sexta-feira, 27 de maio de 2016

The Last Words

"Eu lastimo pelas feridas da Fortuna
Choro as feridas infligidas pela Fortuna com olhos lacrimejantes
Pois seu tributo cobra de mim agressivamente
No trono da Fortuna eu sentara, elevado
Coroado com as flores multicoloridas da prosperidade
Apesar de ter florescido feliz e abençoado
Agora do alto eu caio, privado da glória"

(Prólogo)

Esse é o último texto que escrevo pra você. Depois de falar hoje de madrugada com você, eu percebi, pelo seu jeito de falar, que era a hora. Quer dizer, na vida eu aprendi a nunca dizer nunca, mas por enquanto, acho que chegou a hora de parar de falar sobre isso na minha cabeça. Porque a gente vai falando sozinho baby, e pensando no que escrever, no que gostaria de dizer, acaba olhando pra trás e se arrependendo disso, daquilo, vai vendo onde errou e pensando "se eu tivesse uma chance de fazer diferente?" ou "em tal momento eu podia ter aproveitado mais", "eu podia ter dito diferente", e acaba se embaralhando num monte de coisa que vai doer feito se enrolar em arame farpado. Isso me fez lembrar quando um cachorrinho morreu. O que doeu nem foi a morte dele. Foi o arrependimento. A dor de saber que poderia ter feito tanta coisa enquanto ele tava vivo, e não aproveitei as oportunidades. E eu sei que eu te deixei triste muitas vezes, baby, sabendo que podia ser diferente. Mas chega de conversa mole. Eu sei que já não há tempo pra falar demais. Ontem eu saí com Gui e ele me disse assim, que resolveu que iria fazer o que tinha vontade de fazer sem medo de ser ridículo, porque um dia ele vai ficar velho e olhar pra mão dele secando, flácida, e pensar se fez mesmo tudo o que queria. Porque a vida acaba e tudo fica pra trás, e qual é o consolo que a gente tem, senão a tranquilidade de saber que fez o que quis? É por isso que eu escrevo hoje, baby. Porque eu sei que o arrependimento do não feito machuca mais do que o arrependimento do feito. Ainda que às vezes a gente seja ridículo... 

Vamos começar assim, com o primeiro parágrafo do primeiro texto que escrevi pra você:

"A deusa Fortuna é representada segurando em uma das mãos uma cornucópia, e na outra outra um leme. Estes elementos simbolizam que ela pode, por um lado, nos presentear com alegrias e fartura, e por outro, tirar tudo que temos e nos condenar. Acho que é por isso que sempre que me sinto muito feliz, ao mesmo tempo sinto um medo terrível: como eu disse antes, só se pode perder algo, quando se tem algo. Eu, como boa pessoa sã que sou, temo a Fortuna."

A Fortuna me ofereceu uma cornucópia florida e cheia de frutos. Pouco tempo depois, ela fez girar a roda, e com seu leme, me tirou todos os prazeres. Eu me pergunto se ela escarnece, se o Acaso ri de mim enquanto eu choro... e eu sei que foi nobody's fault but mine. Porque baby, quando eu gosto de alguém e vejo que não tenho o controle de nada, eu começo a sabotar, e falar besteiras, e tentar destruir, porque eu sinto medo... e eu percebi que a minha insegurança estragou tudo. Você tem razão, do jeito que estava sendo, não dava, e eu até cheguei a pensar sobre um futuro utópico em que eu tivesse resolvido minhas questões, no que poderia acontecer se a gente se reencontrasse... ah, mas isso tudo é só um auto-consolo, não é? Que nem acreditar em vida após a morte, talvez. Porque a gente não gosta de fins... mas estou perdendo o ponto onde queria chegar.

Como se sabe quando se está sentindo um determinado sentimento? Um conceito que Vitória me ensinou é que "quando a gente se pergunta se é, então é". E eu comecei com você com o pé esquerdo, dizendo que não acredito em amor. É porque eu entendo como ele funciona. Eu sei que a gente tem um tipo de orquestra mágica na nossa cabeça que faz tudo acontecer, uma orquestra que já veio preparada quando a gente nasceu pra fazer a gente sentir tudo que sente, que tem um propósito bem definido. Eu acho que o amor é natural, e não sobrenatural. Só que isso não me impede de romantizá-lo, e nem me torna mais racional do que as outras pessoas. 

E eu me perguntei muitas vezes enquanto estava com você se o que eu tava sentindo era amor. Mas eu achava que era, no fundo, não com palavras, mas com uma sensação de certeza que vinha bem de dentro de mim.

Você me perguntou, um dia, o que foi que eu pensei quando a gente saiu juntos a primeira vez, quando eu te vi de verdade pela primeira vez. Eu lembro de ter visto que você era lindo, e ter me sentido feliz por isso. Me senti feliz por ter ido encontrar com você. Porque você era como uma flor bem vistosa, baby. 

