, egocêntricas e autocentradas, narcisistas e completamente doentes. Desculpe se eu fraquejo e sinto medo e tento compartilhar com você. Já aprendi que é um erro. Não vai se repetir. 

domingo, 20 de novembro de 2016

Train of thoughts

[breve desabafo] 3:52

Muito louca de café e fazendo o power point da aula -  muitas coisas de última hora. Uma lição de vida talvez. Mãe viajou = sem almoço, sem café, tendo que arrumar a casa, lavar a louça, fazer a comida, aguar as plantas + preparar aula. Nervosa, quase botando um ovo. Muita coisa pra fazer e descontando na comida, cigarro e sem dormir, engordando. Cruzes! Vida adulta difícil, pensando nos dias de vida fácil que tive e não aproveitei o suficiente. Às vezes lembro também de Luccas e como desperdicei minhas férias do mestrado com ele, investindo nele, pra ele só me dar raiva. Queria ter conhecido Yuri antes. Será que vou conseguir fazer tudo? Parece um desafio tão imenso fazer esses slides e em poucas horas entregar pra Fívia olhar quando nem mesmo finalizei o roteiro. MELDELS

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Natal, 16 de novembro de 2015

À COMISSÃO DO PROCESSO SELETIVO DO MESTRADO EM PSICOBIOLOGIA

Prezada Comissão,

Ao cumprimentá-los, venho por meio deste documento demonstrar o meu interesse em participar do Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia, a nível de mestrado, oferecido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Inicialmente, farei um breve histórico da minha formação acadêmica.
Concluo minha graduação em Psicologia na UFRN no semestre 2015.2. Meu primeiro contato com a Psicobiologia ocorreu no semestre de 2012.1, ocasião na qual cursei a disciplina de Evolução do Comportamento Humano, ministrada pela professora Fívia de Araújo Lopes. Nesse momento me deslumbrei, em primeiro lugar, por existir uma possibilidade de estabelecer uma ponte entre os conhecimentos dos cursos de Biologia e Psicologia, os dois cursos para os quais eu desejava prestar vestibular (mas acabei por escolher o segundo), e por constatar que a teoria de Darwin, autor cuja biografia li no segundo ano do ensino médio e que muito admirava, poderia ser aplicada aos estudos do comportamento humano através da Psicologia Evolucionista. Em segundo lugar, porque fiquei impressionada com as aulas e metodologia da professora Fívia, e inspirada pelo seu carisma e competência, desejei um dia seguir seus passos, dando continuidade na produção e divulgação dos conhecimentos que eu estava aprendendo ali.
Durante este mesmo semestre, passei a frequentar as reuniões da base de pesquisa das professoras Fívia e Maria Emília Yamamoto, as quais continuo a ir atualmente. Nestas reuniões, apresentei alguns artigos previamente selecionados pelas professoras, e me engajei no projeto da então aluna de mestrado, hoje doutora Anthonieta Looman, pelo qual me tornei bolsista de Iniciação Científica em agosto de 2013. O projeto era intitulado “A influência do contexto na autopercepção como parceiro romântico e na escolha de parceiros românticos”, e nele pude aprender principalmente sobre comportamento reprodutivo em seres humanos, mais especificamente seleção de parceiros, contribuindo com o projeto nas coletas, tabulações e escrevendo relatórios parciais e finais e apresentando banners nos Congressos de Iniciação Científica e Tecnológica anuais da UFRN. Em 2012 também participei do Simpósio de Psicobiologia com o poster “A autoestima exerce influência no investimento em beleza?” que foi premiado pela organização do evento com o livro de Comportamento animal organizado por Yamamoto e Volpato. 
Colaborei também na coleta e tabulação do projeto de mestrado “Expectativas reprodutivas de pais e filhos”, e no projeto de TCC de um colega sobre ciúmes. Em 2014, participei do 26th Human Behavior and Evolution Society (HBES) Conference como monitora, tive oportunidade de assistir palestras de pesquisadores internacionais e apresentar meu banner "Partners for sale: an evaluation of mating market using loving ads” para John Tooby, pesquisador que contribuiu para a criação e desenvolvimento do campo da Psicologia Evolucionista e cujos elogios também muito me motivaram para a escolha do mestrado na área.
Tenho intenção de fazer mestrado neste programa especificamente por sua excelência reconhecida pela CAPES, alcançando o conceito 6, pelo corpo docente igualmente excelente que tive a oportunidade de conhecer em parte, cursando as optativas de Cronobiologia e Comportamento Animal, e para seguir sendo orientada pela professora Fívia, que tem me dado suporte constante em todas as minhas atividades, inclusive em projetos (como o relatório de estágio) não relacionados necessariamente com a Iniciação Científica, oferecido oportunidades e me ensinado pacientemente sempre que necessitei. Gostaria de contribuir com o desenvolvimento e expansão de conhecimentos na área de Estudos do Comportamento, e utilizar os conhecimentos e experiências adquiridas para um futuro processo de Doutorado e investimento na carreira acadêmica como docente. 

