segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Burning for you

Home in the valley
Home in the city
Home isn't pretty
Ain't no home for me
Home in the darkness
Home on the highway
Home isn't my way
Home I'll never be

Burn out the day
Burn out the night
I can't see no reason to put up a fight
I'm living for giving the devil his due

And I'm burning, I'm burning, I'm burning for you

Time is the essence
Time is the season
Time ain't no reason
Got no time to slow

Time everlasting
Time to play b-sides
Time ain't on my side
Time I'll never know

Burn out the day
Burn out the night
I'm not the one to tell you what's wrong or what's right
I've seen Suns that were freezing and lives that were through
Well I'm burning, I'm burning, I'm burning for you

A primeira vez que ouvi essa música eu tinha 18 anos, dia 4 de outubro, 10h. Estava deitada na cadeira da Tattoo Brasil, com o Marcelo fazendo a minha primeira tatuagem, minhas duas andorinhas no quadril. O riff dela ficou gravado na minha cabeça mas fiquei com vergonha de perguntar a ele que música era aquela. Então prestei bastante atenção e ele estava ouvindo a rádio "Kiss FM". Quando voltei pra casa procurei pela rádio e pela lista das músicas tocadas no horário em que eu estava fazendo a tatuagem. Por meses eu procurei, mas não ouvi nada da letra, só o riff, então era impossível procurar se não fosse pela lista das músicas na rádio e não tive sucesso nisso. A segunda vez que ouvi essa música, eu estava na casa de Yuri. Numa das primeiras vezes que ficamos juntos, eu estava mostrando pra ele várias músicas que eu gostava, de bandas variadas. Coloquei uma música do Blue Öyster Cult que amo, chamada Don't Fear the Reaper. A reprodução automática do Youtube dele puxou outra música: Burning For You. Quando ouvi aquele riff nem acreditei. 5 anos depois e a música simplesmente me aparece na cara, na mesma época (setembro-outubro). Eu sempre tive esperança de que quando eu parasse de procurar e esquecesse ela iria surgir, mas se passou tempo demais e eu já tinha desistido até mesmo disso. Até que. E hoje ela me reapareceu como sugestão aqui, ouvi várias vezes e gostei tanto da letra também. Hoje eu e Yuri nos sentamos nas cadeiras de rodinhas que ele tem no quarto, um de frente pro outro e conversamos besteiras e eu ri tanto. Ri das histórias dele e do jeito dele de falar e ele ria da cara que eu fazia reagindo as maluquices que ele tava dizendo. Ri até ficar sem ar, até a barriga doer. E quando a gente parava de rir pra se beijar ele fazia "pfffff" no meio do beijo e a gente começava a rir de novo. "E aí passou um ciclista, na verdade era um nóia de bicicleta" e só de escrever isso eu ri aqui mais uma vez. Certas coisas são bobas e simples e a gente não vê se não der importância. O pai dele o chamou pra o aniversário do irmão mais novo e ele resolveu ir e aí não pudemos mais dormir juntos como ele queria. Mas eu tava sorrindo ainda porque eu tinha rido demais. E ele me perguntou se eu tava triste. Eu disse que não, e você e ele disse tô, porque vamos nos separar. Mas isso também é importante. Sentir saudades, sentir a falta e escrever. Lembrar que a gente gosta de alguém enquanto a pessoa não está lá. Escrever os detalhezinhos que eu gosto de guardar do lado de fora da cabeça onde muitas vezes consigo acessar mais facilmente porque os fios não estão emaranhados como aqui dentro. 

[00:51, 29/11/2016] Yuri Leon ❤️: minha linda                        
[00:51, 29/11/2016] Yuri Leon ❤️: queria poder expressar o quanto eu gosto de vc

Meus ouvidos se deliciam com a forma que você muda a voz e o jeito de falar quando me diz palavras doces. Eu percebo que você fala de um jeito meio envergonhado porque é verdade, porque você tá abrindo seu coração e ficando vulnerável pra mim. Eu sei que quando é mentira é bem mais fácil de dizer. Sei disso porque sou exatamente desse jeito e você se parece tanto comigo em milhares de coisas. Como é bom te ouvir dizer que algo é uma delícia enquanto a gente transa ou quando eu compro alguma comida e dou um pedaço na sua boca e você diz que é "totalmente excelente", eu simplesmente deixo de comer mesmo com vontade ainda como eu fiz com o café mocha que tava tomando hoje. Porque é tão bom ver você satisfeito que isso não importa. É tão bom ouvir você dizendo "for the love of god, né gatinha?" ou falando grosserias de uma forma tão inocente que não me resta nenhuma resposta que não seja dizer que vou fazer um curso de cavalês com você. Ou quando você me pergunta se eu não acho bom acordar e ver você dormindo do meu lado. É quase natural como se você sempre tivesse estado ali. Foi tão bom quando você bebeu aquela única vez em dois meses juntos e você disse "eu posso não dizer muitas coisas, mas eu sinto muitas coisas". Sinto tanta gratidão por você na minha vida, meu lindo, meu ursíneo. Wish you were here dormindo na minha cama esperando eu acabar de escrever esse texto. Mas tudo bem. Amanhã tem mais...

Com a lua

Minha menstruação chegou sozinha e naturalmente como uma boa anjinha e amiga em 26 dias, mesmo eu tendo tomado a pílula do dia seguinte mês passado, e sendo a minha expectativa que atrasasse como atrasou por 2 meses enquanto eu tava com Nathan e tomando bombas hormonais por capricho dele. Falei pra Yuri que poderia passar um mês tomando anticoncepcional como presente de natal pra não ter que fazer coito interrompido e nem usar camisinha mas disse que como consequência disso eu teria alterações de humor como sempre tive enquanto tomava. Ele disse que se era assim eu não precisava fazer isso, que não fazia questão que eu fizesse algo que me faria mal. 
Fiquei menstruada dia 24 e desde então o sangue vem e vai quando quer. E com ele oscilam também minhas emoções. Nas madrugadas tenho sentido um amor profundo pela vida e existência e uma sensação de poder muito forte. Uma sensação de que posso conseguir tudo o quanto quero se eu tentar o suficiente. Se eu me esforçar e tiver um foco e me manter firme. Sinto gratidão pela minha vida, pelas pessoas que amo, muita vontade de dar amor e um desejo muito forte de viver e conhecer coisas novas, e também de retornar à coisas antigas. Quando eu tinha 12 anos meu pai comprou um livro wicca pra mim na banca de revista que ele costumava frequentar enquanto esperava a hora de me buscar na escola. Eu sempre gostei muito de ler e ficar sozinha e meu pai gostava disso e incentivava me dando sempre revistas (por um acaso, ele teve a ideia de me dar a revista Wicca também) e livros, geralmente sobre ciência, só que pra crianças. Esse livro era sobre elementais e ele viu que gostei e continuou comprando pra mim muitos exemplares ao longo dos anos. E eu passei o começo da minha adolescência lendo livros sobre magia, paganismo, praticando rituais e como as ilustrações dos livros eram pinturas barrocas/medievais maravilhosas, eu ficava tentando desenhá-las também. Estive pensando num presente pra Vitória. Num presente que seja ao mesmo tempo simbólico e mágico e tive boas ideias. Isso me fez sentir saudades de acreditar em algo. E se tem algo que pra mim é plausível, são as crenças pagãs. Os deuses da Natureza. Se há uma espiritualidade em mim, ela é pagã, xamãnica. É mais antiga que o cristianismo e sacraliza a vida, a morte, os processos naturais. E eu sinto agora uma vontade forte de voltar pra elas. Não sei como meus hormônios estão agindo na minha cabeça. Estou muito sensível e as vezes com um medo enorme de falhar e de ser, outras vezes tão forte, mas aceitando as ondas como fazendo parte do que sou e tentando perder o medo de enlouquecer, a paranoia, entender que a tristeza faz parte do meu dia a dia. De certa forma sinto que encontro o que faz parte de mim e o que veio a mim por um acaso e que parece tanto orquestrado, arquitetado. Uma vontade de estudar e entender tudo e também de guardar meu espírito e minhas emoções no calor das crenças antigas e voltar a praticar e ver sentido. Não sei como vou ser sempre mas sei que agora é disso que preciso. Exercer minha natureza e entrar em conformidade com a natureza do Mundo.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

I asked for it, but...

[23:33, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Mas seja meu espelho da vileza                        
[23:33, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Diga tudo de ruim que vc pensa de mim                        
[23:33, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Cuspa na minha cara                        
[23:33, 21/11/2016] Guilherme: Como eu faço isso?                        
[23:34, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Não aguento mais as pessoas fingindo que eu sou maravilhosa                        
[23:34, 21/11/2016] Guilherme: Aahh                        
[23:34, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Quero ser chutada igual cachorro velho                        
[23:34, 21/11/2016] Guilherme: Kkkkkk                        
[23:34, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Não aguento mais esse mundo de falsidade                        
[23:34, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: De facada nas costas veneno etc                        
[23:34, 21/11/2016] Guilherme: Isso seria tao melhor pessoalmente                        
[23:34, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Então só começa                        
[23:34, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: KKKKKKK                        
[23:35, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Da um gostineo                        
[23:35, 21/11/2016] Guilherme: Deixa eu pensar como dizer                        
[23:39, 21/11/2016] Guilherme: Hum...eu tenho asco de vc kkkk
brincadeira.

Vc se acha demais, tu cresceu num ambiente de mt conforto material e isso estragou parte de vc, tipo, a sua postura é as vezes é como se o mundo te devesse algo ou como vc se diz ''superior'' as pessoas tem q ta ali pra te agradar. Acho q mt vezes qnd alguém n te dá mt atenção ou n te percebe, vc já n gosta da pessoa.                        
[23:40, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: ASCO                        
[23:40, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: KKKKKKKK                        
[23:40, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Hummmm                        
[23:42, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Isso é o mais suave?                        
[23:42, 21/11/2016] Guilherme: Tu reclama mt a toa tbm, no minimo de desconforto vc ja diz q ta cansada q n aguenta, q a vida É difícil demais, sendo a maioria das coisas pra vc é bem fácil. ( maioria n é tudo, n digo q vc tem problema)                        
[23:42, 21/11/2016] Guilherme: Nao é o suave, é o normal                        
[23:42, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Kkkkk                        
[23:42, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Pq vc disse que queria falar pessoalmente                        
[23:43, 21/11/2016] Guilherme: Seria mais divertido pessoalmente, acho os pensamentos viriam mais fluídos                        
[23:43, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Ah sim                        
[23:43, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: O que mais migo?                        
[23:43, 21/11/2016] Guilherme: Melhor ainda seria bebado q a carga emocional seria mais forte                        
[23:46, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Kkkkkkkkkk                        
[23:47, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Tá bom migo                        
[23:47, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Obrigada                        
[23:50, 21/11/2016] Guilherme: Vc n se esforço o suficiente na maior parte do tempo e qnd começa ja quer logo parar, aí tipo tem.vez q eu penso ''aah vá se fuder, tu só tinha isso pra fazer e ainda ta chorando'' tipo sua aula, passou um tempao falando q tinha q fazer, tava ocupada e tal, tal. Pra no final aprontar em cima da hora. Isso pq tua pesquisa tu nem.começou, ja devia ta tentando adiantar isso faz tempo, mas tu ta fugindo disso atualmente.