Imagine um campo aberto, enorme, verde e ensolarado. Ele tem uma única flor, que você avista de longe e sente um impulso de ir até ela, vê-la melhor. Quando mais perto você chega, melhor você vê os detalhes, e mais você gosta dela. Você percebe que ela é muito mais bonita, que ela tem um cheiro bom. Contemplá-la te faz bem; ela te dá prazer, cativou você. Agora você quer ficar ali, quer levá-la com você, você quer fazer qualquer coisa, você só não sabe ir embora como se não tivesse sentido tudo o que sentiu, porque você quer sentir aquilo por mais tempo! É assim que eu me senti com você. Será que um dia você entende, babe?

Eu sempre recordei de coisas que você fez que me fizeram gostar de você, enquanto estávamos juntos. Eu era uma boba apaixonada revendo o meu filme preferido várias vezes dentro da minha cabeça. Mas quando a gente terminou eu acabei me surpreendendo. Quando você disse que não me queria mais no começo da tarde, eu fui comprar um cigarro e depois fui pra casa, coloquei Estranged e fiquei chorando, pensando em tudo que a gente viveu... mas sabe qual foi a memória que mais doeu? Foi um dia que a gente tava se arrumando pra ir pra algum lugar depois de eu ter ido dormir com você, daí enquanto eu me arrumava você já tava pronto, então você prendeu o cabelo, pegou o seu violão e ficou sentado na ponta da cama tocando The Unforgiven e outras músicas... eu lembrava disso e soluçava, gritava abafando com o travesseiro. Por quê? Na hora eu não entendi. Mas ontem eu cheguei em casa chapada e bêbada e tudo fez sentido. Faltava um pedaço, acho que a dor do desespero oblitera um pedaço das nossas memórias. Talvez naquela hora você nem tenha percebido, porque tava olhando pras cordas, e quase de costas pra mim. Quando eu entrei no quarto, eu vi aquela cena e me detive na porta por um momento. Me vieram pensamentos e sensações sem que eu pudesse controlar. Minha cabeça começou a dizer coisas como "É isso... isso era tudo que eu queria. É exatamente aqui que eu quero estar. Não tem nenhum lugar no mundo que eu preferisse estar do que aqui.", e "Por que todos os dias não podem ser assim?" Eu simplesmente me sentia satisfeita. E o que você estava fazendo por mim? Nada. Você só estava ali, sendo você mesmo. E o que me encantava era o quanto eu amava isso, o quanto as coisas simples que você fazia sem nem perceber faziam meu coração queimar de entusiasmo, de contemplação, de paixão, de amor. Do mesmo jeito que eu me senti tão bem lá no Gringo's quando você simplesmente rolou os olhos sorrindo, e aquela imagem ficou gravada de um jeito tão forte na minha cabeça que lembro com detalhes até hoje. Porque eu amava te olhar nos olhos e ouvir a melodia da sua voz. Eu  vivia pensando "que lindo que você é, como você consegue me fazer sentir tudo que sinto?". Quando a gente transava, e eu te olhava por cima de mim, quando eu via seus cabelos caindo no rosto e cada detalhe da sua expressão facial... quando eu ouvia seus gemidos acelerando porque você tava perto de gozar, eu sentia o quê? Amor. Porque não faltava nada naqueles momentos, eles eram perfeitos. Quando a gente transou pela primeira vez depois daquela briga, e foi como uma segunda chance... quando você entrou em mim, eu fiquei tão feliz, tão emocionada. E às vezes eu até me distraía do sexo quando ficava pensando "Isso tá acontecendo mesmo? Esse homem lindo tá transando comigo?", eu tava tão feliz baby, e tão plena, que eu tinha dúvidas se não era só um sonho, se você não era um sonho. É porque tudo foi um prazer pra mim, baby. Foi um prazer quando você mandou seu blog pra eu ler e eu pude ver você um pouco mais fundo. Quando você me mostrou que tava escrito "ame de propósito" naquele texto lindo e eu vi que ele era ainda melhor do que eu tinha achado da primeira vez que vi, sem perceber esse detalhe. Esse capricho, essa delicadeza, essa singeleza sem igual. E foi isso que eu fiz, não foi? Amei você de propósito. Porque você tinha tanto que eu admirava. You were such a thrill, babe! Eu não podia te prever nunca e não pude até o fim! Não me restaram dúvidas, baby. Eu sentia muito amor por você.

É uma pena que não consegui te cativar do mesmo jeito. Tem tanto que eu queria falar, mas não vou alugar muito... porque sei o quanto é chato quando alguém gosta da gente e a gente não gosta mais dessa pessoa! Eu já tive nesse lugar e sei que o amor de quem a gente não quer não vale nada. Em grande parte isso foi pra mim. É difícil me despedir de você baby, e eu tenho tentado todos os dias. Só que eu sei que é preciso, I have to let go of you, I have to let it die, to leave all this behind. 

Então é isso... 

Farewell, baby.  Obrigada. The rest is silence...

