terça-feira, 28 de junho de 2016

Flossing

Antes eu escrevia textos coerentes. Eu nunca gostei de chamar de "texto". Eu queria um nome pro estilo, tipo "crônica", "conto, "sei lá o quê". Mas acho que não tem um nome pra o estilo ~breve desabafo organizado sobre a vida real~. Em algum momento acho que desisti e meu blog acabou se tornando um diário no qual eu não escrevo todos os dias. Ou seja, tudo bagunçado de uma forma ou de outra, haha. 

Eu não costumo ter "tempo" pra usar fio dental. É engraçado como eu não sei o que eu faço com a maior parte do meu tempo, só sei que no final do dia sempre falta um pouco. Essa é a minha desculpa pra dormir sem escovar os dentes e usar fio dental uma vez por mês ou menos. Todas as cáries que eu já tive na vida foi porque eu não uso fio dental, e nunca por outra razão. Então hoje eu passei fio dental em todos os dentes, talvez porque eu precise estudar centenas de páginas de estatística e quando eu fico nervosa com algo muito difícil ou grandioso que preciso fazer eu começo a arrumar tempo pra todas as pequenas coisas que eu deveria fazer sempre e enrolo todas as vezes.

Quando eu tava passando fio dental, observei que em um dos meus dentes incisivos de cima a minha gengiva começou a morrer. Eu percebi que eu estava ficando com os dentes podres por causa do cigarro antes da última vez que fui no dentista... isso significa que faz mais de seis meses. Eu achei que com a limpeza ia sumir, mas não. Na verdade só hoje eu percebi que deve ser porque aquele pedacinho de gengiva morreu, por isso a limpeza não deu jeito. Eu lembro como os dentes da minha mãe eram podres (ela colocou porcelana no lugar, ou algo que o valha), os do meu pai nem se fala. Os de Wall, Fratelli... Meu Deus. Eu não quero ter dentes podres. Quando eu era mais nova eu me orgulhava de largar o cigarro fácil, eu dizia que eu não tinha tendência a me viciar. kkk. Cada dia que passa é mais difícil desviciar. Eu passei o dia sem fumar ontem só porque eu sei que incomoda o baby. Senão eu acabaria comprando um retalho. Foi o que eu fiz hoje depois de passar no Midway. Mas era o que eu queria fazer? Não. O que fazer quando você perde o controle das próprias ações?

Só não pode perder o bom humor, n é msm?


Às vezes o trem descarrilha. Isso quase me lembra pela metade uma metáfora, eu tô tão doida que tô tendo até meias-memórias. Quero dizer, a vida é meio assim, você arruma tudo, organiza, aí vem algo e bagunça, e o negócio é você saber reorganizar. Eu acho. Porque nesses dias eu larguei tudo, o autocontrole com o cigarro, com as bebidas, com a comida. Larguei o veganismo, a cafeína, parei de ir pra academia, parei de usar meus cremes, de cuidar de tudo, de me dedicar a tocar guitarra, de tentar me aprimorar em qualquer coisa. Passei a dormir infinitas horas e não sobra tempo pra fazer nada útil. Tô usando mil remédios. Eu odeio isso, odeio tomar remédio, até anticoncepcional. Acho que a infecção urinária tá striking back então vai ser hemodiálise ftw! Mais remédio não. 

Um dia eu tive um glimpse de ser straight edge. O straight edge é uma subcultura do hardcore punk. Contracultura. É lindo. Os straight-edgers não bebem, não fumam, não usam drogas ilícitas nem remédios, algumas vezes sendo vegetarianos/veganos. Eles dizem que é "uma forma de resistência à pressão social de usar entorpecentes como uma forma de alienação". Bonito, não? Mas pra você viver sem usar nenhum tipo de droga, você tem que ser muito bem-resolvido. Pra você sair da sua casa e se rodear de gente desconhecida em grande número como um hominídeo 12 mil anos atrás jamais faria, num horário do dia (noite-madrugada) que um hominídeo jamais sairia, você tem que dig deep. Pra você abrir mão dos prazeres que entorpecem, você tem que se conhecer muito. É por isso que eu admiro os straight-edgers. Eu me drogo pra me divertir, ou porque eu preciso disso pra suportar coisas com as quais eu não sei lidar? Tenho medo que esteja muito mais pra segunda opção.

A minha professora de bioestatística estuda loucura em primatas em cativeiro. Algo aparentemente tão subjetivo pra se medir em primatas não-humanos, mas é assim: eles fazem vários comportamentos em cativeiro que são inexistentes no ambiente natural. São coisas como dar piruetas até ficarem tontos e caírem no chão, se balançar pra frente e pra trás, andar de um lado pro outro sem objetivo, masturbação, display sexual pra humanos, ficar girando a cabeça o tempo todo. A professora disse que isso são comportamentos "auto-narcotizantes". Porque uma vida de enclausuramento e tédio pra um animal nômade que tem a liberdade da floresta é uma desgraça tão grande que eles precisam de narcóticos, ainda que naturais. Será que é o meu caso? O nosso caso?

O meu segundo livro preferido do Stephen King é À Espera de um Milagre. Eu chorei tanto lendo esse livro, que às vezes só de ver a capa dele me dá vontade de chorar. Eu sentia um pouco de inveja do Paul Edgecomb. De como ele chegava na casinha dele no interior dos EUA e ficava conversando com a mulher dele sentados em cadeiras de balanço e olhando as estrelas. De como ele parecia ter uma vida simples, devagar e cheia de tempo. E se eu não precisasse me preocupar com produtividade? Se eu tivesse todo o meu tempo pra estudar a evolução da inteligência, da cognição? Se eu pudesse ver o sol nascer na praia todos os dias eu precisaria tomar café durante a aula? Se eu pudesse desenhar e tocar todos os dias, será que eu perderia tanto tempo me preocupando com besteiras? Se eu não precisasse correr nunca. Se eu não precisasse ficar trapped onde não quero nunca. Será que eu ainda iria precisar de narcóticos?

domingo, 26 de junho de 2016

Tenho enrolado pra escrever, pra dizer qualquer coisa. Quando alguém me pergunta na rua "você tá bem?" com tanta preocupação, às vezes eu sinto que deveria estar mais triste.

Sim eu passei por uma coisa triste, muito triste. O pior de tudo é que foi algo que nunca imaginei. Porque eu sempre imaginei de tudo. Como seria se eu tivesse câncer terminal, como seria se a minha mãe morresse, como seria se eu passasse dez anos em coma. Todo tipo de desgraça, só pra dramatizar na cabeça. Mas essa era uma desgraça inimaginável. Talvez isso seja o que torne tudo pior. 

But I can't help it. Às vezes quando eu tô me divertindo eu me sinto culpada. Culpada porque eu posso me divertir e o meu filho, depois do dia 17, nunca mais vai se alegrar com o calor do sol. Eu sempre torci pra que ele morresse antes de mim. Ele nunca entenderia a minha morte. Ele viveu sem saber o que é morte. Ele me esperaria todos os dias e talvez achasse que eu o tivesse abandonado. Só que percebi que mesmo sendo um ser racional, eu muitas vezes esperei vê-lo entre as brechas da porta da cozinha onde eu sempre via seu contorninho quando ele queria entrar. E eu continuo segurando a porta pra ele passar antes de fechá-la atrás de mim, sem querer. Eu olhei muitas vezes pro seu túmulo em miniatura e esperei que ele tivesse cavado e saído dali.