As vezes vc se coloca como mt superior e acaba rejeitando mt do q vc n concorda a princípio aí tenta menosprezar a pessoa. Ex: Rafael kkkk

tipo eu acho vc bem inteligente, tem um raciocínio bom e adoro conversar com vc, mas tu é mt mimada kkkk                        
[23:50, 21/11/2016] Guilherme: Sim, queria saber sua historia com Vannis se possível                        
[23:50, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Rafael eu tenho motivos pra ter nojo                        
[23:51, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Hehe                        
[23:51, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Ele veio dar em cima de mim de novo                        
[23:51, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Falar que sonhou pornografia comigo                        
[23:51, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: Se der um dedo ele quer o braço                        
[23:51, 21/11/2016] Guilherme: Kkkkk                        
[23:53, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: eu nem quero mais fazer esse mestrado na real                        
[23:53, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: mas não posso voltar atrás                        
[23:53, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: e se não for isso não sei do que trabalhar                        
[23:54, 21/11/2016] Guilherme: Pessoalmente vc conta                        
[23:56, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: tá bom migo                        
[23:56, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: boa noite                        
[23:56, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: :**                        
[23:56, 21/11/2016] Guilherme: Vc n quer pq ??
Mas tipo vc recebe dinheiro do governo pra isso, recebe mais q a maioria da população ( e essa galera trabalha 8 horas por dia e paga tua bolsa tbm). Agora q vc entrou tem a obrigaçao de fazer um trabalho                        
[23:57, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: sim, por isso eu tenho que trabalhar                        
[23:57, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: mas desde que lulu morreu eu perdi a vontade                        
[23:57, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: só que eu fui paga todos esses meses                        
[23:57, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: se eu desistir vou ter que devolver o dinheiro a capes e n tenho de onde tirar pra pagar                        
[23:57, 21/11/2016] +55 84 9698-2723: cnpq*

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É impressionante como os homens tem dificuldade de ser empáticos. Eu tenho observado isso com todos os homens ao meu redor. Gui, Rafael, até mesmo Yuri, que é um anjo, tem uma dificuldade imensa de se colocar no meu lugar. 

É migo, dessa vez você errou feio. 
Eu não cresci com muito conforto material. Pelo contrário. Eu fui a filha não planejada dos meus pais. O meu pai era professor na UF desde que minha mãe veio com ele pra Natal. E ser professor na UF em tempos antigos não era algo bom. Quando nasci, no governo FHC, os salários de professor estavam congelados e ficaram por anos, até que o PT subisse ao poder e resolvesse investir em educação pública. Tanto é que minha família e a de muitos outros professores ainda está por receber uma indenização pelo tempo em que a inflação galopou e os salários ficaram parados. Quando minha mãe engravidou de mim, o meu pai xingou ela. Disse que ela era uma porca parideira por engravidar à toa, dentre outras coisas. Sei disso porque encontrei o diário da minha mãe embaixo da cama quando era criança, e foi aí que nunca mais o perdoei. Quando soube que ele não queria que eu tivesse nascido. Quando eu era pequena, eu herdava minhas roupinhas dos primos que eram um pouco mais velhos que eu. Os meus irmãos eram constrangidos na escola porque sempre atrasava a mensalidade (mas fez questão de mantê-los no CEI por muito tempo). Ele fazia empréstimo pra fazer feira no supermercado. Eu sempre pedia pro papai Noel uma piscina de enterrar no chão (de azulejo) e sempre ganhava daquelas pequenininhas de plástico. Mas como eu era inocente, não ligava, nem entendia. A minha casa era a mais feia e pobre quando comparada à dos meus amigos, e eu só ganhei um quarto com 18 anos. Durante 18 anos da minha vida, eu dormi com meus pais, sem espaço nem privacidade nenhuma. Quando eu era pequena e ficava doente (costumava ter infecção urinária), minha mãe não me levava ao médico, dizia simplesmente pra eu tomar muita água e esperar. Depois ela me disse que era porque consulta era caro demais. Eu podia ter ficado com sequelas, e talvez até fiquei, dado os problemas que tenho hoje com isso. Minha mãe fumou a minha gravidez inteira, e eu também tive sorte de sair ilesa. O meu pai andou de fusca até 2007, ano que ele comprou um outro carro finalmente. Eu tinha 13 anos e já chamava atenção de todo mundo eu não ter um carro "normal". Pra adolescente esse tipo de bosta é muito importante. Eu ODEIO fuscas, porque esse carro quebrava praticamente toda noite. Às vezes quando meu pai ia me buscar na escola de noite, ele mandava eu ir sentada no banco de trás atrás dele, porque os freios do carro estavam quebrados e ele não tinha dinheiro pra consertar. Tantas vezes ficamos na UFRN de noite porque o carro quebrou, esperando alguém vir nos socorrer.  Eu morria de medo porque sabia que tinha corpos no CB e achava que eles iriam se levantar e vir pegar a gente. O carro tinha um buraco que dava pra ver o chão quando ele andava. Ele fedia e era desconfortável, barulhento, os cintos eram quebrados. Mas o meu pai trabalhava o dia inteiro pra ter pelo menos isso. Ele ia pra universidade de manhã e só voltava à noite, eu mal o via. Mas na quinta ele já passava a ficar em casa, e era meu pesadelo. Porque era o dia que ele começava a beber pra parar só domingo. Domingo era um dia bom porque ele tava de ressaca e dormia o dia todo e não incomodava ninguém. Ele já se achava o dono do mundo. Mas quando bebia, tinha certeza. Infinitas vezes ele se comparou à Deus e à Jesus. Sempre humilhava a gente e dizia que essa era a casa dele e que estava fazendo um favor pra todos nós. Batia na minha mãe, jogava o café nela se achasse que tava ruim. Cortava ela, humilhava ela. E quando eu o enfrentava, ela ficava atrás dele com o dedo na frente da boca e fazendo uma cara de medo. Pedindo silenciosamente "Por favor, fique calada". E assim eu aprendi, e muito bem. Aprendi a baixar minha cabeça, aprendi que minha opinião não vale, aprendi que eu não valho. Aprendi que eu sou um verme, que eu sou a ralé, que eu sou inferior. Eu tinha uma desconfiança tão absurda do meu pai, que se ele voltasse pra casa por um caminho diferente, eu já achava que ele iria me abandonar em algum lugar estranho e voltar pra casa sem mim. Achava que ele iria me descartar assim, e minha mãe não faria nada pq era submissa a ele. Porque ela tinha medo dele, porque ela precisava dele. Porque ela nunca tentou compensar ou dar suporte pra mim. Pelo contrário, ela muitas vezes deu a entender que era minha culpa o fato de ela nunca ter deixado ele. Como se o meu nascimento fosse a sua condenação. Se teve algo que a minha vida não foi, foi FÁCIL. Eu tinha uma fobia de gente tão grande que eu passava mal quando vinha alguém aqui em casa. Eu tinha dores de estômago antes de ir pra escola, vomitava, ficava nervosa. Meus pais levaram no médico e descobriram que não era doença, então imediatamente era "frescura". Eles nunca se perguntaram nem por um minuto se eles não tinham cagado completamente o meu psicológico com tudo que me fizeram. Perdi as contas das vezes que meu pai batia na minha mãe e eu pegava a bíblia e relia "Bem aventurados os que choram, pois a eles pertence o reino de Deus", enquanto chorava. Mas eu nunca fui bem-aventurada, rezei tanto pra sair dessa casa, pra um deus que nunca ouviu as minhas preces ou nunca sentiu a menor compaixão por mim. E por muito tempo eu levei tudo isso muito a sério. A opinião deles sobre mim. É por isso que você se engana. Eu DETESTO ser o centro das atenções. Nunca fiz questão que ninguém gostasse de mim, com exceção, talvez das minhas amigas. Nunca fiz questão de ser percebida ou reparada. Se eu fizesse questão disso, eu não andaria com Vitória, porque ela claramente chama muito mais atenção, é mais simpática, mais bonita etc. Encontraria alguém que eu achasse inferior pra me destacar. Mas eu não preciso disso, não preciso da aprovação de ninguém, nem da sua. Não preciso impressionar ninguém, nem você. Eu já me impressiono comigo e isso talvez te incomode. Homens são assim mesmo. Mas ninguém vai me dar o valor que eu sei que tenho. Muito menos você. Eu aprendi a não esperar por isso, como um cachorro. Só eu sei do que passei, e só eu sei porque eu tô do jeito que tô. Desmotivada e procurando prazer. Eu mal consigo apagar a luz pra dormir. Quando durmo, sonho com os mortos. Tenho pesadelos. Choro antes de dormir, tenho pensamentos intrusivos, arrependimentos. Tenho medo e não encontro um remédio pra ele. Isso somado ao fato de que eu tenho medo de ser exposta. Medo do julgamento dos outros, medo que alguém confirme tudo o que meu pai disse sobre mim. Você foi altamente leviano e sem consideração. Eu sinceramente esperava muito mais de você. Que você dissesse algo que incomoda os outros que eu faço ao invés de me criticar sem sequer saber da minha vida. Ser pobre não te faz melhor que eu. E se eu ganho dinheiro do governo é porque estudei pra chegar onde tô. E ainda mais usando Rafael como exemplo. Eu tenho nojo da necessidade de Rafael de viver num palco. Tudo que ele faz é pra conseguir atenção dos outros, inclusive trabalhar muito como ele trabalha. Ele estuda muito só pra mostrar pros outros. Pra ter aprovação e admiração e se fazer crer que é alguma coisa. Ele é extremamente machista e abusivo. Ele ficou puto comigo porque eu não quis dar pra ele e me chamou de um monte de coisas. Chegou a dizer que eu era louca, entre outras coisas que não lembro mas que poderia tentar recuperar se você quisesse. Desculpe se sou má com babacas, com pessoas abusivas, egocêntricas e autocentradas, narcisistas e completamente doentes. Desculpe se eu fraquejo e sinto medo e tento compartilhar com você. Já aprendi que é um erro. Não vai se repetir. 