Agradeço a atenção,

Amanda Toledo Pereira de Carvalho.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

16/11

01:47. Iggy Pop - The passenger. Em casa. Acabo de observar que tenho passado cada vez menos tempo na minha própria companhia. Quando fico aqui, abro o facebook compulsivamente procurando algo. Qualquer coisa pra me distrair, qualquer coisa. Mas me distrair do quê?

Dia 14, festival Dosol. Encontrei Lauro. Última vez que nos vimos, semana em que Lulu morreu. Ele me fez uma pergunta que eu não soube responder pela segunda vez (a outra vez, mês passado). E aí, como você tá? De verdade, eu sei que você quer realmente saber então preciso pensar pra te responder. Como eu tô? Eu disse: não sei. Não sei. Daqui a pouco tempo mais um ano terá se passado. E dessa vez eu senti o peso do tempo de verdade. Então como eu tô? Eu também quero saber.

Quanto mais difícil fica, mais eu sei que preciso seguir em frente com esse texto. E tantas vezes eu já pensei "amanhã eu continuo". Eu comecei esse texto mesmo ontem (15). E fico fugindo, fugindo. Eu só preciso vomitar aqui de qualquer jeito. Vomitar aqui no auge da minha solidão. Eu tenho me sentido tão absolutamente sozinha, mesmo rodeada de pessoas boas. Sempre convivendo com pessoas amáveis e carinhosas como as minhas amigas e o meu namorado, e ocasionalmente os meus colegas de mestrado, a minha família (que de amável e carinhosa não tem nada, mas são companhia, certo?) e eu me sinto ainda só. Às vezes por causa do meu posicionamento cético sobre espiritualidade e misticismos que não encontra correspondência entre minhas amigas, outras vezes por sentir que eu não posso ser sincera de verdade sobre minhas feridas ou que elas são de pouco interesse alheio, outras vezes com uma sensação de que o mundo é uma peça e eu me sinto observando tão claramente as pessoas interpretando seus papéis, ou observando tão claramente suas necessidades que se escondem por trás de cada comportamento. Vejo algumas pessoas ingenuamente tentando roubar a cena ou querendo se sentir mais importantes do que realmente são ou tentando se valorizar tanto ou sendo tão vaidosas e isso me deixa dizzy. E olhando sempre sem dizer nada. O silêncio às vezes parece tão caro e eu sinto vontade de agredir mesmo. Eu me sinto má. Parece que ninguém se importa. Ninguém quer fazer costly punishing (punição altruísta) com aquela pessoa inconveniente que incomoda todo o grupo. E eu não faço, mas isso me faz sentir que estou engolindo algo enquanto todo mundo parece não ligar e eu me sinto tão diferente dos outros. Eu me sinto vil, venenosa. Eu me sinto mal por querer dizer a verdade e de preferência da forma mais escrota. Mas ao mesmo tempo eu sinto que gostaria que me dissessem a verdade. Eu gostaria que alguém chegasse pra mim e me dissesse tudo que eu acho que sou. Queria que alguém dissesse que eu sou uma gorda escrota, que sou preguiçosa, arrogante ou o que quer que pensassem verdadeiramente de mim. A pior coisa é levar passada de mão na cabeça e continuar cometendo os mesmos erros. Eu quero crescer e isso é importante pra caralho pra mim. Eu quero crescer apanhando igual massa de pão, igual o pão que o diabo amassou. Eu quero virar gente, porra. Eu quero virar gente nesse mundo escroto cheio de criança de 30, 40, 50, 60 anos. Eu quero ter maturidade. Talvez por saber que é isso o que mais me diferencia de todo mundo ao redor. A maturidade e a coragem. Mas isso só fecha o ciclo. Cada vez mais madura e mais só. Me atrevendo a acreditar que o mundo não passa daquilo que se mostra ser. Que não tem nada por trás. E nesse mundo sem continuidade, sem eternidade, sem volta, sem reencarnação, sem espríto, sem entidades, que valor tem ser melhor do que no dia anterior toda vez que acorda? Num planeta com data marcada pro fim, numa vida em contagem regressiva, que num belo dia se esvai simplesmente e foda-se a forma que você viveu, pra que eu quero isso? Se eu não consigo sequer mensurar quanto tempo dura o instante, se eu consigo ver que eles simplesmente vão embora e são irresgatáveis, que são efêmeros, que não são palpáveis - por que viver da melhor forma possível? Por que querer chegar em algum ponto? Não sei. Não entendo. Só sei que preciso ser assim. Só sei que tenho objetivo no meio do niilismo. Será que é isso que tem me deixado paralisada, irresponsável e preguiçosa? Me falta sentido pra querer acordar amanhã sendo alguém. Me falta sentido pra não ficar só com os prazeres imediatos e esquecer de todo o resto, e deixar as projeções do futuro de lado. Me falta algo, e eu sinto. Talvez algo que foi destruído esse ano, e que eu não sei se jamais conseguirei recuperar. 