"Juliet, the dice were loaded from the start
and I bet, and you exploded in my heart
and I forget, I forget... the movie song
when you gonna realize it was just that the time was wrong?

(...)

and how can you look at me as I was just another one of your deals?
well you can fall for chains of silver, you can fall for chains of gold
you can fall for pretty strangers and the promises they hold
you promised me everything, you promised me thick and thin!
now you just say 'oh Romeo, yeah, you know I used to have a scene with him'

Juliet, when we made love you used to cry
you said 'I love you like the stars above! I'll love you till I die...'
there's a place for us... you know the movie song
when you gonna realize it was just that the time was wrong?

a lovestruck Romeo sings the streets a serenade
laying everybody low with a lovesong that he made
finds a convenient streetlight, steps out of the shade
says something like:

You and me, babe... 

How about it?"




quarta-feira, 25 de maio de 2016

26/05 

01:46. 
Chego em casa e olho pro céu, como costumava fazer sempre que voltava ainda de noite depois de ter saído com Nathan. 
Como eu olhei e mostrei pra ele na primeira vez que a gente ficou.
O céu estava mais límpido do que nunca. 
Choveu hoje. O céu se preparou pra ficar mais bonito durante a madrugada. 
Choveu hoje nos meus olhos também.

Eu costumava chegar em casa e pensar que o céu tava tão bonito que eu queria deitar no chão pra ficar olhando. Nunca fiz isso porque tinha medo de que aparecesse um escorpião ou algo assim.
Mas hoje eu não senti medo. A dor fala mais alto do que qualquer outro sentimento. Hoje eu não senti medo de nada. Eu não sinto que tenha mais nada a perder.

Deitei no chão pra ver as estrelas que ficam tão brilhantes de madrugada. Mas hoje eu não via nitidamente... meus olhos estavam cheios de lágrimas. Avistei Marte, Saturno. Passou um avião. Por um momento pensei que fosse um cometa. Uma "estrela cadente". Eu faria um desejo. De ela me levar pra qualquer lugar que não fosse mais aqui. Lamentei o avião. Comecei a tremer. Passei o dia só com o café da manhã na barriga e alguma porcaria que comi com meus amigos. Bebemos muito. Fumamos maconha várias vezes. Terminei uma carteira de cigarro sozinha, depois de 4 dias sem fumar. Depois pedi mais uns brejeiros a Lucas. Minha pressão estava muito baixa e ficou frio, muito frio. Eu passei a tremer tanto que sentia cada músculo do corpo se contraindo. Tive que entrar em casa.

A gente ouvindo Ballad of a Thin Man. Ele deitou por cima de mim a uma distância pra gente se olhar bem nos olhos. E olhou nos meus olhos sem dizer nada, só sorrindo e me olhando bem no fundo da alma. Depois de vários minutos ele disse "Eu gosto de você. Você gosta de mim?"

Eu fui andando pro Mahalila encontrar com meus amigos. Ele estava numa festa. Me perdi. Ele tinha me dado o mapa e eu consegui errar porque peguei uma rua que nunca passamos. Voltei e segui a intuição. Entrei numa rua que me fazia sentir bem. Quando fui passando por ela, vi várias coisas que reparei outras vezes enquanto caminhava com ele. Segui por intuição e lembrando de nós andando por ali. Vi a bromélia em que espetei a perna enquanto andava com ele. Entrei pra esquerda e cheguei no Mahalila. Quando ele chegou, contei pra ele. "Que lindo... você é muito linda, sabia?". Fomos pra casa. Ele disse "hoje você vai levar a gente" e fechou os olhos enquanto segurava minha mão. De vez em quando eu tinha que puxar ele mais pra perto de mim e olhar o caminho pra onde ele ia, pra ele não cair, não se machucar. Ele só abriu os olhos quando chegamos.

(Bêbado na chuva, no Gringos) "Eu acho que tô gostando de você..."

"Às vezes eu sinto mais vontade de conversar com você, do que de transar."

"Eu gosto de você. Gosto muito de você"

"Ai, senhor. É mulher demais pra mim"

"Como você tá linda hoje... tem certeza que vai pro Mahalila? Comigo mesmo?"

"Mesmo que seja fucking awesomely good having sex with you, baby"

"Você quer namorar comigo?"

"- Se a gente tiver um filho por causa do creampie de ontem, eu vou criar, porque você é maravilhosa. E se você tirar eu lhe processo.
- Ulysses, meu filho loirinho...
- Tem que ser com C. Pra ficar CCC. Carvalho Clemente"

"Cuide de mim, gata... eu vou cuidar de você"

"Eu nunca fumei maconha. Foi você quem me fez chegar mais perto de fumar. Prometo que um dia vou fumar com você."

"Bom dia, amorzinho..."

"eu: Vamo pra casa?
- Como é? Fala de novo.
- Vamo pra sua casa.
- Não. Fala como você falou antes. Foi tão bonitinho.
- Vamo pra casa..."

"Vamo pro Reino Unido? Eu vou ser o seu guia."