domingo, 20 de novembro de 2016

Train of thoughts

[breve desabafo] 3:52

Muito louca de café e fazendo o power point da aula -  muitas coisas de última hora. Uma lição de vida talvez. Mãe viajou = sem almoço, sem café, tendo que arrumar a casa, lavar a louça, fazer a comida, aguar as plantas + preparar aula. Nervosa, quase botando um ovo. Muita coisa pra fazer e descontando na comida, cigarro e sem dormir, engordando. Cruzes! Vida adulta difícil, pensando nos dias de vida fácil que tive e não aproveitei o suficiente. Às vezes lembro também de Luccas e como desperdicei minhas férias do mestrado com ele, investindo nele, pra ele só me dar raiva. Queria ter conhecido Yuri antes. Será que vou conseguir fazer tudo? Parece um desafio tão imenso fazer esses slides e em poucas horas entregar pra Fívia olhar quando nem mesmo finalizei o roteiro. MELDELS

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Natal, 16 de novembro de 2015

À COMISSÃO DO PROCESSO SELETIVO DO MESTRADO EM PSICOBIOLOGIA

Prezada Comissão,

Ao cumprimentá-los, venho por meio deste documento demonstrar o meu interesse em participar do Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia, a nível de mestrado, oferecido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Inicialmente, farei um breve histórico da minha formação acadêmica.
Concluo minha graduação em Psicologia na UFRN no semestre 2015.2. Meu primeiro contato com a Psicobiologia ocorreu no semestre de 2012.1, ocasião na qual cursei a disciplina de Evolução do Comportamento Humano, ministrada pela professora Fívia de Araújo Lopes. Nesse momento me deslumbrei, em primeiro lugar, por existir uma possibilidade de estabelecer uma ponte entre os conhecimentos dos cursos de Biologia e Psicologia, os dois cursos para os quais eu desejava prestar vestibular (mas acabei por escolher o segundo), e por constatar que a teoria de Darwin, autor cuja biografia li no segundo ano do ensino médio e que muito admirava, poderia ser aplicada aos estudos do comportamento humano através da Psicologia Evolucionista. Em segundo lugar, porque fiquei impressionada com as aulas e metodologia da professora Fívia, e inspirada pelo seu carisma e competência, desejei um dia seguir seus passos, dando continuidade na produção e divulgação dos conhecimentos que eu estava aprendendo ali.
Durante este mesmo semestre, passei a frequentar as reuniões da base de pesquisa das professoras Fívia e Maria Emília Yamamoto, as quais continuo a ir atualmente. Nestas reuniões, apresentei alguns artigos previamente selecionados pelas professoras, e me engajei no projeto da então aluna de mestrado, hoje doutora Anthonieta Looman, pelo qual me tornei bolsista de Iniciação Científica em agosto de 2013. O projeto era intitulado “A influência do contexto na autopercepção como parceiro romântico e na escolha de parceiros românticos”, e nele pude aprender principalmente sobre comportamento reprodutivo em seres humanos, mais especificamente seleção de parceiros, contribuindo com o projeto nas coletas, tabulações e escrevendo relatórios parciais e finais e apresentando banners nos Congressos de Iniciação Científica e Tecnológica anuais da UFRN. Em 2012 também participei do Simpósio de Psicobiologia com o poster “A autoestima exerce influência no investimento em beleza?” que foi premiado pela organização do evento com o livro de Comportamento animal organizado por Yamamoto e Volpato. 
Colaborei também na coleta e tabulação do projeto de mestrado “Expectativas reprodutivas de pais e filhos”, e no projeto de TCC de um colega sobre ciúmes. Em 2014, participei do 26th Human Behavior and Evolution Society (HBES) Conference como monitora, tive oportunidade de assistir palestras de pesquisadores internacionais e apresentar meu banner "Partners for sale: an evaluation of mating market using loving ads” para John Tooby, pesquisador que contribuiu para a criação e desenvolvimento do campo da Psicologia Evolucionista e cujos elogios também muito me motivaram para a escolha do mestrado na área.
Tenho intenção de fazer mestrado neste programa especificamente por sua excelência reconhecida pela CAPES, alcançando o conceito 6, pelo corpo docente igualmente excelente que tive a oportunidade de conhecer em parte, cursando as optativas de Cronobiologia e Comportamento Animal, e para seguir sendo orientada pela professora Fívia, que tem me dado suporte constante em todas as minhas atividades, inclusive em projetos (como o relatório de estágio) não relacionados necessariamente com a Iniciação Científica, oferecido oportunidades e me ensinado pacientemente sempre que necessitei. Gostaria de contribuir com o desenvolvimento e expansão de conhecimentos na área de Estudos do Comportamento, e utilizar os conhecimentos e experiências adquiridas para um futuro processo de Doutorado e investimento na carreira acadêmica como docente. 

Agradeço a atenção,

Amanda Toledo Pereira de Carvalho.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

16/11

01:47. Iggy Pop - The passenger. Em casa. Acabo de observar que tenho passado cada vez menos tempo na minha própria companhia. Quando fico aqui, abro o facebook compulsivamente procurando algo. Qualquer coisa pra me distrair, qualquer coisa. Mas me distrair do quê?

Dia 14, festival Dosol. Encontrei Lauro. Última vez que nos vimos, semana em que Lulu morreu. Ele me fez uma pergunta que eu não soube responder pela segunda vez (a outra vez, mês passado). E aí, como você tá? De verdade, eu sei que você quer realmente saber então preciso pensar pra te responder. Como eu tô? Eu disse: não sei. Não sei. Daqui a pouco tempo mais um ano terá se passado. E dessa vez eu senti o peso do tempo de verdade. Então como eu tô? Eu também quero saber.

Quanto mais difícil fica, mais eu sei que preciso seguir em frente com esse texto. E tantas vezes eu já pensei "amanhã eu continuo". Eu comecei esse texto mesmo ontem (15). E fico fugindo, fugindo. Eu só preciso vomitar aqui de qualquer jeito. Vomitar aqui no auge da minha solidão. Eu tenho me sentido tão absolutamente sozinha, mesmo rodeada de pessoas boas. Sempre convivendo com pessoas amáveis e carinhosas como as minhas amigas e o meu namorado, e ocasionalmente os meus colegas de mestrado, a minha família (que de amável e carinhosa não tem nada, mas são companhia, certo?) e eu me sinto ainda só. Às vezes por causa do meu posicionamento cético sobre espiritualidade e misticismos que não encontra correspondência entre minhas amigas, outras vezes por sentir que eu não posso ser sincera de verdade sobre minhas feridas ou que elas são de pouco interesse alheio, outras vezes com uma sensação de que o mundo é uma peça e eu me sinto observando tão claramente as pessoas interpretando seus papéis, ou observando tão claramente suas necessidades que se escondem por trás de cada comportamento. Vejo algumas pessoas ingenuamente tentando roubar a cena ou querendo se sentir mais importantes do que realmente são ou tentando se valorizar tanto ou sendo tão vaidosas e isso me deixa dizzy. E olhando sempre sem dizer nada. O silêncio às vezes parece tão caro e eu sinto vontade de agredir mesmo. Eu me sinto má. Parece que ninguém se importa. Ninguém quer fazer costly punishing (punição altruísta) com aquela pessoa inconveniente que incomoda todo o grupo. E eu não faço, mas isso me faz sentir que estou engolindo algo enquanto todo mundo parece não ligar e eu me sinto tão diferente dos outros. Eu me sinto vil, venenosa. Eu me sinto mal por querer dizer a verdade e de preferência da forma mais escrota. Mas ao mesmo tempo eu sinto que gostaria que me dissessem a verdade. Eu gostaria que alguém chegasse pra mim e me dissesse tudo que eu acho que sou. Queria que alguém dissesse que eu sou uma gorda escrota, que sou preguiçosa, arrogante ou o que quer que pensassem verdadeiramente de mim. A pior coisa é levar passada de mão na cabeça e continuar cometendo os mesmos erros. Eu quero crescer e isso é importante pra caralho pra mim. Eu quero crescer apanhando igual massa de pão, igual o pão que o diabo amassou. Eu quero virar gente, porra. Eu quero virar gente nesse mundo escroto cheio de criança de 30, 40, 50, 60 anos. Eu quero ter maturidade. Talvez por saber que é isso o que mais me diferencia de todo mundo ao redor. A maturidade e a coragem. Mas isso só fecha o ciclo. Cada vez mais madura e mais só. Me atrevendo a acreditar que o mundo não passa daquilo que se mostra ser. Que não tem nada por trás. E nesse mundo sem continuidade, sem eternidade, sem volta, sem reencarnação, sem espríto, sem entidades, que valor tem ser melhor do que no dia anterior toda vez que acorda? Num planeta com data marcada pro fim, numa vida em contagem regressiva, que num belo dia se esvai simplesmente e foda-se a forma que você viveu, pra que eu quero isso? Se eu não consigo sequer mensurar quanto tempo dura o instante, se eu consigo ver que eles simplesmente vão embora e são irresgatáveis, que são efêmeros, que não são palpáveis - por que viver da melhor forma possível? Por que querer chegar em algum ponto? Não sei. Não entendo. Só sei que preciso ser assim. Só sei que tenho objetivo no meio do niilismo. Será que é isso que tem me deixado paralisada, irresponsável e preguiçosa? Me falta sentido pra querer acordar amanhã sendo alguém. Me falta sentido pra não ficar só com os prazeres imediatos e esquecer de todo o resto, e deixar as projeções do futuro de lado. Me falta algo, e eu sinto. Talvez algo que foi destruído esse ano, e que eu não sei se jamais conseguirei recuperar. 

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

02:05 da madrugada.