Meu filho, quando nós viemos à Terra e a Fortuna jogou sua moeda, nossa sorte se tornou fundamentalmente distinta. Eu ganhei a possibilidade de um século pra viver, você não poderia viver sequer um quarto de século mesmo com toda a tecnologia disponível. Você recebeu a capacidade de sentir. Eu recebi, além dessa mesma que a sua, a capacidade de refletir e racionalizar. A mamãe chorou tanto e sofreu tanto por você. E acima de tudo, a mamãe desejou que você estivesse vendo de algum lugar como ela sofreu, pra que você soubesse que a mamãe te amava muito. Que você visse como todo mundo sofreu por você porque você era um anjinho inocente e feliz.

Mas a mamãe não pode evitar. A mamãe não pode evitar levantar do chão e ir ser feliz. Porque a gente vive num mundo que alegra, cheio de coisas por toda parte. Cheio de coisas pra viver e aprender. Um mundo cheio de cores e estímulos pros sentidos e pro espírito. Um mundo tão bonito e cheio de pessoas carinhosas e lindas. E se eu deixar essa lembrança me engolir, se eu deixar ela anular tudo de bom que existe, eu vou sucumbir. Eu vou acabar dando um jeito de ir junto com você. E por mais que eu queira isso, meu filho, eu não posso. Não posso destruir os corações que se importam comigo. Não posso dar as costas pras pessoas que amo. Eu não me sinto destinada a causar sofrimento nesse mundo. Espero, pelo contrário, combatê-lo cada vez mais...

Você vai ter que esperar um pouco. Dizem que passa rápido.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Chaos & Fearfulness

Caos, o primeiro deus a surgir no universo, segundo a mitologia grega.

Antes de os deuses serem personificados. Caos era o abismo onde se caía eternamente sem jamais chegar a lugar algum. Depois veio Gaia, um lugar onde se espatifar.

s.m. Confusão geral dos elementos da matéria, antes da suposta criação do Universo, do aparecimento dos seres, da realidade ou da natureza; cosmos.
Figurado. Estado de completa desordem, confusão de ideias; amontoado de coisas que se misturam; desorganização mental ou espacial.
Física. Sistema sem estabilidade, dinâmico, que se altera no tempo a cada pequena alteração das suas condições iniciais.

I'm so scared and hurt. Porque nós vivemos no caos, no imprevisível. O caos faz parte de tudo. Não existe segurança, não existe justiça. Freud uma vez disse "não se pode viver de verdades o tempo todo". Ele disse isso sobre a consciência da morte, sobre o fato de que passamos a maior parte do tempo sem lembrar que vamos morrer. Não se pode viver de verdades o tempo todo, e é por isso que eu criei tantas ilusões nas quais acreditar. Como todo mundo. 

Eu acho que nunca senti um medo como eu sinto agora.
Eu sinto medo de ficar sozinha no quarto, medo de apagar a luz pra dormir à noite.
Hoje a aula de estatística acabou e eu lamentei. Porque apesar de que essa aula pareceu durar uns 5 dias, eu não queria voltar pra casa. Voltar pra cá é sinônimo de ficar sozinha no quarto e eu não quero ficar só.
Quando eu saio com alguém, eu sinto medo. Eu mal consigo falar de tanta ansiedade. A fobia social e a insegurança estão striking me back com força esses dias. Eu tenho medo de estar sofrendo demais e das pessoas deixarem de gostar de mim. Porque eu não tenho mais nada do que eu tinha antes a oferecer. Sinto que não consigo mais entreter ninguém. Eu tenho medo de perder todo mundo, de perder tudo que me resta. 

Eu sinto uma angústia tão forte e perdi a vontade de tentar. Eu não tenho motivação nenhuma pra sequer tentar voltar a ficar de pé, tentar ir pra academia, comer, viver, fazer minha dissertação. Nada, eu não quero fazer nada, a única coisa que eu sinto vontade de fazer é fugir de tudo, é dormir, olhar o vazio. Porque nada mais faz sentido. Viver nunca foi tão sem sentido. Porque parece que cada vez a vida me bate com mais força. Mais força. E eu não aguento mais. Não quero mais.
Eu fui perdendo as minhas coisas uma por uma. 
Meu computador quebrou. Meu celular foi roubado. Nathan disse que não me queria mais dois dias antes do meu aniversário. Meu celular novo foi roubado. Meu filho morreu. O que mais? Meus amigos vão me deixar? Eu vou ter câncer? O que mais falta, o que mais falta ser levado de mim? Porque a vida já me levou a alegria, o sentido, a gratidão, a contemplação. A vida só me deixou aqui presa num mundo em que o tempo passa vagarosamente e angustiantemente pra chegar em lugar nenhum. E não parece ter nada que eu possa fazer pra me distrair disso. 

Quando eu entrei na pós eu assisti uma defesa em que a pessoa colocou os ratos num modelo de "desespero aprendido". Aí a professora que tava na banca perguntou "mas o nome é desespero mesmo?" e a pessoa respondeu "sim, é a tradução, desperate, desespero. A perda da esperança". Sim, agora eu entendo. Agora eu entendo o que significa essa palavra, desespero, o fim da esperança. É quando lutar não faz mais sentido. 

Life, it seems, will fade away
Drifting further every day
Getting lost within myself
Nothing matters, no one else

I have lost the will to live
Simply nothing more to give
There is nothing more for me
Need the end to set me free

Things are not what they used to be
Missing one inside of me
Deathly lost, this can't be real
Cannot stand this hell I feel

Emptiness is filling me
To the point of agony
Growing darkness taking dawn
I was me, but now he's gone...

terça-feira, 14 de junho de 2016

In the darkness is the light

Eu já sei que não vou conseguir seguir uma linha de raciocínio nesse texto. Tô pegando essa mania de Vitória. Nós somos como estrelas em fusão nuclear, confusão, bagunça, movimento. Não tem essa de fusão organizada. E quanto mais eu vivo menos tempo eu tenho pra preciosismo. Menos tempo eu tenho pra organização. O meu quarto já não é perfeitamente organizado, eu não posso mais arrumar a cama todo dia, fazer chapinha todo dia, dobrar todas as roupas, pentear o cachorro... 

Eu sempre achei essa frase meio boba. 'In the darkness is the light'. É do refrão da música de abertura de um dos meus seriados preferidos da infância, So Weird. (um dia desses, eu lembrei do dia que vi Nathan pela primeira vez na Cientec e ele pareceu tão bonito e semelhante a alguém... era o Clu, desse seriado. Era o corte de cabelo igual do meu crush de infância, haha...). Quer dizer, o que significa essa frase? Eu acho que dá pra entender de dois jeitos: o mais simples, é que no meio da escuridão a gente pode encontrar a luz. E o segundo jeito é que a gente só pode ver a luz porque tem escuridão. É o contraste, sabe? Se só tem luz, ou só tem sombra, a gente se acostuma e aquilo é nossa realidade. Como a gente vai saber distinguir que tem algo diferente?