(Bêbado, na calçada durante a Esquizofest) "Queria morar com você"

"Hoje eu sonhei que você ia pra Caicó comigo."

"Vem me abraçar, pra gente dormir"

"Você finge que é cowboy putona, mas não é, você é um amorzinho."

"A minha mãe vem pra Natal próximo fim de semana. Você quer conhecer ela?"

"Eu cochilei na festa, quando tava muito doido. Sonhei que você vinha me buscar."

"Você acha que a gente vai terminar juntos?"

(Quase todos os dias) "Eu gosto de você. Você também gosta de mim?"

(Bêbado, indo dormir) " *algo ininteligível em inglês*... my dear..."

And the rest...

is silence.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Brief (beautiful) encounters


O texto a seguir é uma resposta ao meu texto "Iggy" escrita pela pessoa a quem ele foi direcionado.

É preciso começar assim...

"FOGO


Um dia desejei que palavras pudessem emanar sons, assim teríamos certeza de que, mesmo sem enxergá-las, as pessoas conseguiriam sentir seus efeitos ecoando dentro dos tímpanos e, inexplicavelmente, traduzir estas sensações para interpretá-las da maneira mais subjetiva que fosse possível. Quando a música se mistura às palavras, sinto que está tudo destrinchado, que não posso mastigar, nem produzir compreensão aprofundada sobre o conjunto de instrumentos que voam, nadam, correm e coexistem em sintonia, sinfonia, sinestesia e implicam num despertar de sentimentos adormecidos, ou no adormecer de sentimentos acordados. Todavia aprecio suas músicas. Nelas, vejo o significado das letras antes dos sons instrumentais. 

Um dia desejei que palavras tivessem textura, assim poderia tocá-las com a pele que sente as dores físicas e os prazeres externos das vivências intercaladas pela essência de cada um. Ainda que não haja textura, nem dor física, as palavras podem nos dar uma saúde mental, ou uma tortura psíquica. Ambas inesquecíveis ou passageiras. Depende de quem escreve. Quando vem de você, sinto esta sensação de eternidade, que só existe no significado atribuído a algo que dura para sempre, que é infinito, e que portanto só existe na abstração de nosso sistema linguístico alfanumérico para situar-nos de algo, ou crer que é possível ir além da finitude. Embora não acredite, adoro a sensação de engano que tu me causa ao pensar sobre nós dois, e nesta expressão equívoca que existe no nosso mundo: sentimento eternamente inesquecível. Pleonasmo? Talvez seja muito mais vício do que repetição. 

Ah! E caso as palavras emanassem cheiro, eu sentiria o queimado pelo calor que simulo ao imaginar teus cabelos, cheios de labaredas vermelhas, perto de mim, queimando minhas atribuições filosóficas e interpretações do mundo, meus medos, minhas dores, minhas idealizações, minha escrita poética, e qualquer coisa originária de minha essência mutável, em fumaça, que tem liberdade para ir e vir onde quiser. Você me ensina a contradição, e eu gosto de sentí-la, pois acredito entender algo novo a cada momento. Cada fio, cada chama, conecta comigo, que sou uma energia melancólica, pressionada, azulesca, noctâmbula. Sou o fogo azul. E adoro contrastar com sua existência. 

Ser ou não ser? Eis uma questão que poderíamos utilizar em nossos diálogos existenciais. Obrigado pelo "presente" que nunca pedi, muito menos imaginei ter: você na experiência do aqui e do agora. Já sinto tristeza antes que tu se vá, e já sinto alegria antes de te reencontrar. Deve ser esta estranha sensação de ter sido cativado. Esta estranha sensação de ter te conhecido. Esta estranha sensação de que, entre 7 bilhões, você era a única capaz de se tornar especial no meu "presente"."

Meu celular foi roubado. Eu perdi todos os seus áudios que não tinha escutado mais, mas que nunca apaguei. E por pouco eu não perdi também esse texto que você me escreveu, quando meu HD pifou.

E agora eu não posso recordar tantas coisas. Mas ainda posso entender porque eu gostava tanto de você com os fragmentos que sobraram na minha memória.

Quando você me encontrou no setor I sexta-feira, você me olhou bem nos olhos e disse assim "como tá a sua vida?" e só de lembrar isso me dá vontade de chorar. Me dá vontade de chorar, Igor, porque eu senti a sinceridade com a qual você me fez essa pergunta. E eu não soube responder, só de um jeito bobo, mas eu queria ter dito tanta coisa, porque eu sei que você poderia me ajudar. Eu sei que você poderia me ajudar com minhas dores e que a gente sempre teve potencial de curar as feridas um do outro. Dói porque ninguém tem se importado. Eu tenho estado sozinha com as minhas dores, tecendo diálogos infinitos dentro da minha cabeça. Imaginando eu contando pra alguém os meus problemas e recebendo interesse de verdade, atenção e suporte de verdade. I'm a lonely wolf, and seems like I'll always be...