Escutando When the Levee Breaks (eu realmente adoro essa música) enquanto faço carinho em uma das pernas de Yuri que está ao alcance da minha mão. Sentada na cadeira com o meu computador. Ele dorme no quarto totalmente escuro. Penso se a luz azul do meu notebook atrapalha o sono dele (aprendi nas aulas de cronobiologia) e me viro de forma que a tela fique na direção oposta ao seu rosto. Agora isso me fez lembrar de como eu colocava o ar condicionado mais quente pra príncipe Lulu não sentir frio, mesmo que eu acabasse ficando com calor, e de como eu até lia no escuro pra não atrapalhar o sono dele com as luzes do quarto. Talvez faça falta ter alguém pra cuidar. Será que é por isso que eu gosto de passar tanto tempo com Yuri? Hoje ele me perguntou "por que você é tão linda e felizinha como um cachorrinho?", haha. E eu já tinha pensado antes que ele também é como um cachorrinho, tão carente de atenção e aprovação. Ele é tão simples e inocente. Enquanto ele dorme despreocupadamente, analiso mentalmente nossa relação. Eu sempre preciso mergulhar um pouco mais fundo do que o normal...
Não me lembro se algum dia tive uma relação tão saudável. Yuri sempre faz o que espero, às vezes até mais. Ele não joga. Não se faz de difícil. É tão sincero, honesto, um livro aberto. Eu nunca tenho dúvidas de que ele gosta de mim, nem sinto medo de perdê-lo ou desconfio que ele esteja fazendo algo que eu não gostaria que fizesse. Ele nunca se irrita ou perde a paciência. Nunca fica com raiva, só com ciúmes. Ele também não gosta de azeitona e também sempre senta com as duas pernas cruzadas em cima da cadeira. Ele se apaixona pelas minhas músicas preferidas e eu fico viciada nas dele. Ele se oferece pra fazer chapinha na parte de trás do meu cabelo quando tô me arrumando, abre a porta do carro pra mim antes de entrar. Ele diz que é proibido brigar e sempre tenta consertar quando erra ao invés de tentar me convencer de que está certo. Eu me pego tantas vezes me perguntando o que fiz pra merecer alguém como ele, ou quando tudo vai começar a dar errado. Eu sei que ter acontecido tantas coisas ruins comigo de uma vez só não passou de um produto da aleatoriedade do universo, e bem sei que Yuri não é uma compensação por tudo isso. Eu sei que ter sofrido tanto não me fez merecer nada e poderia sempre piorar. Não importa o quanto eu goste dele, não posso controlar o futuro. Mas por mim eu pararia por aqui. Já sinto que conheci o que tinha de conhecer, e isso não me faz sentir nenhum pesar. Eu bem passaria o resto da minha vida olhando pra esse rostinho lindo...

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Alienação

21:42, deitada na cama

"Alienação tem sua origem no termo 'alienus', que vem do latim. Significa estranho, forasteiro, averso, pertencente a outro. (...) A alienação é uma condição de perda de identidade, quando uma pessoa é privada de algo que lhe é próprio."

Tive tantas reflexões hoje. Tantas coisas sobre as quais eu gostaria de escrever. Sinto que o exoesqueleto se rompe, me sinto abençoada com o dom da observação. I feel like i can see right through everyone. Mas não posso escrever, porque estou numa condição alienante. Numa condição de trabalho que me deixa esgotada, suga, não deixa refletir, ecoar, amadurecer, conectar. Cansada, cansada e com saudades de mim mesma. Louca pra escrever, lembrar, filosofar, livre-pensar, conversar, não sentir essa creeping pressa que eu sinto o tempo todo, esse sentido de urgência, a angústia pela necessidade de correr mas só dispor de pernas cansadas. Desejante pela hora de ser. E cada vez mais consciente da impossibilidade pra mim de viver uma vida em que não há o tempo dos nadas. 

domingo, 6 de novembro de 2016

6/11, 4:27

Escrever tem se tornado mais difícil à medida que meu coração endurece. Eu já não tenho a mesma sensibilidade de antes, pra absolutamente nada dentre as coisas que amo. Antes eu podia fechar os olhos e pausar instantes. Eu podia sentir o sol sem pressa, eu estava sempre de olho nas nuvens coloridas ao entardecer. Hoje eu me senti um pouco como nesses tempos quando voltava pra casa de Yuri a pé, no caminho o pôr do sol atrás do Carrefour, os raios de sol contra a poeira fazendo parecer um filtro de filme francês, o vento forte sacudindo a copa das árvores, o silêncio tranquilo das ruas vazias. Me sentei num batente e Yuri ficou em pé, os cabelos loiro acinzentados fazendo contraste e sendo contornados pelo azul do céu. Eu me lembro perfeitamente do seu sorriso e de como ele contava que caiu de boca na BR. 

Agora eu escrevo no seu computador.
Você dorme, atrás de mim, silencioso como um anjo de cachinhos dourados fugido de um quadro renascentista. Eu te coloquei pra dormir acariciando seus ombros e costas e você me deu a outra mão pra segurar. Fiz isso por muito tempo mesmo depois de você ter adormecido. Senti cada pedacinho de encontro das nossas peles macias e lisinhas. Eu queria ter feito isso antes, meu lindo. 

Reli a conversa que encontrei ontem no seu facebook, em que você vai atrás de uma menina de 15 anos, dar agressivamente em cima dela. Enquanto estava comigo. Em que você elogia o corpo dela, dizendo que estava "secando" ela de cima do palco no Metal Jam, no mesmo dia em que eu fui te ver tocar guitarra e cantar. No mesmo dia que eu senti tanto orgulho de você, que te olhei com tanta admiração, que não tirei os olhos de você nem por um segundo pra você sentir que eu me importava tanto. Pra você saber que era valioso pra mim estar ali na primeira vez que você tocou num palco. Enquanto você trocava olhares com uma criança...
Releio a conversa em que você marca de encontrá-la na cientec justo no dia em que eu disse que não poderia ir e você tinha me dito que não iria sem mim, pra mais tarde mudar de ideia. E eu sabia que tinha algo de estranho nisso, sim, eu senti... releio você pedindo desculpas a ela por estar namorando.
Ah meu anjo, por quê? Por que você precisava ter feito isso comigo?

A gente tinha um acordo de exclusividade desde o início. Como eu posso acreditar em você quando você me diz que não ficou com ela? I should've known better... e você me diz que não tinha certeza se eu era fiel, se eu gostava de você. E daí? Eu também não e nunca faria isso com você. 
Eu te dei tudo que tinha, pelo menos tudo que restou pra oferecer depois que me destruíram. E eu não poderia ter feito nada diferente, nada melhor. Não podia ter te dado mais carinho ou segurança. Porque eu já estava fazendo o meu melhor... não era o suficiente pra você? Eu disse tantas vezes pra todo mundo que você era perfeito. E eu realmente acreditava nisso. Nunca precisei mentir nem aumentar nada pra te enaltecer. Você sempre foi tão lindo e amável. Eu nunca precisei inventar nada pra mim mesma nem pros outros. Não precisei colocar silver line in the clouds... 

How could ya baby, to ruin something so precious? Como eu posso acreditar em você e seguir em frente? You were my hero, my prince charming, my savior, my angel... eu gosto tanto de você. Não posso te deixar agora. Eu também não imagino mais a minha vida sem você. Eu também vejo que somos parecidos demais. Que temos a mesma essência...

Eu queria ter aproveitado mais antes, cada segundo meu de ingenuidade em que você era absolutamente celestial e sagrado. Queria ter contemplado você melhor, queria ter te ouvido com a cabeça vazia, queria ter te abraçado mais. Eu nunca mais vou poder voltar pra aquele tempo. A ideia que eu tinha de você se estilhaçou e não volta mais...

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Guilt & Evolution

Reflexões existenciais de um primata consciente.

Às vezes eu invejo minha criatividade e disposição no começo desse ano, de quando eu criei esse título.

Ultimamente eu tenho me sentido muito culpada. Na verdade, não ultimamente. Acho que durante a minha vida toda eu tenho me sentido culpada pelas minhas prioridades. Eu sempre me senti menos produtiva que os outros. Shallow, fútil, imediatista, indisciplinada e sem força de vontade. 

A teoria da evolução é como uma religião pra mim. Não como uma doutrina que me dá respostas prontas e inquestionáveis, mas porque é à teoria da evolução que recorro pra explicar os fenômenos do meu dia-a-dia: a minha existência como ser humano, as minhas relações com os outros. É o que me me mostra os nós que entrelaçam os fios do que aparentemente a princípio é mera coincidência. É a minha forma de compreender a vida.

Eu usei as coisas ruins que passei nesse ano como escudo pra me eximir das minhas responsabilidades, pra explicar porque eu tenho sido tão preguiçosa e descomprometida academicamente. Só que a verdade é que eu sou muito forte e quase indestrutível por dentro. A verdade é que mesmo com tudo que passei, eu estou inteira. Não ilesa, mas sim full of scars que abrem de vez em quando e eu ainda choro, ainda sofro. Então por que isso?
Por que eu só quero passar o tempo todo com Yuri, mesmo quando eu sei que isso vai prejudicar os prazos que tenho a cumprir? Por que não consigo me importar com o simpósio, por que tantas vezes eu cheguei atrasada nas aulas pra dar atenção pros meus amigos, ou porque passei tempo demais me arrumando? Por que eu tenho colocado estar com meus amigos/namorado acima de tudo? 

Imagina um ancestral hominídeo sentado numa cadeirinha, entre quatro paredes, com o sol entrando só por uma brecha (janela). Com um pedaço de papel onde estão escritas palavras que sequer são no seu idioma, sobre um assunto que não lhe trará nenhum benefício prático, enquanto lá fora passam a luz do sol, a natureza, oportunidades de acasalamento, socialização e satisfação de necessidades pras quais possuímos uma parte do cérebro especializada (hipotálamo) em buscar. Enquanto lá fora passa tudo que ele aprecia fazer, ele dá seu tempo (o recurso mais precioso que qualquer animal tem) como um trade-off, pra que no futuro ele talvez tenha benefícios em sobrevivência e reprodução. É difícil pra um hominídeo entender a relação entre ler um texto chato pra apresentar e o aumento do seu fitness daqui a 10 anos. E por que seria diferente pra mim? Por que eu não iria querer fazer o que eu nasci pra apreciar fazer, e ao invés disso eu deveria com prazer me engajar numa atividade contraintuitiva e antinatural? Esse é o trabalho que eu mais gosto de fazer, certamente. Mas só enquanto ele aumenta meu fitness imediatamente - quando conto descobertas pros meus amigos, quando uso o conteúdo que aprendi em papo de bar, quando ele me proporciona conviver com pessoas que gosto, formar alianças, quando me dá status social e aumenta meu valor de mercado. Só que pra gente entender tem que ser na hora e muitas vezes os outros estímulos, mais imediatos, acabam sufocando aqueles de longo prazo. Foi assim que eu cheguei onde cheguei, que deixei tudo acumular, que tô deixando a ansiedade tomar conta de mim. Mas eu simplesmente tive esse estalo, tive esse estalo agora e entendi. Achei na evolução mais uma vez uma explicação pra tudo.