Ontem eu tava muito triste com a vida, porque fui tentar fazer uma parte da prova de Bioestatística e não consegui. Se não fosse pelo meu grupo, eu não teria entregado essa prova. Tudo bem, a prova tava mal elaborada. Todos tiveram dificuldade. A aula dessa professora é um lixo. Mas ela me fez sentir a pior coisa que alguém pode me fazer sentir: burra. Eu ODEIO me sentir burra. Eu não tenho problema em me sentir gorda, feia, imatura, enganada, ingênua... mas burra não. Porque isso é uma das coisas que meu pai mais diz que eu sou e que lutei a vida inteira pra que não fosse verdade.

Hoje eu acordei atrasada de novo e fui pra aula. Hoje eu prestei atenção e perguntei cada vírgula. Eu fiz cara feia pra professora a aula toda, não sorri pra nenhuma piadinha que ela fez. Mas eu entendi, eu entendi esse caralho de chi-quadrado, de teste binomial. Tanto que hoje eu consegui fazer o exercício. 

De vez em quando eu sinto remorso. Eu sinto remorso quando olho ao redor e vejo que tô me esforçando quando outras pessoas tem coisas mais facilmente do que eu. Quando eu vejo pessoas com famílias normais, com internet no quarto, que tem carro/carona sempre, magras, com talento pra entender coisas que não sou capaz. Não é inveja, porque inveja é a raiva que outra pessoa tenha algo que você não tem. É cobiça, vontade de ter também. De ter uma vida diferente. Mais fácil. 

Só que... o que resta fazer com a minha vida senão me orgulhar dela?

Eu tirei A em Bases Biológicas e Evolutivas do Comportamento. Não estudei muito nesse semestre, mas semestre passado sim, pra passar na prova do mestrado. Teve muito biólogo tirando C, e eu com meu A. Sem contar que eu passei em quinto lugar, 5 décimos de diferença do primeiro lugar. E por quê? Porque eu corri atrás. Porque eu me esforcei. Porque eu amei aquilo que eu tava estudando. Porque eu quis saber de tudo, quis entender tudo. Porque mesmo não tendo de bandeja, mesmo não sendo obrigatório, eu sentei na bibioteca do CB todos os dias por várias horas e estudei, estudei enquanto meus amigos tavam fumando maconha na florestinha e me chamando de trouxa. Enquanto tava todo mundo lá fora conversando e se divertindo. Porque eu me sacrifiquei pra ter aquele conhecimento and i'm not even sorry pelas coisas que perdi. Porque agora eu tenho algo pra contar com um sorriso no rosto e me orgulhando de mim mesma.

Recentemente eu cheguei nos 66.9kg. Depois de ter pesado um pouco mais de 72. Significa que até agora são 5,1kg que foram embora. Eu lembro da última vez que eu pesei esse peso, em 2014. Lembro de olhar pra balança e me horrorizar com o que hoje é motivo de orgulho. E todo mundo vê a diferença. Como é que uma pessoa que sempre foi magra, que pode comer todo dia no BK (ou como Vanny, sobreviver de miojo, nuggets e cheese bacon), Mc, se entupir de doce, comer a hora que quiser, dormir a tarde toda, tomar um barril de cerveja todo fds e nunca fazer um exercício que seja, vai saber como eu me sinto? Como uma pessoa que foi magra a vida inteira vai entender o que é colocar o maior número de calça que tem numa loja (que absurdamente é 42, às vezes) e não conseguir fechar o zíper? E ver a própria imagem toda deformada no espelho e sentir vergonha? Como uma pessoa que sempre foi magra vai saber o que é não conseguir gozar porque você tá pensando no quanto sua barriga tá estufada ou cheia de dobra nessa posição, ou como é a sensação quando você vai comer e todo mundo te lembra que você não deveria colocar isso ou aquilo na boca, que você tem que se controlar, que você tá com uma aparência horrível? Como você se sente quando veste todas as suas roupas e nada fica bom e você perde a vontade até de sair de casa. Como você se sente quando tem tanto nojo da sua aparência que não consegue mais se olhar no espelho. Eu só sei o quanto é bom emagrecer porque eu sei como é escroto ser gorda numa sociedade que julga mulher pelo peso e formato do corpo. E eu jamais daria o valor que tô dando ao que tô fazendo, se tivesse tudo fácil, se tivesse tudo herdado, tudo na minha mão. Se eu jamais tivesse que me preocupar. Mas eu tenho. Por que a vida é injusta? Talvez. Mas também porque ter um determinado corpo vai ter um gostinho na minha boca que na de quem não precisa fazer nada por isso jamais vai ter. 

É uma questão de ponto de vista. De jeito de olhar. Eu posso achar todo mundo bonito ou feio, dependendo do que tô olhando. E eu posso achar coisas boas nas ruins e ruins nas boas. É a minha percepção e eu tenho controle sobre ela. 

Mas eu só posso me amar se eu souber que eu dei o meu melhor. Porque eu preciso me orgulhar de mim. Eu preciso saber que eu tô evoluindo. Porque meu corpo tá se deteriorando à medida que o tempo passa. Mas a minha mente pode evoluir quase que infinitamente. Eu posso ser hoje melhor do que eu era ontem, e por que não?

Fívia fez uma reunião comigo segunda-feira. E na sala dela tem um bilhete que eu escrevi, bem à vista, pregado num porta retrato. O bilhete diz algo como "obrigada por me mostrar quem eu quero ser, por me inspirar com o seu exemplo". Um dia eu sonhei ser como Fívia. Eu sonhei ser uma boa professora, eu sonhei saber tudo de evolução. Eu sonhei saber pesquisar e ajudar a construir uma boa mentalidade em novas cabecinhas e isso deu sentido à minha vida. E pra chegar lá eu vou ter que abrir mão de muita coisa. De muito álcool. De ver e conversar com meus amigos todos os dias. De transar quando eu quiser. De ficar chapada quando eu bem entender. De dormir horas demais por dia. De fazer o que me diverte. Eu acho que tá na hora de entender que eu sou adulta. Que eu tô por conta própria. Que eu tenho condições de me levar pra lugares muito bons, ou posso me perder pelo caminho e ficar presa pro resto da vida numa situação que me deixa miserável. Não adianta me guiar pelos outros, porque eles vivem em condições muito diferentes da minha. Eu preciso fazer o meu caminho, do meu jeito, pra cumprir os meus objetivos. E ser forte pra caralho e segurar nas minhas próprias mãos. 

Feel no pain, but my life ain't easy
I know I'm my best friend
No one cares, but I'm so much stronger
I'll fight until the end
To escape from the true false world
Undamaged destiny
Can't get caught in the endless circle
Ring of stupidity
Out of my own, out to be free
One with my mind, they just can't see
No need to hear things that they say
Life is for my own, to live my own way...

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Cedendo às bads from time to time

Hoje é um dia muito bonito.

São 9:30 da manhã e eu estou sentada na parada de C&T, esperando o ônibus pra casa.
O céu está totalmente limpo, num tom de azul entre turquesa e celeste. 
Estou começando a perceber a beleza do mês de junho. Em junho o vento sopra constantemente.
Agora sopra um vento gelado e incessante, mesmo com sol. Eu não acredito em signos, mas gêmeos é um signo do ar e por um acaso eu adoro o ar em movimento, brisas, ventanias. E se tem algo que me dá angústia é estar em algum lugar onde o ar não circula (entre multidões, lugares fechados). 

