domingo, 18 de outubro de 2015

Notas



Outro dia eu estava assistindo um dos vídeos do Clóvis de Barros Filho (um filósofo) em que ele dá um conceito interessante sobre felicidade: é um momento que você deseja que não acabe. 

Eu tenho vivido muitos dias de felicidade genuína. Cada momento que passa, eu não quero que acabe, e tantas vezes me dá uma vontade de segurar o tempo com as mãos, mas ele vai embora feito areia fininha de ampulheta. 

Isso me faz lembrar do momento em que o Lorde Wotton conhece Dorian Gray, e lhe fala:

"O verdadeiro mistério do mundo é o visível, nunca o invisível... Sim, Mr. Gray, os Deuses lhe foram favoráveis. Mas o que os Deuses dão, tornam a tomar depressa. Serão poucos os anos que poderá viver, realmente, perfeitamente, plenamente; sua beleza se esvairá com a mocidade e imediatamente lhe será fácil reconhecer que não mais poderá contar com triunfos, senão viver dessas migalhas de triunfos, que a memória do passado tornará mais amargas que as derrotas. Cada mês de vida que se vai aproxima-o de qualquer coisa terrível. O tempo tem ciúmes de si e castiga os lírios e as rosas. (...) Viva! Viva a maravilhosa vida de que dispõe! Não queira perder nada! Busque sempre novas sensações! Nada receie... Um novo Hedonismo, eis o que pede este século. O símbolo tangível pode estar em si. Nada há de relativo à sua personalidade que não possa realizar. O mundo é seu, por algum tempo!"

O mundo é meu, mas durante uma curta temporada... até a felicidade tem gosto amargo quando se sabe o quão rápido ela tem fim.

Quando eu era mais nova e ouvia muito Metallica, uma das músicas deles de alguma forma me deu uma lição de que "se você não tem nada, não tem nada a perder". Desde então eu tenho me esforçado para nada ter, e nada perder. Eis que agora tenho tudo quanto poderia querer em mãos, e me assombra o fantasma da mudança, ceifador das pequenas felicidades dos momentos perfeitos.