Eu sou tão feliz por ter encontrado a área de conhecimento que é o lar do meu espírito. Preciso lembrar disso mais vezes.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

20/08



Gui, eu nao gosto de esculhambar ninguém, mas eu vejo sim. eu vejo os defeitos nos outros, os problemas, mas eu prefiro não dizer, pq o que adianta dizer? as pessoas vão se ofender e não vão ouvir. eu gosto de ver e aceitar, ver e entender, ver e gostar mesmo assim... entende?

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

In the future

[julho/16 e parece só um filme do qual conheço detalhes demais...]

Sometimes i'm talking to you, about your life, and i'm sure we're gonna be good friends one day.

Sometimes when we hang out and kiss, i'm certain that i wanna marry you.

Sometimes you tell me some stories that make me wanna run away from you

But there's also something that darkens my mind.

Will one day I look behind and see you with regret?

Will one day I feel sorry that your body has ever been inside of mine?

Will one day I think "I should have listened to the countless times that people told me "you are too pretty for him, too good for him"

Will one day I despise you?

Regret every minute that i've spent taking good care of you with my heart on?

Or that i've ever listened to your stories

or the days we were involved and so happy, will i feel disgust to remember them?

will i feel disgust with our joy? from your hands? from your cock? will i be able to see a bunch of flaws in you?

will i be sorry to say your name or will i be ashamed that we've ever dated?

will i see you online and feel indifference?


And how about everything that I felt? It's all dust in the wind, isn't it? Are you gonna be that one person to whom i felt something so strong that i'll never forget? or you just gonna be like everybody else that i easily forgot and threw away?

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

16/10/16

"Quer ver uma mágica?
Escolhe duas cartas. Você pegou dois oitos, um de espadas e um de paus. Agora segura elas duas na sua mão, bem na pontinha. O oito de paus tá em cima, o de espadas embaixo. Vou trocar eles de lugar, tá certo? Troquei. Você percebeu? Não? Então tá. Vou trocar de novo as cartas de lugar. Sentiu? Não? Então agora vira. 



Você entendeu? O rei e a rainha de copas, a gente..."

Ah, Yuri...

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Closure...

Heal myself - a feather on my heart
Look inside - there never was a start
Peel myself - dispose of severed skin
All subsides - around me and within
There's nothing painful in this
There's no upheaval
Redemption for my pathos
All sins undone
Awaiting word on what's to come
In helpless prayers a hope lives on
As I've come clean I've forgotten what I promised
In the rays of the sun I am longing for the darkness

https://www.youtube.com/watch?v=DJzvWSEBaBs

quarta-feira, 12 de outubro de 2016



Vows are spoken
To be broken
Feelings are intense
Words are trivial
Pleasures remain
So does the pain
Words are meaningless
And forgettable
Don't you understand, oh my little girl
All I ever wanted
All I ever needed
Is here, in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm...

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Hoje eu tava conversando com meu sobrinho

eu: posso te contar um segredo?
Lucas: pode me contar titia. Lembra que você me contou um segredo e disse pra eu não contar pro vovô? Ele já morreu e eu nem contei!

Pai, eu sempre quis te jogar na cara um dia tudo o que você me fez sofrer. Eu queria que você soubesse o quanto de problema que você me causou. O quanto eu sentia medo de você. O quanto a ausência do seu apoio, carinho e segurança me fez fraca, carente, vulnerável, desamparada. Eu nasci rebelde e você conseguiu me dobrar. Você conseguiu me fazer submissa, conseguiu fazer eu aceitar os maiores desaforos em silêncio e de cabeça baixa. Você me machucou profundamente na fase mais frágil da minha vida, na minha infância. Tantas vezes pensei em quem eu poderia ser longe de você. Se você fosse bom comigo. O quanto eu poderia ser confiante e segura e sem um lado negro dentro de mim. Porque você enegreceu meu coração, me fez raivosa e agressiva, um espelho de você. Você me fazia ser tão má quanto você só de estar perto de mim, contaminada com sua energia repressiva, opressiva, agressiva, vil, imatura, inconstante... eu costumava viver com tanta raiva e medo, ressentimento... mas se eu te contasse, você iria dar um jeito de culpar a mim, e não a você. Porque a culpa de tudo nunca era sua, em absolutamente nenhuma situação. Quando a gente discutia com você e você via que tava errado e ia perder, simplesmente nos mandava calar a boca. Sim, porque era você quem mandava aqui, pai, e nós éramos o quê? Como você dizia, meros parasitas. Dependentes, fracos, incapazes de sobreviver por conta própria. Você iria se importar se soubesse? Se você entendesse de verdade, você iria se compadecer de mim? Você iria enxergar em mim a criança ferida que você provavelmente foi? E se você ficasse com pena, se você me pedisse perdão, de que iria adiantar? O passado não iria voltar para que nós o vivêssemos de novo. No fim das contas eu continuaria sendo eu, sendo o que eu sou, sendo o que aquelas coisas me moldaram pra ser. O que eu queria eu acho era descontar, era te fazer sofrer. Era sair da minha posição de impotente, de braços atados, de submissa, pra ser a sádica, pra ser a infligidora da dor. Eu queria me vingar, queria que eu também tivesse potencial pra te fazer mal. E pra quê? O que diabos eu iria ganhar com isso?

É pai, eu sempre costumo pensar que você me deu dois presentes. Um em vida - nunca deixou que eu me apegasse demais nem me aproximasse demais de você. Assim você evitou que eu sentisse sua falta e enlouquecesse ou lamentasse tão profundamente a sua morte. O outro, na morte - você me mostrou que o relógio tá contando o tempo regressivamente e que eu não sou eterna e preciso aproveitar o que tenho agora. Eu sempre achei que queria que você morresse. Mas quando eu te vi morto, eu percebi que não queria que você tivesse morrido. É errado admitir que é muito mais fácil viver sem você? Ninguém nunca conseguiria aceitar isso. Você era meu pai, porra, e eu lembro tanto de você limpando minha bunda e fazendo teatro de bonequinhos quanto lembro de você tentando derrubar a porta do banheiro com uma faca na mão ameaçando minha mãe que tava trancada lá dentro, enquanto eu assistia tudo chorando e você cinicamente me ignorava. E eu nem sei o que sentir. Mas eu me saí bem, pai. Eu consegui não virar um monstro, eu consegui me distanciar de ser o que você era, de seguir seus passos. E eu vou continuar me reestabelecendo pra ser quem eu quero ser, ainda mais agora que você não tá aqui. E eu vou ser a melhor pessoa que conheço, e tudo de ruim que você fazia eu farei o oposto. Como sempre. Hoje faz 3 meses que você morreu. E a gente consegue levar. Os vermes... e eu te perdoei ainda por cima. Depois de tudo. E eu me sinto bem, me sinto bonita por dentro. Porque se eu fui capaz de perdoar você, eu sou capaz de perdoar até Lúcifer em pessoa se ele me aparecer. Um perdão que infelizmente só chegou depois que sua vida se apagou. Mas que aconteceu. Vamos ver o que eu vou pensar disso tudo daqui a mais meses. Se esse misto de pavor e gratidão vai se transformar em algo mais concreto. Se eu vou tomar um posicionamento finalmente, se vou parar de ter pesadelos com você...

Daddy's flown across the ocean
Leaving just a memory
A snapshot in the family album
Daddy, what else did you leave for me?
Daddy, what'd you leave behind for me!?
All in all is just a brick in the Wall...



domingo, 9 de outubro de 2016

Turn the page

Tudo na vida acaba, tudo na vida tem uma última vez. E como eu jamais poderia imaginar algum tempo atrás, hoje, dia 9/10, escrevo pra você pela última vez, Nathan. Porque em certas coisas eu preciso colocar pontos finais, ao invés de deixar sem pontuar ou colocar apenas reticências. 


Eu não vou fazer mal pra você. 
Eu quis esperar algum tempo pra que você pudesse sentir 1/5 do que sofri todas as vezes que você me largou sem mais nem menos. 
Mas eu não vou te caçar, não vou me vingar e nem tentar fazer você sofrer mais de nenhuma forma. Primeiro, por mim. Porque eu teria que ficar pensando, remoendo, me lembrando de você. Calculando meus passos, me estressando, me esforçando, tendo custos. Porque isso iria deixar Yuri chateado. Mas por outro lado, também é por você. É porque se você é alguém que acorda as cinco da manhã pra fazer comida pra alguém só pra enganar e manipular aquela pessoa, você tá muito de parabéns e deve estar na hora de largar engenharia e virar ator ou estelionatário profissional. Não... não foi tudo mentira, eu sei disso. Porque eu vi você se esforçar, eu vi você olhar nos meus olhos com sinceridade. Tudo bem, você é manipulador e isso é verdade. Mas ninguém consegue viver num papel o tempo todo. Só sendo muito doente e esse não é o seu caso. Você fez muito por mim e teve custos por isso, e eu sei que não foi tudo um grande golpe muito bem orquestrado pra massegear seu ego. Isso soa até um pouco ridículo, se a  gente levar em consideração tudo o que vivemos. Eu te vi se declarar por mim do fundo do seu coração algumas vezes, e eu também vi todas as incertezas que você sentia ao meu respeito. Você não fez por mal, mas fez algumas coisas más pra se proteger. Eu entendo você. Eu estava mais na sua do que você na minha e esse era um risco que eu corria o tempo todo, e que eu deliberadamente resolvi assumir. E no fundo tudo bem. Você me fez sofrer, mas tudo bem. Na vida não se pode ganhar todas. Pra que ganhar? Pra que me vingar? Pra sair por cima, pra ser quem faz sofrer, ao invés de quem sofreu? Bullshit. Perdi essa. Você venceu. Mas o que saímos ganhando? Espero que algo. Eu ganhei desconfiança e maturidade. Mas fui feliz e eu espero que você também, e como você disse, não tenho arrependimentos, de verdade, dos tempos ruins e bons. E que você seja daqui pra frente também. É tudo passado, don't worry baby. Não importa mais... eu já perdoei a mim e a você e espero que um dia você também faça isso. 