Não tem quase ninguém aqui na parada. Tudo parece tranquilo. Mais um dia sob o sol, mais um dia above the ground. And everyday above the ground is a good day. O silêncio é tão grande que consigo ouvir a diferença de som que o vento faz ao tocar cada árvore. As poucas pessoas ao redor conversam baixo. Mas a beleza e tranquilidade hoje não significam nada pra mim.

Eu tô cansada. Tô cansada de fazer o que é certo o tempo todo e carregar todo o peso do mundo comigo. Ontem eu fiquei acordada até as 5 da manhã, só olhando o baby dormir, eu não consegui dormir. Puta que pariu, eu só quero dizer que eu tô cansada. Que eu tô cansada da cafeína, de não poder comer o que gosto, de não poder tomar uma cerveja, de não poder comprar uma carteira de cigarro. Tô cansada de ser educada e sorrir pra pessoas que eu queria pular no pescoço e estrangular. Tô cansada de ficar calada quando quero gritar. Tô cansada de ser assaltada, tô cansada de perder tudo o que tenho. Tô cansada de desconfiar, tô cansada de ter que me reorganizar. Tô cansada de não poder ficar no meu quarto (porque os pássaros tão dormindo), tô cansada de não poder sentar e desenhar, tô cansada de não poder só tocar guitarra o dia inteiro, tô cansada de acordar na hora certa, tô cansada de correr de um lado pro outro, tô cansada de me controlar sempre, tô cansada de não ter o meu computador, de não ter um lugar, tô cansada de não dormir, tô cansada de me machucar, tô cansada de sofrer calada, tô cansada de nunca reclamar, tô cansada de ser boazinha, tô cansada de juntar dinheiro, tô cansada de cumprir compromissos sociais e acadêmicos, tô cansada de não ter ânimo pra fazer nada, tô cansada de não ser livre nunca. 

Eu só quero me sentir livre de novo. Just wanna blow away.

Good times, for a change
See, the luck I've had
Can make a good man
Turn bad
So please please please
Let me, let me, let me
Let me get what I want
This time

Haven't had a dream in a long time
See, the life I've had
Can make a good man
Bad
So for once in my life
Let me get what I want
Lord knows it would be the first time...

sábado, 11 de junho de 2016

Blondie

  • 5/26, 3:35amAmanda CarvalhoO boy que eu gostava terminou comigoTo morrendo de tristezaDiz que eu vou sobreviver como sobrevivi quando você terminou comigo...Amanda Carvalho5/26, 12:56pmAmanda CarvalhoPosso desabafar com você?Na verdade como você é muito sábio, você meio que não tem escolhaLembra de quando a gente terminou? Eu lembro perfeitamente. Que era uma terça feira, que foi em abril. Acho que foi lá no setor I. Mas foi só por consideração, você já tinha me dito por mensagem que não queria mais. A gente sentou numa rosquinha daquela pra conversar e eu chorei convulsivamente que você ficou meio sem saber o que fazer... Aí vc falou assim "ah, o que você esperava, que a gente ia casar?" ai eu fiquei pensando "caraca que bicho insensível!" kkkkkkk aí eu falei que só achei que ia durar mais tempo...Amanda CarvalhoOntem foi meio assim também, só que eu já tava calibrada porque enchi a cara pra encontrar com ele. Mas foi igual. A rosquinha, era quarta feira. Eu chorando compulsivamente e ele querendo ir embora... foi ruim ter bebido tanto, que eu não consigo me lembrar bem das coisas agora, eu queria lembrar melhor... mas enfim. Ele era alto e loiro, que nem vc...Amanda CarvalhoDepois que a gente terminou (eu e você) eu nunca mais me apaixonei por ninguém. Tipo, eu gostei de Vítor, de Leo... mas eu só fiquei com Vítor porque minha vida tava vazia depois de vc. Depois com Leo porque terminei com Vítor e fiquei meio sem rumo... mas do jeito que eu gostava de você, eu nunca mais gostei de ninguém, aí eu pensava que era coisa da idade. Que eu só podia gostar tanto de você porque eu só tinha 16 anos e era uma criança boba. Que quando eu tivesse 21 anos que nem você tinha eu ia ser mais fria... mas olha só, eu aqui com 23 anos na cara e me apaixonando que nem criancinha por outro cara. Desde 2010... foram 6 anos sem sentir algo tão forte por ninguém. Só costume, apego, medo de ficar só...Amanda CarvalhoMas eu cometi os mesmos erros que eu cometi com você. Tanto que ele terminou comigo usando quase o mesmo argumento que você. Eu continuo twisted com os mesmos problemas, pelo visto... porque quando eu gosto de alguém e percebo que eu não tenho o controle de nada, eu acho que faço de tudo pra estragar, sabe? Eu não consigo lidar com a sensação de ser frágil e entregue nas mãos de outra pessoa. Eu tinha até dito pra ele, da gente, que eu tinha medo de acontecer a mesma coisa... sabe quando você acha que algo vai dar errado, aí você faz de tudo pra dar errado, e dá? Na psicologia o nome disso é profecia auto-realizadora. Acho que foi tipo assim. Eu sei que tive muita culpa nisso...Amanda CarvalhoEntão... qual é o ponto de tudo isso?Me ensina aí a ser como você... só isso. kkkkkkk Eu não imagino você chegando em casa e chorando abraçado com o travesseiro...Amanda CarvalhoEu não quero ter que sofrer tudo de novo...Amanda CarvalhoApesar de tudo, valeu a pena, no nosso caso. Você é uma das pessoas que mais sabe sobre a minha vida, mas sempre foi assim, desde que a gente tava junto. Você sabia o que passava na minha cabeça quando às vezes nem eu sabia... eu confio em vc. Foi bom porque a gente acabou sendo amigo, porque você "cuidava" de mim quando eu tava com Leo, se indignava, me defendia, porque você me ajuda em tudo quando eu preciso, porque a gente passou 5 anos se pegando, porque você ainda se interessa pela minha vida, porque eu descobri que eu não ia ter tanto ciúme das suas namoradas assim, só um pouquinho... no fim das contas acabou se tornando algo que eu acho bonito! Muita embora às vezes eu acho que eu não tenho muito a lhe oferecer, só putarias... mas num é disso que vc gosta anyway? kkkkkkkkkk desculpa os textões.. :'[May 27Lauro Kirsch5/27, 6:55pmLauro Kirschlindona, só vi agora que você mandou mil coisasabri aqui rapidamente só pra te dar parabénsprometo ler tudo com calma e responder certinho depois, tá?Amanda CarvalhoTudo bem!!! ❤Lauro Kirschqueria dizer procê aproveitar seu dia e se divertir bastantee saiba que te gosto e te quero bem!DIMONTAUMAmanda CarvalhoSeu lindo!!! Obrigada :)))))))Lauro Kirschcê é uma das minas mais massa que eu tive o prazer de conhecer em natalAmanda CarvalhoEU TBM ME BEJA SEU MARAVILHOSOLauro KirschEMBORA VOCÊ ME REPUDIE E ME IGNORE SEMPREBUT I DONT HOLD THAT AGAINST YOUtenho um coração puro que sabe perdoar HALÇSKHAAmanda CarvalhoKKKKKKK AINDA BEMMMLauro Kirschmas pare de fazer isso porque fico TREESTbeijones mandy275 do flogao!May 30Amanda Carvalho5/30, 6:59amAmanda Carvalhoaté o aniversário do boy é no mesmo dia do seueu vou procurar macho assim agora pela data de nascimentoKKKKKKWednesdayLauro Kirsch6/8, 5:05pmLauro KirschAEdesculpe a demora, mas finalmente agora eu estou com computador e com tempo pra ler tudo e responder direitinhocomo já passou tanto tempo até imagino que a situação possa ter mudado entre você e o boyfaço até uma bold prediction em dizer que já voltarammas lerei nowAmanda CarvalhoVOLTEI MSMHahahahahhahahaLauro Kirsch"ah, o que você esperava, que a gente ia casar?" ai eu fiquei pensando "caraca que bicho insensível!"EU DISSE ISSO? ACHO QUE ISSO É SUA MEMÓRIA SE ESFORÇANDO PRA ME DEMONIZAR HEINAmanda CarvalhoParabéns!!!! Pelo cannesDISSELauro KirschFAKE N DISSE NVC JA DEVE TER ESTUDADO ISSO NA PSICOLOGIAdeve ter um nome pra isso aíqdo a pessoa muda as lembrançaspra algo que quer acreditarha;hlkashasigamos comentando os trechos"eu aqui com 23 anos na cara e me apaixonando que nem criancinha por outro cara. Desde 2010... foram 6 anos sem sentir algo tão forte por ninguém. Só costume, apego, medo de ficar só..."poxa, mandy, que irado!é muito bom sentir isso por alguémfaz um tempaço que não sintoanos e anose tenho muita vontade de sentir de novoe ser recíproco, claroLauro Kirsch"Eu tinha até dito pra ele, da gente, que eu tinha medo de acontecer a mesma coisa... sabe quando você acha que algo vai dar errado, aí você faz de tudo pra dar errado, e dá? Na psicologia o nome disso é profecia auto-realizadora. Acho que foi tipo assim. Eu sei que tive muita culpa nisso..."Lauro Kirschmas o que exatamente vc fez?tudo bem que vcs já voltaram, mas talvez falar sobre isso evite acontecer de novomas se vc achar que esse papo ja nao faz mais sentido pq vcs voltaram, tá de boas"Me ensina aí a ser como você... só isso. kkkkkkk Eu não imagino você chegando em casa e chorando abraçado com o travesseiro..."AHA;HLKHSHArealmente, isso nunca rolou mesmo, nem consigo imaginar rolandomas isso não quer dizer que eu não me "entregue" nos relacionamentosnem que eu deixe de gostar das pessoasnão tenho como dizer exatamente porque pra mim é natural, meio que sempre foi assim, saca? mas a única coisa que eu desconfio que seja a causa disso é que eu fico bem sozinhonão tenho problemas em ficar solteiro, tenho amigos, gosto de fazer coisas sozinho, etc...não é necessariamente seu caso, mas tem gente que não consegue ficar sozinho (sem um companheiro) justamente pelo fato de que não tem companhia pra fazer as coisase a vida acaba ficando tediosaagain, not my caseMuita embora às vezes eu acho que eu não tenho muito a lhe oferecer, só putarias... mas num é disso que vc gosta anyway? kkkkkkkkkk desculpa os textões.. :'[HAHA;LKSHAHA gargalhei nesse finalAMANDA NUDESmas, po, tudo bem que precisou de um ato TRÁGICO pra vc me mandar um texto bonito dessesmas fico feliz que vc tenha mandadoporque eu curto muito você! e já confessei/falei muita coisa pra ti tambémque não sinto abertura pra falar com outras pessoassó fico meio chateado às vezes que você dá umas bipolaridade nas atitudese passa a me tratar mal do nada. deixando no vácuodaí eu fico "wtf, qq eu fiz?"e sempre que eu tento sair contigo, nem que seja pra tomar um açaí, vc fica fugindo igual o diabo foge da cruzHUAHAHsão as únicas duas coisas que me incomodam um pouco e me deixam numa situação meio chatade resto, TI CURTO DI MONTAUM XD~