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

02:05 da madrugada.

Escutando When the Levee Breaks (eu realmente adoro essa música) enquanto faço carinho em uma das pernas de Yuri que está ao alcance da minha mão. Sentada na cadeira com o meu computador. Ele dorme no quarto totalmente escuro. Penso se a luz azul do meu notebook atrapalha o sono dele (aprendi nas aulas de cronobiologia) e me viro de forma que a tela fique na direção oposta ao seu rosto. Agora isso me fez lembrar de como eu colocava o ar condicionado mais quente pra príncipe Lulu não sentir frio, mesmo que eu acabasse ficando com calor, e de como eu até lia no escuro pra não atrapalhar o sono dele com as luzes do quarto. Talvez faça falta ter alguém pra cuidar. Será que é por isso que eu gosto de passar tanto tempo com Yuri? Hoje ele me perguntou "por que você é tão linda e felizinha como um cachorrinho?", haha. E eu já tinha pensado antes que ele também é como um cachorrinho, tão carente de atenção e aprovação. Ele é tão simples e inocente. Enquanto ele dorme despreocupadamente, analiso mentalmente nossa relação. Eu sempre preciso mergulhar um pouco mais fundo do que o normal...
Não me lembro se algum dia tive uma relação tão saudável. Yuri sempre faz o que espero, às vezes até mais. Ele não joga. Não se faz de difícil. É tão sincero, honesto, um livro aberto. Eu nunca tenho dúvidas de que ele gosta de mim, nem sinto medo de perdê-lo ou desconfio que ele esteja fazendo algo que eu não gostaria que fizesse. Ele nunca se irrita ou perde a paciência. Nunca fica com raiva, só com ciúmes. Ele também não gosta de azeitona e também sempre senta com as duas pernas cruzadas em cima da cadeira. Ele se apaixona pelas minhas músicas preferidas e eu fico viciada nas dele. Ele se oferece pra fazer chapinha na parte de trás do meu cabelo quando tô me arrumando, abre a porta do carro pra mim antes de entrar. Ele diz que é proibido brigar e sempre tenta consertar quando erra ao invés de tentar me convencer de que está certo. Eu me pego tantas vezes me perguntando o que fiz pra merecer alguém como ele, ou quando tudo vai começar a dar errado. Eu sei que ter acontecido tantas coisas ruins comigo de uma vez só não passou de um produto da aleatoriedade do universo, e bem sei que Yuri não é uma compensação por tudo isso. Eu sei que ter sofrido tanto não me fez merecer nada e poderia sempre piorar. Não importa o quanto eu goste dele, não posso controlar o futuro. Mas por mim eu pararia por aqui. Já sinto que conheci o que tinha de conhecer, e isso não me faz sentir nenhum pesar. Eu bem passaria o resto da minha vida olhando pra esse rostinho lindo...

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Alienação

21:42, deitada na cama

"Alienação tem sua origem no termo 'alienus', que vem do latim. Significa estranho, forasteiro, averso, pertencente a outro. (...) A alienação é uma condição de perda de identidade, quando uma pessoa é privada de algo que lhe é próprio."