RIP

domingo, 2 de outubro de 2016

Você acabou de me mandar uma mensagem no whatsapp escrito "carry me home" do nada. 
Antes de você chegar hoje eu tava conversando com Vitória sobre gostar de várias pessoas ao mesmo tempo. Que quando eu tinha vários ficantes eu gostava de algo em cada um e o meu maior pesadelo era que um deles me exigisse exclusividade. E ela disse que sente algo parecido com as pessoas com quem ela fica. Que ela gosta de todos... o que você diria se eu te perguntasse se isso é possível? Acho que você ia dizer que "não bota fé não". Haha... mas talvez eu bote. Porque é fácil começar a gostar de você, ainda que eu pense em outra pessoa de vez em quando...
Eu já tenho tantas coisas pra agradecer. Se não fosse por você seria muito mais difícil enfrentar agora.
E eu nem sei o que te fiz pra você pensar que eu valho a pena tanta coisa. Tantas vezes eu deixei você falando só, marquei de sair com você bêbada e desmarquei em cima da hora, que eu te troquei pelos meus amigos, e mesmo assim você teve paciência... eu lembro que quando Nathan me largou você se ofereceu pra ficar comigo "cuddling", disse que era um bom ombro... com todo esse investimento você me faz sentir como se eu tivesse algum valor de novo. Com você desviando do caminho pra me dar uma carona pra eu encontrar com minhas amigas num rolé que você nem vai, comprando docinho pra mim toda vez que tô com você, aceitando prontamente toda vez que eu te chamo pra qualquer coisa.
Você é lindo... eu deveria ter bebido mais, pra ter dito isso todas as vezes que eu senti vontade de dizer hoje. Às vezes é uma merda ser tão tímida. Você canta tão bem, você é lindo quando tenta me impressionar tocando violão e beijando ao mesmo tempo, você é lindo colocando meus dedos nas casas e cordas certas, você é lindo tenso porque o filme é sobre pacto, você tem um corpo muito bonito, você é lindo quando é dominador sem nem saber que essa é a minha vibe... você é tão lindo que hoje quando a gente tava indo embora Érica me abraçou pra falar discretamente "amiga, ele é gato fdd viu" haha, é mesmo.
Tem dias que eu já sinto falta de te abraçar. Eu sou muito carente, não tem jeito. Me prometi que ficaria sozinha dessa vez mas não consigo. Porque eu fiquei tão melhor depois daquele dia que você passou horas me abraçando. Porque é tão melhor poder deitar num ombro largo e receber carinho de mãos fortes. Tudo fica mais fácil com o calor de outra pessoa. Porque é tão melhor esquecer as bads assim... 

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Indiana, let it go

I, i do declare i was surprise to see you stay
only to be betrayed by the one you gave all your love and trust to...



Eu adoro essa frase. Nunca assisti o filme, mas sei relativamente o contexto da cena. Em Indiana Jones e a Última Cruzada, ele passa por poucas e boas junto com o pai pra tentar recuperar o Santo Graal. Num dado momento o chão se abre e o pai segura ele, e ele segura o cálice na outra mão. Então o pai dele diz "Indiana, let it go." Eu sempre penso nessa frase quando me apego demais a qualquer coisa, ou quando vejo alguém apegado demais a qualquer coisa. Indiana, let it go.

[cheguei em casa strunk (stoned+drunk) e vou tentar continuar esse texto que comecei hoje a tarde antes de cochilar]

Tinha um roteirinho. Eu até me greei no ônibus pensando no que ia escrever hoje. Ontem eu fui estudar o conteúdo da aula que vou dar (estratégias reprodutivas de longo prazo femininas), e a cada página de preferência feminina que eu lia era "vixi, exatamente o oposto que Nathan fazia" haha. Compromentimento, confiabilidade, segurança... ahhahaahha. E o pior é eu estudar e ficar pensando nisso. Que patética... é como na música do Led "said you've messed up my happy home... made me mistreat my only child... my child sendo a evolução, meus estudos, o mestrado...
Tem sido como ficar deitada na cama. Meu relacionamento com ele. É como quando você coloca o despertador pra acordar, mas você foi dormir tão tarde ontem. Você tem tão poucas horas, e vai acordar cansado. Aí você quer continuar na cama mais um pouco. Porque a cama é quentinha, macia, confortável e você se sente bem nela. A minha cama com edredom debaixo do ar condicionado em 17ºC e numa conchinha confortável. E você tá cansado pra caralho. É isso que esse relacionamento era pra mim. Por isso é difícil sair, deixar, parar de dormir cheirando a camisa. Que inclusive eu já cheirei quando cheguei em casa; que faço sempre. É como um oi, cheguei de novo. Oi, hoje eu beijei outro cara, você me perdoa? Eu tomei banho pra não estragar o cheirinho. Me perdoa e não perde o cheirinho, por favor. 
Dwelling, dwelling on the past
Eu até sonhei que você morria. Foi horrível. Cada músculo do corpo deixando de funcionar... como eu assisti Lulu deixando de funcionar também. E eu pensava que não, que era impossível, era impossível você morrer...
A gente jogou sinuca hoje e eu pensei que você ia gostar de estar lá. Sempre tem uns momentos em que eu penso assim "se ele estivesse aqui ele estaria gostando disso"... Indiana, let it go. 
Às vezes eu acho que consegui gostar mais de você do que você gosta de si
Talvez eu devesse ficar em casa e admitir a minha tristeza ao invés de ficar por aí fingindo que tá tudo bem. Ou tá tudo bem e eu tô fingindo que tá tudo mal? Me perdi. Perdi. The art of losing isn't hard to master... era uma boa lição pra você, talvez. Eu devia ter desconfiado desde essa história de jogar o jogo de perder. Que você não gosta nem um pouco disso...
40% do tempo brigando. Quem calcula essa porcentagem, e nem esse tanto anyway
Me disseram que a palavra pra te descrever era "arrogante"
"Quem já sabe de tudo não aprende nada novo"... dizia o Blind dog Fulton no filme de Blues
Indiana,

terça-feira, 27 de setembro de 2016

The future is uncertain and the end is always near

Don't you love her madly?
Don't you need her badly?
Don't you love her ways?
Tell me what you say
Don't you love her as she's walking out the door
Like she did one thousand times before?

Tudo bem, devo admitir que há beleza na dor. E não ter ansiedade pra pular fases. E suportar, suportar. Devo admitir que há algo de interessante em ficar ouvindo Don't look back in anger, Hell is living without you, November rain, Since I've been loving you, ou o Soft Parade inteiro pra me embalar. Em ficar procurando algo de diferente pra fazer, preencher o vazio que sobrou no lugar do tempo que era spent with you. Outro dia eu baixei um filme sobre Blues. Esse filme me fez querer saber mais sobre blues e adivinha... a maior parte das músicas do Led Zeppelin I é regravação de músicas de Willie Dixon, um dos maiores nomes do Blues. O cd que você me deu, lindo no encarte da Atlantic Records, que decora meu quarto na minha parte preferida dele, onde ficam meus livros. Peguei ele pra ouvir, nunca tinha ouvido, e quando abro "parabéns Catiora. Assinado Catioro". Quando você me deu esse cd eu fiquei tão feliz porque pensei "ele prestou atenção no que eu disse. Que eu me desfiz de algo importante pra mim por uma besteira e agora ele tá me dando de volta, ainda melhor do que aquilo que eu tinha". Foi bonito... será que você sentiu algo parecido algum dia, por alguma coisa que eu fiz?
O namorado de Sarinha morreu. Lembro quando a gente conheceu ele. Ele tava vendendo cerveja e a gente tinha acabado de ser assaltado na Ribeira. Ele te vendeu umas gelas... teve um ataque cardíaco de repente, e ele tinha só trinta e tantos anos. Lembra quando a gente tava conversando aquela vez, que eu te disse que gostava de saber que tava aproveitando o máximo que podia porque a gente poderia morrer de uma hora pra outra e eu não queria me arrepender? E você me perguntou se eu achava que tava aproveitando, coisa assim. Eu achava sim, mas como uma frase dita por um demônio no filme "Ain't nothing ever as good as we want it to be". Porque quando olho pra trás eu sempre sinto que queria mais. E antes de dormir eu costumava pensava em você. E quando eu sentia medo de morrer, de deixar de existir, quando eu achava que a vida não fazia sentido eu lembrava de como era bom estar com você e isso já era motivo suficiente pra fazer valer a pena o fato de eu estar aqui e passar por todo esse sofrimento de enfrentar uma vida com um relógio em contagem regressiva. E por isso eu sempre pensava que no dia seguinte eu ia fazer melhor ainda e te olhar mais e te tratar melhor e não me estressar com coisas pequenas... e você sempre me deu uma sensação de "love me two times, i'm going away". Não podia take it for granted, take you for granted. Eu fico me perguntando se ela se arrependeu de algo que não fez por ele, algo que não disse. Se ela se arrependeu por não aproveitar. E pensando se você teria algo pra me dizer se soubesse que eu ou você iríamos dormir e no outro dia não acordar mais. Eu teria muitas coisas pra dizer... mas a gente sempre acaba esquecendo que isso é possível, não é? E o Roadhouse Blues diz the future is uncertain and the end is always near...
No filme tem uma cena em que o personagem principal é largado por uma mulher. E o Willie Brown diz pra ele "Blues ain't nothing but a good man feeling bad thinking about the woman he once had". Aí eu percebi que deveria voltar a tocar guitarra. Eu nunca toquei nada pra você... e enquanto tocava lembrei da vez que a gente tava sentado na cama e você puxou seu violão/guitarra (a memória já começa a falhar...) e ficou tocando uma música bonita que eu conhecia. Eu fiquei olhando pra você sorrindo e você me perguntou o que foi e eu só disse "nada, só tô achando bonito você tocando". Só... e eu quero te transformar em blues também.