<3

Solitude

Here I am
On the road again
There I am, up on the stage
Here I go, playing the star again
There I go, turn the page...

Antes de tudo, escrevo como uma tentativa de construir o que tem dentro da minha cabeça.

Onde eu tenho estado esses dias? Sabe a sensação de chegar no final da semana e esquecer o que aconteceu ao longo dela? Eu tenho esquecido as coisas, e não é de fumar maconha. Não é de usar drogas, porque eu tenho usado cada vez menos drogas. O que tem acontecido? Bem, eu não sei.

Eu sempre, sempre fui alguém que colocou os outros em primeiro lugar. 

Vivendo aqui em casa, eu aprendi que o que eu sentia era o de menos. Enquanto eu não incomodasse meus pais, tudo estava bem.

Eu não gosto de sentir dor. Ninguém gosta. Mas a minha tolerância a dor é altíssima. As pessoas confundem isso com gostar. A minha tolerância a dor é alta porque eu aprendi que a minha dor não tem importância. Quando eu era mais nova a minha irmã caiu em cima da minha mão e quebrou um dedo meu. E muito embora eu tenha chorado e ficado com o dedo inchado, a minha mãe disse que era tudo escândalo, "show", frescura. Depois de um mês com o dedo inchado, meu pai resolveu me levar no médico e ele me disse que já não podia fazer nada, porque o dedo tinha quebrado há muito tempo atrás. E ele me disse que a dor de quebrar é distinguível porque é muito intensa. Que eu deveria ter ido no mesmo dia. Eu também gostaria, doutor. Mas a minha dor não significa nada pra ninguém. O meu dedo colou errado e até hoje eu tenho mania de ficar apertando ele como se eu pudesse consertar o osso. Mas um dedo torto é algo que vou ter que aceitar (é um novo basal), assim como as cicatrizes emocionais, assim como meu jeito deformado de ser e sentir, que eu ganhei aqui também. 

Quando eu transava com meus primeiros namorados, na grande maioria das vezes, sexo era uma experiência de dor que eu torcia pra acabar. Eu perdi a virgindade com meu primeiro namorado e nunca senti nada de bom transando com ele. Eu só achava que era algo que eu deveria fazer, ou então ele não iria gostar de mim. Tantas vezes eu troquei despedaçar meu útero em troca de um pouco de atenção e carinho que eu não encontraria em outros lugares. Eu costumava gemer de maneira mais entusiasmada pra os caras ficarem com tesão e gozarem logo. Porra, se tivesse uma luz negra que mostrasse as feridas morais, não se poderia ver minha pele porque eu estaria coberta com elas.