Às vezes me ofende quando aquela minha amiga diz que a sua motivação de agir é só egoísmo. Que você veio me dizer que "eu sou muito bonita pra estar com Nathan" só porque você quer poder dizer depois que eu terminei com ele graças à você. Ora! Você poderia muito bem dizer isso sem ser verdade. Além disso, como você vai saber as consequências de ter dito isso? A gente não se tem em redes sociais, a gente não se encontra, eu perdi seu telefone, você não pode falar comigo por conta da sua namorada. Como diabos você vai saber se dizer isso repercutiu em algo? Eu sei que você disse isso sinceramente do mesmo jeito que você me disse seis meses atrás. E eu posso simplesmente discordar, como discordo, dizer o que disse pra você ("acho ele lindo!") e tudo segue. Eu não acho você a personificação do mal. Pior ainda!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! :

Eu. Entendo. Você.

Eu entendo as suas aparentes loucuras e contradições porque eu posso simplesmente admitir que sou humana. E como você (humano, demasiado humano). Nós falhamos, nós mentimos, nós manipulamos. Nós sentimos medo e agimos covardemente. Não somos heróis. Temos nossos conflitos e demônios. Quem são essas pessoas que riem dos nossos problemas e dizem que são pequenos? Eu nunca pensei que usaria uma figura de linguagem religiosa, mas não foi Jesus que disse "que atire a primeira pedra quem nunca pecou"? E esses "pecadores" estão aí a nos julgar a todo tempo, como se fossem limpos, puros. Como se toda história só tivesse um lado. Bobagem. Cada 'erro' que você cometeu fez sentido na minha cabeça, eu sou capaz de me colocar no seu lugar porque eu já pensei e agi como você tantas vezes. Perdoar você é me perdoar. Eu vejo você como um exagero do que eu era. Quase como algo que eu poderia ter sido, mas que desviei do caminho. A minha vida me obrigou a ser diferente. 

E eu não vou esquecer quando eu estava caindo no abismo e você me segurou a mão. Eu estava tão infeliz! E eu precisava me olhar no espelho pra conseguir sair dali. Foi isso que você me mostrou. Um espelho, um espelho do que eu havia sido, você era tão parecido comigo que me refletiu e eu pude lembrar do que fui um dia e que pra continuar sendo bastava sair daquele buraco que cavei. Foi assim que eu respirei fundo e tive coragem. Compartilhamos tanto. Eu lamento ter perdido o último endereço que você me deu do seu blog! Não consigo lembrar de nenhum jeito. Não deu tempo nem de comentar antes da sua namorada proibir você de falar comigo. Não deu tempo de comentar o quanto gostei daquele texto sobre existir. Não deu tempo de dizer que eu sinto os mesmos medos. Que aquele texto poderia muito bem ter sido escrito por mim. Não deu tempo de te dizer que ser ateia é um dos meus (dos nossos...) maiores atos de coragem. Viver sabendo que vamos perecer, que vamos deixar de existir. Que tudo que amamos se vai, e também nós, que estamos indo em direção ao nada inevitável, que somos finitos. E isso dói, não dói? Deixar de sentir dói, não acreditar num futuro eterno possível dói, saber que vamos morrer dói, mas a gente fica em pé e continua vivendo nesse mundo que tá todo errado e que parece que ninguém faz questão de perceber isso. Eu também sinto suas dores, somos parte da mesma coisa. Desculpe não ter dito a tempo tudo isso. Eu escrevi tanto pra você por aqui e sei que você nunca vai ler, que você nunca vai saber. É parte da nossa realidade imperfeita.

Gratidão! Fomos amigos. Não me arrependo de nada.

"Smoking kills. Smokers die younger"

"I got one chance left
In a nine live cat
I got a dog eat dog sly smile
I got a Molotov cocktail
With a match to go
I smoke my cigarette with style
An I can tell you honey
You can make my money tonight"

(Nightrain - Guns 'n Roses)

ADVERTÊNCIAS

Fumar aumenta o risco de efeitos colaterais cardiovasculares sérios (trombose, derrame, infarto do coração) decorrentes do uso de contraceptivos orais combinados. Mulheres que tomam contraceptivos orais devem ser firmemente aconselhadas a não fumar. (Bula do anticoncepcional)

Esse final de semana eu estava com alguns amigos no Mahalila, quando eu e Keila pedimos um cigarro. Eis que todo mundo tinha um maço de Pine no bolso. O Pine é um cigarro coreano vagabundo contrabandeado do Paraguai (não sei se é lenda ou verdade, só sei que ele não tem o adesivo do imposto como os cigarros caros e regulamentados), que tem o dobro de alcatrão, o dobro de monóxido de carbono, o dobro de nicotina, quando comparado a um Lucky Strike (cigarro que eu fumei quase que unanimemente dos 17 aos 22). As pessoas passaram a comprar Pine porque é mais barato, custa R$ 3,50. Hoje em dia um Marlboro custa em torno de R$ 8,75, e o Lucky Strike eu não saberia dizer, porque costumo dar uma nota de 10 reais e não conferir o troco, sou ruim de conta e tudo que sei é que com R$10 ainda se compra uma carteira de cigarros.