Tive tantas reflexões hoje. Tantas coisas sobre as quais eu gostaria de escrever. Sinto que o exoesqueleto se rompe, me sinto abençoada com o dom da observação. I feel like i can see right through everyone. Mas não posso escrever, porque estou numa condição alienante. Numa condição de trabalho que me deixa esgotada, suga, não deixa refletir, ecoar, amadurecer, conectar. Cansada, cansada e com saudades de mim mesma. Louca pra escrever, lembrar, filosofar, livre-pensar, conversar, não sentir essa creeping pressa que eu sinto o tempo todo, esse sentido de urgência, a angústia pela necessidade de correr mas só dispor de pernas cansadas. Desejante pela hora de ser. E cada vez mais consciente da impossibilidade pra mim de viver uma vida em que não há o tempo dos nadas. 

domingo, 6 de novembro de 2016

6/11, 4:27

Escrever tem se tornado mais difícil à medida que meu coração endurece. Eu já não tenho a mesma sensibilidade de antes, pra absolutamente nada dentre as coisas que amo. Antes eu podia fechar os olhos e pausar instantes. Eu podia sentir o sol sem pressa, eu estava sempre de olho nas nuvens coloridas ao entardecer. Hoje eu me senti um pouco como nesses tempos quando voltava pra casa de Yuri a pé, no caminho o pôr do sol atrás do Carrefour, os raios de sol contra a poeira fazendo parecer um filtro de filme francês, o vento forte sacudindo a copa das árvores, o silêncio tranquilo das ruas vazias. Me sentei num batente e Yuri ficou em pé, os cabelos loiro acinzentados fazendo contraste e sendo contornados pelo azul do céu. Eu me lembro perfeitamente do seu sorriso e de como ele contava que caiu de boca na BR. 

Agora eu escrevo no seu computador.
Você dorme, atrás de mim, silencioso como um anjo de cachinhos dourados fugido de um quadro renascentista. Eu te coloquei pra dormir acariciando seus ombros e costas e você me deu a outra mão pra segurar. Fiz isso por muito tempo mesmo depois de você ter adormecido. Senti cada pedacinho de encontro das nossas peles macias e lisinhas. Eu queria ter feito isso antes, meu lindo. 

Reli a conversa que encontrei ontem no seu facebook, em que você vai atrás de uma menina de 15 anos, dar agressivamente em cima dela. Enquanto estava comigo. Em que você elogia o corpo dela, dizendo que estava "secando" ela de cima do palco no Metal Jam, no mesmo dia em que eu fui te ver tocar guitarra e cantar. No mesmo dia que eu senti tanto orgulho de você, que te olhei com tanta admiração, que não tirei os olhos de você nem por um segundo pra você sentir que eu me importava tanto. Pra você saber que era valioso pra mim estar ali na primeira vez que você tocou num palco. Enquanto você trocava olhares com uma criança...
Releio a conversa em que você marca de encontrá-la na cientec justo no dia em que eu disse que não poderia ir e você tinha me dito que não iria sem mim, pra mais tarde mudar de ideia. E eu sabia que tinha algo de estranho nisso, sim, eu senti... releio você pedindo desculpas a ela por estar namorando.
Ah meu anjo, por quê? Por que você precisava ter feito isso comigo?

A gente tinha um acordo de exclusividade desde o início. Como eu posso acreditar em você quando você me diz que não ficou com ela? I should've known better... e você me diz que não tinha certeza se eu era fiel, se eu gostava de você. E daí? Eu também não e nunca faria isso com você. 
Eu te dei tudo que tinha, pelo menos tudo que restou pra oferecer depois que me destruíram. E eu não poderia ter feito nada diferente, nada melhor. Não podia ter te dado mais carinho ou segurança. Porque eu já estava fazendo o meu melhor... não era o suficiente pra você? Eu disse tantas vezes pra todo mundo que você era perfeito. E eu realmente acreditava nisso. Nunca precisei mentir nem aumentar nada pra te enaltecer. Você sempre foi tão lindo e amável. Eu nunca precisei inventar nada pra mim mesma nem pros outros. Não precisei colocar silver line in the clouds... 