Um dia desses eu tava sentada na mesa falando pra minha mãe sobre a minha incapacidade de fazer o melhor por mim mesma. A minha dentista mandou uma mensagem "faz seis meses desde sua última vinda, vamos marcar uma consulta". Faz seis meses que ela fez uma restauração mal feita. Eu passei pelo menos dois sem conseguir mastigar de um lado. E continuo sentindo dor e machucando o dente, mas faz seis meses que tento conviver com isso, simplesmente porque quando reclamei sobre isso ela pareceu incomodada. Eu fui na ginecologista porque estava com infecção urinária, com os exames feitos. Ela me passou um antibiótico dose única. Não adiantou... mas eu não fiz mais nada. Eu perdi em pelo menos cinco vezes a capacidade da minha bexiga. Mas quem disse que eu consigo ligar e reclamar? Por que eu disse "e se não der certo? volto?" e ela disse "vai dar certo sim." Ponto. 

Quando eu namorava com Lauro, ainda existia MSN. Eu ia pra casa dele e o Messenger ficava piscando, pessoas falando com ele enquanto ele ignorava. Ele dizia assim "eu tô com você, que esperem." Ele disse que antes também ficava angustiado com a janela piscando, mas depois aprendeu que os outros poderiam esperar. Só que eu nunca aprendi essa lição. 

Eu nunca bebi tanto que alguém cuidasse de mim. Mas eu já bebi o suficiente pra precisar que alguém pelo menos me supervisionasse. Só que isso nunca aconteceu, eu estou sempre por conta própria. Não posso exagerar, porque estou só. Sempre que fico doente, passo mal, fico triste, choro, faço tudo em particular. Eu aprendi a ser discreta, contida, quieta e a me engasgar com meu próprio silêncio. 

Eu sempre dei o máximo de mim pra que os outros ficassem felizes e satisfeitos, para que nunca fossem incomodados. Quando eu fazia terapia, a minha psicóloga constantemente chamava atenção pra esse fato. O meu horror em decepcionar alguém, ainda que seja só deixando de cumprir suas expectativas, vai ser algo que ainda terei de lutar contra por muito tempo. Eu não nasci assim, mas fui forjada assim, como os metais vem brutos e quando a gente coloca no fogo eles viram de tudo. De aliança a adaga. I could have been anything... mas foi o que a Fortuna escolheu pra mim. 

Quando Nathan terminou comigo (I know, right? Eu só falo disso. Mas essa experiência me abriu os olhos pra tantas coisas na minha vida que eu tinha deixado de lado!) eu percebi duas coisas: 1. as pessoas são egoístas não importa o quanto você seja altruísta com elas e 2. eu me odeio pra caralho. E eu ainda estou amargando essa merda, eu sei que sim. Porque eu percebi que meus silêncios são sufocantes pra mim. Que eu não me sinto a vontade pra incomodar ninguém com meus problemas. Eu vi o quanto eu me sinto só no meio dessa multidão de vidas. Eu vi o quanto fazer tudo que os outros querem me deixa doente e me despedaça por dentro. O quanto dizer sempre sim dói. O quanto ficar fazendo malabarismo pra entreter e agradar pessoas que em meio a lágrimas ainda vão querer me usar me arrebenta por dentro. 

A minha irmã viajou pro Chile e levou a caixa da minha escova (que eu uso todos os dias). Puta merda, eu chorei. Eu chorei não porque a minha irmã levou a merda da caixa idiota da escova, eu chorei pela falta de respeito. Porque não passou pela cabeça dela nem por um segundo me pedir. Porque eu teria dado, mas eu teria dado como se eu fosse alguém, e não como se eu fosse uma bostinha ambulante no Universo que todo mundo pode passar por cima e tirar dela o que quiser. Eu tô muito cansada de os outros não me respeitarem. Mas o pior de tudo é que eu também não me respeito.

O que doeu mais em tudo, no fim das contas? Saber que eu não gosto de mim. Se eu gostasse, eu não teria ficado tão triste, tão na merda. E é só isso que eu tenho tentado me fazer. Me respeitar, como ninguém vai respeitar. Gostar de mim, como ninguém vai gostar. Me fazer companhia como ninguém vai fazer. Vanny tava falando do jeito que eu tratava ele "eu nunca vi uma pessoa tratar a outra tão bem... isso é único, pô". Aí eu falei pra ela que tava pensando que queria alguém que me tratasse tão bem quanto eu trato os outros... e a que conclusão eu cheguei? Puta merda, eu poderia ser essa pessoa. Eu preciso olhar pra essa pessoa no espelho e sentir orgulho e compreensão. Eu preciso ser o que eu amo nos outros. E eu preciso encontrar o caminho pra isso. Sempre que eu termino um relacionamento que seja relevante emocionalmente pra mim, eu escuto Estranged. E a minha parte preferida sempre foi "Why must it drift away and die?", perto do final, pra mim era isso que a música queria dizer. O ressentimento do fim. Mas agora ela tem outro significado pra mim. A minha parte preferida são as primeiras frases da música "You're talking to yourself, and nobody's home... you can't fool yourself, you came in this world alone...". Ah, a resignação, é isso que ela quer dizer. Se você can't fool yourself, você tem paz, não tem? And I can't fool myself anymore. I came in this world alone...



domingo, 5 de junho de 2016

Friday night!

É sábado à noite e chove de vez em quando. Mesmo assim, as nuvens não cobriram o céu estrelado. As estrelas continuam lá, piscando quase como se olhassem pra gente de volta, enquanto a brisa leve sopra um ar frio por entre as portas e janelas, que somado ao barulho de chuva, dá um tom quase romântico ao tempo. Estamos em junho (já!!! :~), e muitos dias como hoje estão por vir nesse mês.
É a primeira vez que eu fico em casa num sábado em meses. E há muito tempo eu vinha desejando isso... alguns dias em casa. Eu fiquei em casa hoje porque me senti satisfeita. Porque ontem eu fui muito feliz, a ponto de que vale a pena registrar:

Eu fui pra reunião da base de manhã e depois queria muito fumar um. Liguei pra meus amigos que costumam fumar pela jungle mas ninguém estava no CB aquela hora. Então fui no Centro de Convivência pra ver quanto eu tinha de dinheiro pra investir no álcool da noite e encontrei um amigo que costuma fumar um ("ouvir um rock", podia ter uma gíria melhor?) quase todos (senão todos) os dias. Pedi pra ir com ele, e depois de uma longa espera e muitos cigarros, fomos nós e mais um amigo dele, andando pelo Campus e fumando o maior baseado que eu já vi na minha vida, maior do que qualquer seda king size digna. Era prensado e ficamos muito loucos. O amigo dele teve que ir embora e fomos só nós dois até o fim, até terminar o beck. Como temos Nathan de amigo em comum, a gente conversou um pouco sobre ele, e quando ele me contou que seu aniversário tinha sido semana passada (só um dia antes do meu!!!) eu fiquei muito alegre com a coincidência e contei a história do meu aniversário: Nathan tinha terminado comigo, e quando eu soprei as velas do bolo eu desejei ficar com ele só mais uma vez, e de uma forma maluca o Universo conseguiu me dar esse presente. Ele apareceu lá, pra dormir no meu colo, mas era o que me faltava pra um aniversário perfeito. O meu amigo disse "Amanda, que história linda, que história mais linda!" E quando eu paro pra pensar um pouco, eu posso concordar... que história linda!