Tenho sonhado com você todos os dias, como da outra vez que terminamos. Daquela vez, o conteúdo dos sonhos era de ciúmes, perseguição e decepções, mas agora são sempre coisas boas: um dia sonhei que você sentava no meu colo e encostava a cabeça no meu ombro e me pedia desculpas pelas coisas que fez; no outro dia sonhei que eu mostrava pra minha mãe que conseguia te segurar nos braços e depois a gente ia ver a chuva cair no meu jardim, e até de ontem pra hoje, que você disse várias coisas pra me ferir, eu ainda sonhei com a gente combinando de ir pra uma casa de praia. 
Eu achava que vinha sonhando com você por dormir abraçada com a camisa que você me deu, que ainda tem cheirinho. Outro dia cheguei em casa bêbada e fiquei um tempão pensando se eu cheirasse a camisa demais ela ia perder o cheirinho, ou talvez no contato com meu corpo ou se eu guardasse na gaveta, ou se minha mãe colocasse pra lavar enquanto eu não tava em casa... ou se eu ia deixar de gostar de você antes de perder o cheirinho e aí não teria mais com o que me preocupar. Mas ontem eu não quis dormir com ela e mesmo assim... talvez meu cérebro goste de simular memórias felizes pra me dar de presente por entender que nenhuma dessas memórias poderá mais ser criada no mundo real.
Tô com tanta pena de te esquecer. Queria que tivesse como guardar um pedacinho daquela pessoa que conheci no começo do ano. Já pensou se a gente pudesse colocar numa caixinha, num dispositivo, e pudesse revisitar aquela memória sempre que quisesse? Sentir todos os detalhes, os mesmos sentimentos... eu ficaria com um dos dias logo no começo, você era tão inocente e doce. O homem mais meigo que  já conheci, um gatinho manhoso de olhares demorados... você era tão especial pra mim e era tão fácil escrever sobre você, porque você era como um anjo, um muso... você atravessou toda a minha frieza and reached me. Derreteu meu coração com o seu jeito de ser. E eu vivi por isso por muito tempo... você ainda tinha isso dentro de si antes de me dar as costas. Sinto muita saudade desse seu lado... mas o tempo se encarregará de transformar o meu apego numa lembrança vaga. Eu só quero poder escrever, escrever e lembrar. Porque se eu não transformar isso em material, tudo vai se perder. Eu passei 3 anos namorando com um cara, me peça pra citar 3 dias que passei com ele. Eu simplesmente não lembro. Que triste perder você e tudo que eu criei e construí. Todo o amor e o carinho, o tormento, a intensidade, as tristezas, o encantamento, a alegria, as decepções... it was a nice ride mas eu espero que isso sirva de lição pra eu não me apaixonar nunca mais, por ninguém. 

domingo, 18 de setembro de 2016

"Sometimes you can't sleep because your brain and heart feel so full and overwhelmed with the goodness and blessings of life. How fragile it is and how precious. I want to spend every day appreciating every moment to the fullest and serving God, my family and the people of the world who I effect, in a positive way. If I can't do that, I am nothing. The beauty you create and the sweetness you share changes the world in ways you may not even see...never stop trying to be broken, be vulnerable, be a mess, that's how we grow and become the best version of ourselves."

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Saldo

Um dia Vitória me mandou um vídeo da Viviane Mosé sobre sofrimento. Resumidamente, ela dizia que "o sofrimento é o rompimento da alma pra que ela possa se tornar maior". Pensando em alguma relação com a natureza, só me vem à cabeça o exoesqueleto. Eu não sou bióloga, mas a pouca noção que tenho é a de que os animais que tem esqueleto externo precisam se soltar de dentro dele de tempos em tempos, pra poder criar outro maior. Outro no qual eles caibam, com seus novos tamanhinhos. E durante um período de tempo, eles ficam expostos e frágeis. Até que sua nova carcaça cresça e volte a os proteger. 

Esse foi um ano em que meu exoesqueleto foi rasgado à força várias vezes. E todas as vezes que isso aconteceu, eu construí outro com um tamanhinho maior do que o anterior. A força vem da dor e da fraqueza. A adaptação só pode vir da variação. E o verdadeiro conceito de evolução (biológico) é adaptação. Evoluir é adaptar. Porque cada vez que me tiraram um exoesqueleto eu fiquei maior e não tinha mais como voltar pra aquele de antes. Precisava de um novo, e outro, e outro.

Por que os animais não nascem com todos os comportamentos pré-programados geneticamente? Por que existe aprendizagem, se o aprendizado tem custos? Se o aprendizado demora? Se existem comportamentos inatos, se existem padrões fixos de ação, por que TODOS os comportamentos não são logo assim? A primeira vez que me fizeram essa pergunta eu fiquei intrigada, mas a resposta é simples demais. A aprendizagem permite que o animal se adapte ao ambiente muito mais do que o comportamento inato. Ele pode custar mais tentativas e erros, mas num ambiente que varia, o aprendizado é extremamente vantajoso. Porque se você nasce pra agir de forma x, e o ambiente oferece y que não condiz com x, se fudeu, você vai ser extinto. Mas se você tem a chance de aprender, você saberá lidar com x e y. Talvez aprender seja a coisa mais bonita que existe na vida. Pelo menos enquanto seres humanos. Mesmo os animais que possuem comportamentos inatos são capazes de melhorar alguns deles com o tempo. Ou seja, podem aprender a fazer melhor mesmo aquilo que já nasceram programados pra fazer.

Eu sinto que foi isso que fiz nesse ano. Aprendi, aprendi tantas coisas. A vida se encarregou de criar caminhos espinhosos pra que eu pudesse ferir meus pés descalços neles. Pra que eu pudesse ser outra. Eu cresci muitos anos em poucos meses. E ainda tenho muito mais pela frente. Se eu fosse explicar a minha situação atual, eu me colocaria num meio termo entre Learning to Live e Simple Man. Tenho aprendido a perder, a ser simples. A procurar a simplicidade, a beleza, a verdade e o que é singelo. Venho encontrando quem sou e quem quero ser, me espelhando em exemplos, buscando dentro de mim o que verdadeiramente sinto. Eu tenho encontrado humildade, serenidade, paciência, gentileza, bondade, solicitude, carinho, amor, generosidade, determinação. A dor me torna mais próxima de ser quem eu sou toda vez que aparece. Tenho viajado pra dentro, a fundo. Me conhecido. E sentido mais carinho por essa pessoa que observo no espelho. Outro dia eu até saí de cabelo cacheado e me senti bem, me senti bonita. Agora eu costumo admirar meu corpo, que vai tomando a forma que eu desejo conforme minha dedicação. Estou escutando tão bem a voz que conversa comigo de dentro que percebo a cada dia o que sinto e porque sinto. Contemplo.

Hoje Marié me disse assim "sabe quando você vê uma mulher e queria trocar de corpo com ela? E queria ser ela? Você seria quem?" e eu mandei um "Megan Fox" bem genérico. Mas eu não queria ser a Megan Fox, porque a Megan Fox obrigatoriamente teria outra vida, e eu não quero. Eu quero essa que ganhei do acaso, do jeito que ela é. Um dia eu publiquei no meu antigo blog ~horrorrshow~ um trecho que dizia "e não há mendigo que eu não inveje, só por não ser eu". E quando eu revi essa frase eu senti que hoje já era tão fortemente o contrário. É mais comum eu me preocupar que os outros não estejam vivenciando emoções tão boas de sentir quanto as que sinto. Quando encontrei Mari ontem, eu estava bem mais tranquila do que no dia anterior, quando a encontrei também, em que eu estava totalmente inquieta, gaguejando, estranha... e eu refleti sobre o quanto eu estava bem: estudando o que amo, na área onde me encontrei, cercada de pessoas que gosto, apreciando os momentos enquanto eles acontecem. Eu não escolhi nada, mas Epicuro me ensinou a me alegrar com as coisas simples. Com o que tenho. Com o calor do sol da minha cidade, com o cinza da chuva ocasional. Com o amarelo forte dos ipês floridos, com os olhos de piscina de Marié, as covinhas do sorriso de Nathan e os abraços apertados de Vitória. É tanto amor que eu só posso dizer que o meu saldo é sempre positivo. Mesmo depois de tudo. E eu não troco de lugar com ninguém. 

sábado, 10 de setembro de 2016

"Volte trinta mil anos no tempo em uma máquina do tempo. Conheça alguns espertos Cro-Magnons na França pré-histórica. Explique nosso moderno sistema de capitalismo consumista para eles. Será que a expectativa de prosperidade, lazer e conhecimento crescente os motivará a inventar a agricultura, a criação animal, cidades muradas, dinheiro, classes sociais e o consumo conspícuo? Ou eles iriam preferir estagnar em seu nível de cultura Aurignaciano, partindo carvão e pintando cavernas? (...)

Você encontra alguns Cro-Magnons numa tarde, e explica que nossa cultura oferece uma vasta cornucópia de bens e serviços para demonstrar as qualidades pessoais de alguém de dez mil novas maneiras para milhões de estranhos. Alguém pode adquirir esses displays de mérito pessoal "comprando-os" com "dinheiro" ganhado através de "trabalho qualificado". Você promete que se eles persistirem em sua obssessão de quebrar carvão, então em apenas alguns milênios seus descendentes serão capazes de aproveitar inovações culturais como a irrigação do cólon e o YouTube. (...) Você abre espaço para algumas perguntas da audiência. Um dos machos adultos dominantes, Gérard, tem escutado com entusiasmo, e parece ter compreendido a ideia. Mas Gérard tem certas preocupações - algumas delas podem soar extremamente sexistas para seus ouvidos modernos, mas no espírito da objetividade científica você se sente na obrigação de respondê-las com honestidade. Gérard pergunta:

Então, Homem-do-Futuro, com esse negócio de dinheiro, eu posso comprar vinte mulheres jovens dispostas a ter meus filhos?

Não, Gérard. Desde a abolição da escravidão, não podemos oferecer sucesso reprodutivo genuíno na forma de parceiros férteis a venda. Existem prostitutas, mas elas tendem a usar contracepção.

G: Bem, então eu terei que seduzir as mulheres para que elas queiram procriar comigo. Eu posso comprar mais inteligência e carisma, melhores habilidades de contar histórias e piadas, mais altura e musculosidade?

Não, mas você pode comprar alguns livros de auto-ajuda que tem algum efeito placebo, e alguns esteroides que aumentam ambas a massa muscular e a irritabilidade em 30%.

G: Ok, eu serei paciente e esperarei que os meus rivais sexuais morram. Eu posso comprar mais cem anos de vida?

Não, mas com a maravilhosa assistência médica moderna, sua expectativa de vida pode aumentar de 70 para 78 anos de idade.

G: Essas respostas negativas me enraivescem, me sinto agressivo. Posso comprar armas mais avançadas para matar meus rivais, especialmente aquele bastardo Serge, e os homens de outros grupos familiares e clãs, para que eu possa roubar as suas mulheres?

Sim. Uma escolha eficiente seria o rifle automático 12, que pode disparar cinco rodadas de fragmentos auto-explosivos anti-pessoas por segundo. Ah, mas eu acho que os seus rivais e membros de outros clãs e famílias provavelmente iriam comprá-lo também.

