domingo, 30 de agosto de 2015

"Louis encarou-a, perplexo. Tinha quase certeza de que uma das coisas que mantivera firme o casamento dos dois (quando os casamentos de seus amigos desmoronavam a cada ano) era o respeito que tinham pelo "mistério" - a ideia percebida, mas nunca expressa de que, quando se vai ao fundo do poço, talvez não exista nada de casamento, união. Cada alma permanece sozinha e avessa a qualquer racionalidade. Aí estava o mistério. E por mais que se acredite conhecer o parceiro, às vezes nos vemos num beco sem saída e podemos cair num buraco. E outras vezes (raramente, graças a Deus), enfrenta-se um sólido bolsão de absoluta estranheza, alguma coisa como uma turbulência em um céu limpo que pode golpear um avião sem motivo aparente. Pode ser uma atitude ou crença de que nunca se tenha suspeitado, algo tão peculiar (ao menos para nós) que pareça quase psicótico. E então nos afastamos de mansinho, em nome do casamento e de nossa paz de espírito; não podemos esquecer que a ira diante de uma tal descoberta é o território preferido dos loucos que acreditam que uma mente possa conhecer outra."

Stephen King (Pet Sematary)

Runaway

"It's only just a crush, it will go away
It's just like all the others, it will go away
Or maybe this is danger and you just don't know
You pray it all away but it continuous to grow"

Eu não posso ficar mais perto de você.
Quanto mais tempo passar por perto, mais vou sentir sua falta quando estiver longe.
Na minha vida não há mais espaço pra lamentar ausências.
Não pode haver.
É perigoso demais começar a se sentir assim.
Logo os seus sentimentos estão entregues nas mãos de alguém...
E você não tem a menor ideia do que será feito deles.


sábado, 29 de agosto de 2015

Mesa 10

(Sobre um experimento de beber e escrever)

Desde que abriu um bar na esquina da rua da minha casa, deixou de ser algo estranho para mim vir aqui sozinha beber e fumar quando a angústia de encarar em silêncio as paredes azuis (e extremamente deprimentes, devo dizer) do meu quarto se torna insuportável demais. Tem algo de rebeldia em fazer essas coisas a menos de 500 metros dos seus pais.
Vim com metade da roupa de ficar em casa, sem maquiagem e sequer perfume, coisa sem a qual eu não saio jamais há vários anos. Acho que realmente cheguei no nível de não me importar mais, hoje. Nem mesmo o telefone eu trouxe. Quem vai ligar? Quem vai lembrar que existo? Ninguém, eu acho. Até a maldita da música que está tocando agora é sobre solidão.
Agora escrevo com a mão direita e fumo com a esquerda, enquanto toca alguma música agradável que os mais jovens (ou descolados) provavelmente identificariam rapidamente. Algo como Black Keys, mas eu não saberia dizer sem o meu aplicativo de reconhecer músicas. Sou a única pessoa no bar se não se contar com os funcionários. Depois que li o velho Buk passou a me atrair essa ideia de se embriagar sozinho em um bar conversando amenidades com o barman. Mas bem que na vida real não é tão glamouroso quanto nos livros e filmes. Na vida real não aparece uma gostosa vestida de preto pra salvar sua alma com uma noite de sexo ao som de AC/DC. Aqui, as pessoas te fazem passar por mini-constrangimentos perguntando se vem mais alguém, e olham estranho pra quem senta num bar acompanhado somente de um caderninho. Na minha frente, só um quadro completamente preto que retrata umas choupanas construídas ao longo de uma cachoeira, durante a noite, com uma luazinha no alto. É desses que refletem furtacor na luz negra. Flores artificiais plantadas numa garrafa de Jägermeister, um aviso que não existem níveis seguros pra consumir cigarros, e uma arte escrota na parede que eu poderia ter feito melhor. Talvez os atendentes daqui pudessem escrever crônicas no tempo livre que tem, tanto que tem a mais do que eu.
 (a partir de aqui o texto se torna notas difusas, devido ao estágio alcóolico que eu me encontrava)
Everyday is a different, different way to lose.
Se você tivesse dito antes. Se você tivesse dito antes.
As pessoas abandonam a gente,
 Fomos burros.
Outro dia eu sonhei que assistia uma chuva de meteoros que se transformava numa nuvem negra de demônios que entravam em casas, inclusive na minha. Hoje sonhei que meu ex não queria aceitar me encontrar, e que isso me desesperava e fazia sofrer. E eu dizia que era só mais uma vez, a última vez. Quando acordei reparei no quanto a solidão nos faz querer voltar por pegadas de um caminho sem volta, onde só havia tristezas, incômodo, reclamações, impaciência e infelicidade. Eu sempre vou ter a sensação de que não tentei o suficiente, mesmo sabendo racionalmente que isso não é verdade.
Escrever aplaca o desespero inútil.
Quando devo contar para os outros?
Se eu voltar pra casa, só vou dormir mais e mais e mais e mais...
Músicas românticas são muito idiotas.
Não consigo mais escrever nas linhas...
O que é a vida senão um longo tempo presente?
Nós éramos viciados na constância.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Words only come out through pain

É engraçado ver o quanto sua vida se transformou durante os dois anos e meio quando você estava tão ocupada tentando com todas as suas forças fazer um relacionamento fadado ao fracasso funcionar.

Minha vida como universitária respira seus últimos 3 meses.

Eu estou de cabelo curto! (toda vez que tiram fotos de mim ou olho no espelho, é uma surpresa)

Meu peso aumentou vertiginosamente.

Há tanto que cuidar, que ver, que ler, que conviver, que transformar.

Eu me tornei totalmente desleixada comigo mesma. Totalmente. Quase como se me odiasse.

O que mais me entristece é cometer os mesmos erros que costumava sete anos atrás. É permanecer em relacionamentos destrutivos e infelizes. Temer a solidão acima de qualquer incômodo, mau-trato, ou infelicidade numa vida cotidiana sem a menor paixão. Dar as costas para os amigos. Tentar aplacar ansiedade com cigarros, sabendo aonde isso vai levar. Beber os problemas mesmo sem dinheiro pra pagar e entrando no vermelho na conta do banco. Me afligir com o som do silêncio.


Sim, tudo mudou, tudo mudou, mas eu sou a mesma criança assustada de quase uma década atrás. Eu preciso deixar que minha alma se alimente e se fortaleça sozinha. Que não precise de ninguém. Mas como, com toda essa ansieade e necessidade de auto-destruição?