Eu comecei a fumar quando tinha 16 anos. Precisamente, era dia 13/07/2009. Era comemoração do Dia do Rock, minha primeira vez no Dosol com Vanny, com quem eu recentemente tinha voltado a falar depois de um ano separadas. Nessa época ela era ruiva, punk, porra louca como nunca mais. Quando eu chegava na casa dela ela estava com uma das suas camisas do Sex Pistols, cheirando loló assim que acordava, tomando um gole de tequila escondida numa garrafa d'água no guarda roupa, pra começar o dia. Eu tinha recém me libertado de um relacionamento abusivo. 
Estávamos bebendo Sminorff limão que vendia no Dosol mesmo e a qual ela conseguiu umas doses a mais implorando/sensualizando pro barman, e caipirinha que também vendia lá. De todas as vezes que fiquei bêbada, essa foi a única perfeita. Eu fiquei no grau certo de alegria, felicidade, tontura, não passei mal nem nada. Quando sentamos um pouco naquele chão sujo de paralelepípedo (que eu achei o máximo!) do lado de fora, Lilla sentou do nosso lado e ofereceu um Marlboro de filtro vermelho. Por que não? Aquele ato de esticar a mão e tragar era um símbolo de toda a minha raiva. Eu odiava meus pais, e o que podia irritar mais eles do que a filha bêbada e fumando no chão da Ribeira? Eu tinha tanta raiva guardada, tanto rancor de tanta coisa, tanta dor de tudo que eu passei até ali. Fumei com elas. Talvez tenha sido a primeira vez que Vanny fumou também. 
A fumaça era quente e com gosto ruim, queimava a garganta. Eu já sabia tragar porque fumava maconha com uma amiga do HC lá pelos arredores do colégio. Mas não demorou muito pra que a repulsa virasse prazer. Quando Lauro terminou o namoro comigo, eu fiquei muito triste, e tudo que eu sabia fazer era ouvir The sky is falling (QOTSA) e fumar, fumar e não comer a um ponto que eu mal podia ficar em pé, com a pressão baixa. 

Com o tempo o que era uma escolha deixou de ser. Passou a ser um hábito, um vício, um refúgio. 

Eu não sabia lidar com meus medos, não sabia lidar com minha ansiedade. Eu achava bonito, sentia que podia voltar na época em que fumar era charme, era minha rebeldia.

Quantas vezes eu não acendi um cigarro na rua e pensei "I smoke my cigarette with style"?

Ou estive numa roda de gente que não conheço bem e acendi um depois do outro?

Ou quando eu estava constrangida por estar sozinha na rua?

E quando eu acendia no meu quarto enquanto ouvia Wish you were here (correndo o risco de alguém da família bater na porta), e depois apagava o cigarro no braço?

Mas acima de tudo eu sempre fui uma pessoa consciente. Nunca tive muito talento pra autodestruição. Toda vez colocava um cigarro na boca eu pensava que poderia ser aquele que ia conduzir o meu caminho pro caixão. Podia ser aquele que ia me levar ao enfisema. Mas mesmo assim eu não parava porque o cigarro era o único companheiro nas minhas dores, era o que me acalmava depois de algum estresse desgraçado que eu tivesse passado.

Mas sinto que talvez seja essa a hora das despedidas. Não que eu nunca mais vá botar um cigarro na boca. Ainda pretendo fazer isso, mas que seja uma ocasião especial, e não um dia qualquer. Porque eu sei que eu posso lidar, eu posso aprender a lidar de uma forma melhor com os meus problemas. 

Eu sei que sou forte pra não precisar disso. 

23/05 - 2 dias sem fumar.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Chuva & Since I've been loving you

I've really been the best, the best of fools
I did what I could, yeah
Cause I love baby, how I love you darling
How I love you girl, little girl
Baby, since I've been loving you
I'm about to lose my worried mind
Said I've been crying, my tears they fell like rain
Don't you hear them, don't you hear them falling?

Don't you hear them, don't you hear them falling?

Às vezes a gente só precisa falar com alguém e esse texto nada mais é do que isso. Porque quando a gente fala pra alguém, esse ouvinte pode não entender. Na verdade, ele não vai entender, porque só quem pode nos entender, só quem sabe todos os detalhes, só quem conhece nossa forma de perceber, nossas dores, fraquezas e segredos somos nós mesmos, e ninguém mais. Por mais que a gente ache que compartilhe. Há sempre o não-compartilhado. Há sempre um lugar escuro dentro de nós que a gente não tem coragem de visitar. Há sempre uma atitude que a gente não tem coragem de admitir, há sempre uma dor que queremos calar, alguma característica que queremos ignorar, ou que ninguém pode saber. Pois bem.