G: Então nós acabaríamos em outro nível de détente clã-versus-clã. E haveriam mais brigas letais entre jovens de cabeça quente dentro do nosso próprio clã. Então eu fico contente com minha parceira, Giselle - eu posso comprar sua devoção incondicional e orgasmos múltiplos para que ela nunca me traia?

Bem, na verdade, amantes ainda traem no capitalismo; a incerteza da paternidade persiste.

G: E quanto à mãe e a irmã de Giselle... será que eu posso lhes comprar personalidades mais gentis, para que não façam tantas críticas sobre meus pontos fracos?

Infelizmente, não.

Então Giselle, parceira de Gérard interrompe com algumas perguntas próprias, que você responde com cada vez menos ânimo:

Giselle: Homem do futuro, eu posso comprar um amante bonito, charmoso e de alto status que nunca irá me ignorar, me bater ou me deixar?

Não, Giselle, mas nós podemos oferecer novelas românticas que descrevam aventuras fictícias com tais amantes.

G: Posso comprar mais irmãs, que irão cuidar dos meus filhos pequenos como se fossem seus, enquanto eu estou longe colhendo groselhas?

Não, empregados que cuidam de crianças tendem a ser garotas mal pagas, sobrecarregadas e mal educadas que se importam mais em mandar mensagens para seus amigos do que cuidar dos filhos de estranhos.

G: E nossos filhos adolescentes – Justine e Philipe? Posso comprar seu respeito e obediência, e bom gosto para que escolham bons parceiros?

Não, marqueteiros irão fazer-lhes lavagem cerebral para que eles ignorem sua sabedoria social e para que façam sexo com qualquer um que use roupas da Hollister ou beba Mountain Dew AMP Energy Overdrive.

G: Zut, alors! Mange de la merde et meurs! Esse negócio de dinheiro parece inútil. Pelo menos eu posso comprar uma carcaça de mamute que nunca apodreça? (...)

O resto da audiência permanece cética. Você tenta reconquistar o interesse deles explicando todas as coisas para acampamento que o consumismo oferece para os móveis Cro-Magnons: óculos de sol, facas de aço, mochilas e tênis de trilha e corrida. Então a mãe de Giselle, Juliette pergunta “Então, o que precisamos fazer para ter essas facas e sapatos?” Você explica “Tudo o que você precisa fazer é sentar em salas de aula todos os dias por 16 anos para aprender habilidades contra-intuitivas, e então trabalhar e viajar diariamente 50 horas por semana por quarenta anos em empregos tediosos para corporações amorais, longe dos seus parentes e amigos, sem nenhum cuidado infantil decente, senso de comunidade, empoderamento político ou contato com a natureza. Ah, e você vai ter que tomar remédios especiais para evitar o desespero suicida, e para evitar ter mais do que dois filhos. Não é tão mau, sério.” (...)

É verdade, a vida moderna pode ser uma maravilhosa “Funky town” para o 0.01% mais rico da população do planeta. Entretanto, uma avaliação mais justa iria contrastar a forma de vida de um humano pré-histórico médio e o estilo de vida de um humano moderno médio.

Considere o Cro-Magnon comum de 30 mil anos atrás. Ela é uma mãe de três filhos saudável de 30 anos de idade, vivendo em um clã fechado de família e amigos. Ela trabalha apenas vinte horas por semana coletando frutas orgânicas e vegetais e flertando com homens que lhe darão carne criada ao ar livre. Ela passa a maior parte do dia fofocando com amigos, amamentando seu bebê mais jovem, e assistindo suas crianças brincarem com os primos. Ao entardecer ela desfruta de narração de histórias, catação, dança, tambores e canções com pessoas que ela conhece, gosta e confia. Apesar de que ela só é medianamente inteligente, atraente e interessante, a maioria dos seus companheiros de clã também o são, então eles convivem bem. Seu namorado também é somente mediano, mas eles frequentemente têm ótimo sexo, uma vez que os machos evoluíram maravilhosas novas formas de preliminares: conversação, humor, criatividade e gentileza (cerca de uma vez por mês, ela se encontra secretamente com seu enigmático amante, Serge, que tem 11 assassinatos de Neandertais confirmados, mas cujo toque é como chuva quente em flores alpinas). Toda manhã ela acorda gentilmente ao nascer do sol sobre os seis mil acres da costa verdejante da Riviera francesa que pertence ao seu clã. Dado que a taxa de mortalidade é muito baixa após a infância, ela pode esperar mais quarenta anos de vida, durante os quais ela vai crescer cada vez mais valorizada como uma mulher de sabedoria e status.

Agora considere o trabalhador americano médio no século XXI. Ela é uma caixa de 30 anos solteira, que dirige um Ford Focus e vive em Rochester. Ela é medianamente inteligente (QI 100), tendo tirado Cs em algumas cadeiras antes de abandonar a faculdade da sua comunidade local. Agora ela tem esse trabalho no varejo, trabalhando 40 horas por semana no Piercing Pagoda no shopping EastView, a 50 milhas dos seus pais e irmãos. Ela é só medianamente atraente e interessante, então ela tem alguns amigos, mas nenhum namorado estável. Ela tem que tomar as pílulas Ortho TriCyclen para evitar engravidar de seus encontros sexuais bêbados com estranhos que raramente retornam suas ligações. Sua estabilidade emocional é somente mediana, e porque Rochester é escura durante todo o inverno, ela toma Prozac para evitar o desespero suicida. Ao entardecer ela assiste TV sozinha. Toda noite ela fantasia ser amada pelo Johnny Depp e amiga da Gwen Stefani. Toda manhã ela acorda ao som do despertador próximo da sua planta falsa de borracha chinesa, em seu apartamento de 180m². Graças à medicina moderna, ela pode esperar mais 45 anos de vida, durante os quais ela irá se tornar cada vez menos valorizada como um obsoleto fardo para a assistência médica. Pelo menos ela tem um iPod..."

Darwin vai ás compras - Geoffrey Miller

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

The hazards of writing

21/08/2015

The hazards of writing
Aqui estou hoje repetindo um ritual praticado pela última vez muitos anos atrás, o qual consiste em apagar todas as luzes de madrugada, abrir um arquivo do word e escrever. Escrever é um processo difícil, lento e doloroso. Quando você fala de si, e do que sente... primeiro precisa agarrar seu coração com as unhas, e apertar até sair um pouco de sangue. Esse sangue é de onde vem as palavras, que vão a indicar as suas dores.

Aqui estou hoje repetindo um ritual praticado pela última vez muitos anos atrás, no tempo em que minha vida era como uma irresponsável e impulsiva direção embriagada. Nessa época eu não pensava em morrer, finitude, angústia, e muito menos em prazos a cumprir, contas a pagar e deveres a honrar.
O ritual consiste em me sentar diante da tela do computador e me despir dos pudores dos barulhentos e afiados julgamentos humanos. Aqui, no escuro silencioso da madrugada, eu posso ser quem sou, e confessar o que eu sinto, para que ninguém possa ouvir. Quando eu era criança, herdei uma coleção de livrinhos de contos de fadas (aqueles dos irmãos Grimm), e o meu preferido era o da Guardadora de Gansos. Os livrinhos vinham com fitas cassetes com as histórias narradas e momentos cantados. A minha parte preferida era quando o rei sugeria a guardadora de gansos contasse seus segredos pra uma sala vazia, e até hoje sou capaz de cantar essa parte da canção. Quando contamos nossos segredos pros outros, eles saem contaminados. Contaminados com o que gostaríamos que os outros pensassem de nós. Somente quando falamos sozinhos, é que podemos dizer a verdade. Então eu estou aqui, pra lapidar minhas dores nas mais belas palavras, pra que assim eu possa encontrar beleza na escuridão, e quando olhar pra trás, enxergar ela e nada mais. Escrever não é algo fácil. Precisamos agarrar o coração com as unhas, e deixar sangrar, suportando a dor. Quanto mais tempo você suporta, melhor é capaz de ouvir o que realmente está dentro de si.

Eu olho pra mim hoje e o que eu vejo... alguém entorpecido emocionalmente. Eu me tornei com o tempo, Comfortably numb. Eu esqueci a sensação de ser desejada, e de me desejar. Esqueci a sensação de me sentir no topo do mundo como antes. Esqueci a sensação de que eu tinha tudo em minhas mãos. E agora o que eu tenho são os monos... monotonia, monogamia, monólogos, monografia.

Eu preciso correr.
Eu cometi um erro.
Erro desses que consegui passar muito tempo longe de fazer.
Eu confessei meus sentimentos verdadeiros pra alguém.
Eu não suporto o impulso. O amor dói, queima, espanca, arde e faz tudo de mal.
Eu não posso sentar na janela como um cãozinho que espera pela volta do dono.
Eu não posso me deixar ajoelhar diante de ninguém.
Falling in love is the road to Awe

Ontem eu passei a noite acordada de madrugada depois que você falou comigo. Eu não conseguia dormir, o coração batendo num ritmo anormal, o espírito mergulhado numa alegria ingênua e completamente tola. No silêncio da madrugada em que eu só teria a minha disposição um par de horas pra dormir, meu cérebro não me deu descanso enquanto não sonhou com uma dezena de situações que poderiam seguir os nossos dias, adiante. Eu sou assim mesmo, eis a dimensão da minha estupidez. Eu sou a pessoa que perde o sono imaginando lindos momentos tão obviamente impossíveis de acontecer. Eu sou aquela pessoa que sonha em ouvir todos os álbuns do Pink Floyd com a outra. Que imagina como seria o toque das mãos, o encontro. Que sonha em sentar no bar com alguém e falar todas as verdades depois de um pouco de álcool pra dar impressão de que foi sem querer. Eu sou a pessoa que consulta o celular toda hora tal qual o cãozinho que espera o dono voltar do trabalho olhando pela janela. E você, o que é... eu não tenho nem coragem de saber. Não tenho coragem de admitir que os sonhos sejam mais que sonhos. De deixar que a coleira e correntes se quebrem. De permitir que a vida se torne tão imprevisível quanto uma cuspida no ventilador. De me tornar mais do que um estranho pra alguém. De aceitar que as letras das músicas passem a significar algo de novo. De sentir a mais profunda satisfação com a mera existência. De sorrir na rua perdida em devaneios. Me assusta a forma como a paixão nos deixa ao relento. Nos faz servos. Nos faz sedentos, viciados. Me assusta a forma como corremos vigorosamente só pra depois voltar pro mesmo lugar como se fóssemos atraídos por uma força magnética. Nos faz capazes de milhares de profundas reflexões em um minuto, sopra na vida comum o lirismo, às custas das dores de cabeça.