Meu amigo me deixou no Extra onde encontrei boas Catuabas que eram justamente o que eu estava procurando e de onde saí flutuando pelos efeitos da maconha que não me deixavam sentir as pernas do joelho pra baixo, enquanto escutava Shine on You Crazy Diamond parte I e II e meu espírito já viajava tão longe que eu mal poderia dizer onde se encontrava. Fiquei esperando Nathan avisar quando eu poderia ir encontrá-lo, fomos comer no Mc Donalds e ele passou um bom tempo falando da vida dele (tempo esse que eu aproveitaria com igual intensidade caso fosse multiplicado por qualquer número... e quando o perdi aprendi a aproveitar mais ainda esses momentos simples), depois encontramos dois amigos deles e fomos pra uma festinha na casa de um amigo dele que é muito carinhoso, simpático e adorável. O porteiro tirou onda com a gente perguntando se ia ter show de rock lá em cima, dizendo pro amigo dele que tinha "50 pessoas" (quatro! haha) na portaria querendo subir. Quando a gente chegou, Pereirinha abriu a porta fingindo que era o cara do MIB com aquele dispositivo de apagar a memória, e eu fiquei muito feliz porque esse é um dos amigos de Nathan que mais gosto e que ele tinha dito que não ia! De cara fomos pro quarto do amigo dele e Thomas ligou o teclado e começou a tocar Coldplay, e logo depois ele pegou o violão e começou a tocar outra coisa.
Aqui tem uma pausa que prefiro fazer. Se essa noite ainda não estivesse sendo maravilhosa, ela iria ficar a partir daqui. Porque eu amo música. Eu amo estar cercada por pessoas que são capazes de fazer música, e amo eu mesma fazê-la. A música foi importante na minha vida desde que eu sou capaz de compreender minha existência, e eu tenho tanto pra falar sobre ela que precisaria de outro texto só pra isso. Eu tomei minhas catuabas, o vinho de Nathan. Em nenhum momento eu me senti desconfortável. Mesmo quando eu ficava sozinha com os amigos dele. Eu estava completamente feliz de estar cercada por aqueles desconhecidos simpáticos e acolhedores. Não lembro de ter parado de sorrir um minuto. Nós pintamos o rosto um do outro, transamos no banheiro, ele realizou um dos meus maiores fetiches (Golden shower...) que eu nunca imaginei que fosse rolar algum dia na vida, e eu ainda tô cheia de roxos e arranhões pelo corpo, nos joelhos e quadris. Minha boca ficou esfolada de tantas mordidas, de tanto que fomos agressivos, vorazes. A gente se pegou na frente dos amigos dele exageradamente duas vezes and i'm not even sorry, not even embarassed. Porque a gente tava se divertindo tanto, que isso deveria ser mesmo um direito de todo mundo. Deveria ser um direito de todo mundo se sentir pelo menos uma vez na vida como eu me senti nesse dia. Eu me senti tão jovem, com todo o tempo do mundo pra me divertir e nenhuma preocupação nas costas. Eu não levei meu relógio nem pensei em ir pra casa em nenhum momento. Nem pensei no que meus pais iam pensar de tudo aquilo. Eu tava ali, quase de volta à minha adolescência. Eu tenho pensado em como meus dias de diversão são quase uma adolescência tardia, porque os meus pais me privaram de viver uma. O meu gosto por homens nunca mudou muito, e eu sei muito bem que Nathan teria sido o príncipe encantado da minha vida se a gente tivesse se conhecido quando eu era adolescente. E se eu soubesse que iria ficar com alguém que se encaixasse tão bem no meu gosto, acho que eu não teria dormido muitas noites esperando por esse dia, hahaha... depois, eu e alguns amigos dele fumamos uns becks, fumamos na maçã. Eu nem sei como não passei mal no dia seguinte. Só sei que acabei dormindo e acordei da minha criaturinha loira preferida. Morrendo de frio, num colchão de ar mega desconfortável, mas eu abri os olhos e ele tava ali, dormindo do jeitinho que dorme em casa, com o lençol cobrindo metade do rosto. Do jeito que eu sempre vejo ele dormir. Voltei a dormir e sonhei com ele várias vezes.

No dia seguinte, a gente acordou e ficou conversando com Kin e Benjamin. Ficamos ouvindo músicas e olhando os Last fms uns dos outros vendo as compatibilidades. Colocando músicas, tocando mais músicas. Foi lindo, foi perfeito. Eu não sentia vontade de ir embora de jeito nenhum. Eu acho que nunca passei tanto tempo fora de casa sem sentir vontade de voltar. Eu senti muita paz e gratidão, e de novo aquela sensação de estar no lugar certo, com as pessoas certas. Quando eu fui pra casa, lembrei que não tinha avisado a ninguém que iria dormir fora mas não consegui sentir medo. Simplesmente veio na minha cabeça "o que meus pais podem dizer ou fazer que pode estragar toda a felicidade que eu vivi ontem? ... Nada." Nada. Eles já não podem fazer nada... :)

=)

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Bônus: se isso não é a visão do Paraíso, o que mais poderia ser? 

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Tarde demais

[esse texto não tem objetivo de seguir um desenvolvimento lógico, é apenas uma colcha de retalhos de viagens que tive que acho que são relacionadas]

Outro dia eu tava conversando com Gui sobre qualquer coisa. Ele me disse algo como "a pior sensação que um ser humano pode ter na vida é a do 'tarde demais'".

Pra começar a falar sobre isso, eu preciso falar sobre outra coisa antes:

Um dos meus vídeos preferidos do meu filósofo brasileiro preferido é sobre o conceito de Nietzsche da "ilusão da verdade". Tentando explicar porcamente com o que entendi: Nietzsche dizia que não é possível dizer uma verdade sobre o mundo real, porque o mundo real deixa de ser a todo tempo, e quando você vai falar, a coisa sobre a qual você ia falar já não está mais lá, pra que você possa dizer algo sobre ela. Por exemplo, quem eu era ontem não é a mesma pessoa que sou hoje, nem a pessoa que serei amanhã, ou dois minutos atrás. Nem o mundo que eu estive ontem era o mesmo de hoje, nem nada, absolutamente nada ao meu redor. Tudo mudou, todos mudaram e tudo seguirá mudando, independente da minha vontade. 

Essa expressão é muito bonita. Tarde demais. Às vezes sinto que tenho sorte de falar português. Porque essa expressão pode ter até ter correspondência de significado em outros idiomas... mas nunca vai ter essa combinação de letras que faz com o que o jeito de pronunciar seja tão forte, profundo.

Quanto tempo dura o presente? Quando eu estava escrevendo o começo desse texto era o presente? Ou o presente se faz enquanto digito cada letra? O presente dura um dia? Um segundo? Menos? Porque a cada palavra que eu penso em escrever já se faz o futuro, ele se transforma em presente, e o presente fica pra trás, transformado em passado a todo tempo. Como uma roda que não para de girar (e a roda do Tempo segue sentido único). Então o que é o "aqui e agora"? Enquanto o youtube toca uma música do Led Zeppelin (When the Levee Breaks), o presente dura cada nota? 
Quanto mais eu penso no tempo que o presente dura, mais eu acho que ele dura menos tempo. Isso me faz lembrar aquela citação famosa do Lewis Carrol, que ele escreveu em Alice no País das Maravilhas:

"- Quanto tempo dura uma eternidade?