Nos últimos dias eu tenho falado comigo mesma, sobre anjos e estrelas.
Tenho sentido a luz das constelações se derramando sobre a Terra quando olho pro céu, o que costumo fazer no ponto de ônibus quando vou encontrá-lo, ou quando chego em casa depois de vê-lo.
Tenho procurado cometas no céu. Tenho visto as fases da lua se alternando, e os planetas girando em volta de nós. Ah, eu tenho observado quando o Sol vai caindo no horizonte e tingindo o céu de laranja e verde com nuvens azul-escuro. E eu vinha desejando que ele visse comigo, que eu pudesse lhe mostrar algo de novo e de bom. Que eu pudesse mostrar o espetáculo que é cada novo dia, que eu pudesse fazê-lo sentir a beleza e a profundidade de tudo ao nosso redor. Eu sentia meu coração queimar a cada suspiro, o coração bate com sinapses elétricas e as minhas estavam pra soltar faísca. E sentia uma luz, dentro de mim. Eu sentia as forças de algo maior que eu, que eu não podia explicar, agindo, me guiando, como as linhas que puxam e direcionam as pessoas em Donnie Darko. 

E eu quis que fosse bonito, eu permiti. Eu permiti que fosse bonito lhe entregando meu coração numa caixinha decorada com as melhores flores do meu jardim, com uma fita dourada muito bonita cuja composição era toda a minha atenção. Com um cartão feito da minha própria pele e sangue, em que escrevi as minhas melhores palavras, dedicando tudo que eu amava pra lhe lisonjear, dando-lhe tudo que eu saberia que não poderia dar outra vez. Porque eu fiz um paralelo entre ele e o meu livro preferido, e agora eu não posso fazer isso com nenhum outro moço, essas coisas só se dá uma vez, honestamente, e com o coração cheio de verdade, e depois a gente não pega mais de volta. A gente não pega mais de volta tudo que deu! 

Mas não fui só eu, e não sou injusta. Ele fez valer o custo de cada pedaço do que eu tinha dentro de mim e arranquei pra lhe entregar. Ele me fez dar cada passo em direção ao abismo que é o amor, encantada pela música doce das suas palavras, pelos seus olhares angelicais que atravessavam meus olhos com uma facilidade incrível, e que alcançavam a minha alma, a minha essência. Ele me fez desejar tornar o Tempo gente pra correr atrás dele feito tola e agarrar seu braço e pedir "por favor, espera, eu não aproveitei ainda o bastante!". Espera Tempo, me deixa nesse momento, que eu sei que tudo muda tão rápido, e a cada instante nós não somos os mesmos e nem nada ao nosso redor, e eu preciso que você pare de correr Tempo, eu preciso que você espere um pouco pra alongar esses momentos que me fazem pensar que só posso estar sonhando! Tempo, você não tem piedade, você não tem clemência de nós mortais que não temos nada como queremos na vida, apenas os presentes que a Fortuna dá e depois torna a tomar pra ela, e nós ficamos aqui desolados e aos prantos,  mas no fim das contas tudo isso é culpa sua, tudo isso é culpa sua que não me deixou viver mais daqueles momentos, que não permitiu que um segundo fosse uma hora só uma vez, só uma! 

E como todos os anjos são indiferentes a nós mortais, eu poderia dizer que ele era um anjo mau. Um que tinha meu coração pra esmagar entre os dedos e ele o fez. E agora que eu caí do céu, o que fazer? O céu de encontrar alguém que também amava Estranged, e eu diria citando a música "Now that you've been broken down, got your head out of the clouds, you're back down on the ground, and you don't talk so loud, and you don't walk so proud anymore... and what for?". And what for, what for. Eu sabia que esse era o risco que eu estava pra correr, e mesmo assim eu apostei todas as minhas fichas. All-in. Só que essas fichas eram tudo o que eu sentia. E agora o que eu posso fazer além de ouvir as lágrimas caírem? Será que eu me levanto do chão mais uma vez, será que eu ainda fico de pé, depois da flechada cheia de veneno que ele me deu bem no meio do peito hoje? Será que eu consigo, será que eu vou sobreviver sem ter a quem pedir ajuda (como eu pedia a Deus quando acreditava nele, "to rip it off please god, please"), será que "isso passa" e eu esqueço, eu me deixo esquecer toda essa dor, e junto com ela, todo o amor que eu senti, todas as boas lembranças que criei, toda a felicidade que vivi?

It's dusk forever and I'm stuck...




sábado, 14 de maio de 2016

Almost like Pet Sematary

Tem uma parte do Pet Sematary em que o Lou Creed conta como o Cemitério exerce controle sobre ele, com sua força sobrenatural contra a qual ele não pode lutar. Se o Cemitério quer, se o Cemitério chama, ele vai, vai racionalizando durante todo o caminho em como não deveria ir, mas vai, e enterra todo mundo, o gato, o filho, a esposa. 