How could ya baby, to ruin something so precious? Como eu posso acreditar em você e seguir em frente? You were my hero, my prince charming, my savior, my angel... eu gosto tanto de você. Não posso te deixar agora. Eu também não imagino mais a minha vida sem você. Eu também vejo que somos parecidos demais. Que temos a mesma essência...

Eu queria ter aproveitado mais antes, cada segundo meu de ingenuidade em que você era absolutamente celestial e sagrado. Queria ter contemplado você melhor, queria ter te ouvido com a cabeça vazia, queria ter te abraçado mais. Eu nunca mais vou poder voltar pra aquele tempo. A ideia que eu tinha de você se estilhaçou e não volta mais...

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Guilt & Evolution

Reflexões existenciais de um primata consciente.

Às vezes eu invejo minha criatividade e disposição no começo desse ano, de quando eu criei esse título.

Ultimamente eu tenho me sentido muito culpada. Na verdade, não ultimamente. Acho que durante a minha vida toda eu tenho me sentido culpada pelas minhas prioridades. Eu sempre me senti menos produtiva que os outros. Shallow, fútil, imediatista, indisciplinada e sem força de vontade. 

A teoria da evolução é como uma religião pra mim. Não como uma doutrina que me dá respostas prontas e inquestionáveis, mas porque é à teoria da evolução que recorro pra explicar os fenômenos do meu dia-a-dia: a minha existência como ser humano, as minhas relações com os outros. É o que me me mostra os nós que entrelaçam os fios do que aparentemente a princípio é mera coincidência. É a minha forma de compreender a vida.

Eu usei as coisas ruins que passei nesse ano como escudo pra me eximir das minhas responsabilidades, pra explicar porque eu tenho sido tão preguiçosa e descomprometida academicamente. Só que a verdade é que eu sou muito forte e quase indestrutível por dentro. A verdade é que mesmo com tudo que passei, eu estou inteira. Não ilesa, mas sim full of scars que abrem de vez em quando e eu ainda choro, ainda sofro. Então por que isso?
Por que eu só quero passar o tempo todo com Yuri, mesmo quando eu sei que isso vai prejudicar os prazos que tenho a cumprir? Por que não consigo me importar com o simpósio, por que tantas vezes eu cheguei atrasada nas aulas pra dar atenção pros meus amigos, ou porque passei tempo demais me arrumando? Por que eu tenho colocado estar com meus amigos/namorado acima de tudo? 

Imagina um ancestral hominídeo sentado numa cadeirinha, entre quatro paredes, com o sol entrando só por uma brecha (janela). Com um pedaço de papel onde estão escritas palavras que sequer são no seu idioma, sobre um assunto que não lhe trará nenhum benefício prático, enquanto lá fora passam a luz do sol, a natureza, oportunidades de acasalamento, socialização e satisfação de necessidades pras quais possuímos uma parte do cérebro especializada (hipotálamo) em buscar. Enquanto lá fora passa tudo que ele aprecia fazer, ele dá seu tempo (o recurso mais precioso que qualquer animal tem) como um trade-off, pra que no futuro ele talvez tenha benefícios em sobrevivência e reprodução. É difícil pra um hominídeo entender a relação entre ler um texto chato pra apresentar e o aumento do seu fitness daqui a 10 anos. E por que seria diferente pra mim? Por que eu não iria querer fazer o que eu nasci pra apreciar fazer, e ao invés disso eu deveria com prazer me engajar numa atividade contraintuitiva e antinatural? Esse é o trabalho que eu mais gosto de fazer, certamente. Mas só enquanto ele aumenta meu fitness imediatamente - quando conto descobertas pros meus amigos, quando uso o conteúdo que aprendi em papo de bar, quando ele me proporciona conviver com pessoas que gosto, formar alianças, quando me dá status social e aumenta meu valor de mercado. Só que pra gente entender tem que ser na hora e muitas vezes os outros estímulos, mais imediatos, acabam sufocando aqueles de longo prazo. Foi assim que eu cheguei onde cheguei, que deixei tudo acumular, que tô deixando a ansiedade tomar conta de mim. Mas eu simplesmente tive esse estalo, tive esse estalo agora e entendi. Achei na evolução mais uma vez uma explicação pra tudo.

Eu sou tão feliz por ter encontrado a área de conhecimento que é o lar do meu espírito. Preciso lembrar disso mais vezes.