- Às vezes um segundo."

Considerando como se o presente durasse um segundo só, e que ele é o único tempo que pode ser realmente vivido, ele é o tempo em que a eternidade se passa. Porque a eternidade acontece no presente e em nenhum outro tempo. É assim que vejo, não sei se tô me fazendo entender...

Guilherme disse que tá lendo Kafka e que ele gosta muito de falar sobre a "agonia de existir" (acho que ele quis dizer angústia...). Porque existir sabendo que vai morrer traz o que a gente chama na psicologia de angústia existencial. Somos animais que se angustiam por ter consciência da própria finitude. Somos animais capazes de prever quanto tempo vai durar o Sol. Quanto tempo vai durar a nossa Terra. Somos animais capazes de arriscar que o Universo se expande e colapsa. E aí tudo que a gente conhece deixa de existir. Às vezes é difícil pra mim viver com um céu aberto e infinito cheio de coisas acontecendo em cima da minha cabeça. Cheio de fogo. Um universo imprevisível e incerto. Isso me lembra outra coisa... a minha frase favorita de Blaise Pascal que aprendi nas aulas obrigatórias de filosofia na faculdade: "O silêncio eterno dos espaços infinitos me apavora". 

A minha primeira aula do mestrado foi sobre Evolução do sistema nervoso. O professor era um anatomista, e falou em dado momento sobre dualismo mente x cérebro, uma velha discussão na ciência. "Pois se o cérebro produz a consciência, quando ele morre a mente pode permanecer? Eu acredito que não". Ele também disse que ao segurar um cérebro, ele pensa em como aquele é um cérebro que um dia sentiu raiva, chorou, amou, se divertiu... eu achei isso muito bonito.

Um dia eu descobri que ia morrer, quando era criança. Aí falei com a minha mãe e ela me disse "não se preocupe, minha filha. Quando você for ficando velha, você vai cansar de viver."

Anteontem eu lembrei que ia morrer enquanto tava deitada pra dormir. Isso é algo comum pra mim, mas que eu não tinha há algum tempo. É uma sensação que dura alguns segundos, de um desespero profundo. Acho que é a sensação mais forte que já senti em toda vida e comparada a qualquer outra ocasião. Uma sensação de que não tenho escolha ou saída. Eu sempre penso "Não! Não, por favor eu não quero deixar de existir" e me levanto bem rápido. Mas aí eu começo a pensar em pessoas que gosto que também vão enfrentar o mesmo destino. Às vezes eu fico pensando até em quem vai chorar no enterro de quem. Em como vai ser quando eu começar a receber notícia da morte dos meus amigos... outras vezes eu tenho essa sensação no ônibus também, quando eu passo ali na Hermes e vejo todas aquelas pessoas em seus carros, indo em direção a nada, todas aquelas pessoas que assim como eu estarão extintas em 100 anos. E toda aquela vida ao redor, as árvores, os animais. Tudo aqui com prazo de validade.

E como será que vai ser o meu último dia? Pode ser que seja como hoje, um dia 02/06. Ou uma terça. Será que eu vou viver até a noite pra ver um último pôr do sol, pra olhar pelas estrelas pela última vez? Será que eu vou sentir medo? Será que vai ser antes sequer de eu envelhecer? Será que eu vou ter terminado tudo que comecei? A morte é um dia que não vou escapar de viver... 

Gui tava falando que sonhou com a mão dele velha. E ficou olhando bem pra mão dele pra gravar a imagem na memória, porque aí quando ele olhar pra mão dele velha de verdade, ele vai poder comparar na cabeça dele, vai poder lembrar de como ela era antes. Um dia esse vai ser o seu presente, Gui, assim como o que você é hoje é seu presente! E será que você vai lembrar da gente sentado na calçada em frente a sua casa, tomando uma Heineken e conversando sobre isso?

Quando eu penso em tudo isso, eu sinto medo do tarde demais. E isso me dá vontade de viver. A morte é o tempero da vida. Saber que o mundo muda a todo tempo, e as oportunidades ficam perdidas no tempo. Pode ser tarde demais quando você quiser aceitar o convite de um amigo pra sair, depois de ter recusado tantos. Talvez ele desista de você. Pode ser tarde demais pra tirar aquela dúvida que ficou da aula, na hora da prova. Pode ser tarde demais quando disser pra alguém que gosta daquela pessoa, porque ela pode já não gostar mais de você. Tarde demais pra fazer as pazes. Tarde demais pra aproveitar o que você tem. Talvez tudo aquilo que ficou pra depois fique perdido. Porque quando você vai falar sobre o mundo real, ele não tá mais lá pra que você diga algo. Todos aqueles momentos que não foram vividos por razões bobas. É isso que me encoraja a gastar o presente com minhas paixões, minha vontade. Saber que um dia acaba, que um dia não vai ser mais possível, é o que torna especial. O que se pode ter toda hora não tem pressa. Que eu sempre me lembre de que em dado momento pode ser tarde demais pra vivenciar determinadas coisas, e que isso me dê forças pra correr riscos. Que isso me faça desafiar o medo e sentir o presente com todas as minhas forças. Porque eu nunca vou segurar o Tempo, eu só posso dançar junto com ele a coreografia que ele inventa...

"Usualmente, quando eu perdia o sono, o bater da pêndula fazia-me muito mal; esse tique-taque soturno, vagaroso, seco, parecia dizer a cada golpe que eu ia ter um instante menos de vida. Imaginava então um velho diabo, sentado entre dois sacos, o da vida e da morte, a tirar as moedas da vida para dá-las à morte, e contá-las assim:
- Outra de menos...
- Outra de menos...
- Outra de menos...
- Outra de menos...
O mais singular é que, se o relógio parava, eu dava-lhe corda, para que ele não deixasse de bater nunca, e eu pudesse contar todos os meus instantes perdidos. Invenções há, que se transformam ou se acabam; as mesmas instituições morrem; o relógio é definitivo e perpétuo; o derradeiro homem, ao despedir-se do sol frio e gasto, há de ter um relógio na algibeira, para saber a hora exata em que morre."
(Memórias Póstumas de Brás Cubas)

"Como vivem obcecados pelo medo de perderem o tempo, os Papalagui (homens brancos) sabem com exatidão quantas vezes nasceu o sol e a lua desde que viram pela primeira vez a luz do dia. (...) Reparei, muitas vezes, que eles, no meu lugar, se sentiam envergonhados quando ao perguntarem-me sobre a idade que tinha, eu não era capaz de responder tal pergunta, que só me dava vontade de rir! 'mas não podes deixar de saber a tua idade!'. Eu calava-me, pensando: melhor não saber. Ter uma idade quer dizer: ter vivido um determinado número de luas. Isto de se perguntar qual o número de luas apresenta grandes perigos, pois foi assim que se acabou por determinar quantas luas dura em geral a vida dos homens. Ora, acontece que cada um, sempre muito atento a isso, passadas que foram inúmeras luas, dirá: 'Pronto! Não tarda muito para que eu morra!'. Nada mais então lhe causa alegria, e de fato, acaba por morrer daí a pouco tempo."
(Discurso de Tuiavii)