Todas as vezes que você me chama pra te ver eu penso no Lou Creed, porque eu sou ele, e você é o Cemitério, porque eu sei que não há nada que você possa me pedir que eu ainda seja capaz de dizer não, porque eu nunca fui capaz de dizer não pra você, desde o começo, desde sempre. Porque desde a primeira vez eu fui racional e disse pra mim mesma, quando eu tinha a carona do seu amigo pra voltar pra casa, que era o melhor a fazer, que eu não iria gastar dinheiro, que eu não ia ficar vulnerável pra transar caso não quisesse, e ainda mais assim de primeira, mas eu não consegui, porque eu queria ficar mais um tempo, porque eu gostei tanto quando você disse "eu adoro o meu quarto" (é que eu gosto de gente assim, que gosta do que tem), e eu acabei gostando também, de cara, quando vi todos aqueles globos de neve que você provavelmente comprou nos países que visitou, gostei quando vi as miniaturas de guitarra cuidadosamente arrumadinhas na prateleira, e todos aqueles cds de bandas boas empilhados, sua guitarra Fender no outro canto, acabou que eu me vi em você e me senti um pouco em casa. E talvez por isso eu tenha conseguido transar com você naquele momento, talvez por isso quando você deitou por cima de mim e começou a tirar minha roupa eu não senti nenhum medo, nem constrangimento, só vontade que você continuasse, diferente das countless times com outras pessoas. Depois quando você me abraçou e ficou perguntando sobre o que eu gostava na cama, eu falei como se não fosse nada, porque o que você quer saber eu digo, e sequer lamento depois por ter dito. E foi sendo assim, você falando direto com meu coração, e o meu cérebro querendo se opor a tudo, mas sem poder de nada, sem conseguir impedir o fluxo de você pra dentro de mim e vice-versa.

Eu só posso deixar ser e seguir o que não posso controlar, seguir o caminho pro Cemitério Micmac, depois do cemitério concêntrico dos bichos, o caminho dos troncos de árvore escorregadios, depois a subida entre pedras e raízes de árvores embrenhadas, e por mais que seja difícil, ou que me custe algo, você me faz qualquer convite, e lá estou eu, e se eu disser que não vou dormir na sua casa é mentira, é o que sempre digo pra mim: "hoje eu não vou", mas eu vou sim e o pior, eu vou fazer das tripas coração pra ir, a despeito de todo resto, esquecendo todo o resto. É que eu quero estar com você baby, e é mais do que tudo e tão mais forte do que eu, de um jeito que até me assusta. Porque há tanto tempo que eu não sinto nada por ninguém, que eu tinha esquecido que era capaz de sentir, que eu tinha esquecido como era sentir, e que eu já nem sabia se queria mesmo sentir algo, mas eu tinha quase certeza que não. Eu era como alguém morto, que já não sabia o que era vida ou se queria viver, só o meu cadáver estava lá, até que eu fui enterrada no Cemitério e ressucitei, até que eu pude sentir de novo os raios de sol, e lembrar como aquilo 'felt good', mas eu voltei com uma voracidade, só que não por destruir outros vivos, mas de me afundar cada vez mais na areia enfeitiçada do Cemitério.

Nem sei porque eu precisei escrever tudo isso, mas acho que porque eu preciso de um tempo no dia pra pensar em você, pra lembrar de você, porque senão eu penso o dia inteiro aos pouquinhos e não faço mais nada direito, só sonho com você acordada e sorrio, pensando no meu presente do acaso. Naquele dia que você foi pro 'bar dazamigas' comigo, eu tava conversando com Cibele do seu lado, e ela disse assim sobre você "ele é tudo que Amanda queria" e eu repeti, pra ver se você ouvia "sim, Nathan é tudo que eu queria", sei que você nem ouviu, mas tenho uma impressão forte que você sabe, você sabe disso. E eu preciso te guardar por aqui, baby, porque eu gosto de guardar tudo que é precioso, porque como a minha tatuagem em cima da queimadura no braço, eu gosto de ter algo pra me lembrar do quanto fui feliz, eu não quero esquecer nada, não quero deixar passar nada, eu quero colecionar seus abraços até que eu possa sentir eles tão perfeitamente que quando eu fechar os olhos eu seja capaz de sentir mesmo seu corpo ausente, que os meus axônios saibam perfeitamente onde ia tocar cada pedacinho seu em mim se você estivesse ali, assim como eles já sabem perfeitamente como é o seu cheiro, assim como eles vão me dizendo aos poucos como é a sensação dos seus lábios encostando nos meus, como eles vão aprendendo a prever os movimentos que a sua língua vai fazer e até mesmo gravando o gosto da sua saliva na minha memória, tal como as pernas do Lou Creed aprenderam o caminho do Cemitério de um jeito que ele já não precisa pensar, e nem eu, eu não preciso mais pensar, só preciso te sentir e me deixar levar pelos caminhos do misterioso, daquilo que não entendo, que não controlo, mas que quero mais do que tudo. Só preciso voltar mais e mais pro Cemitério, quando ele me chama, e me enterrar um pouco todos os dias, pra que ele me devolva a vida por dentro que por tanto tempo estava perdida.