sexta-feira, 13 de março de 2015

Tear down The Wall



Hoje foi o meu primeiro dia de terapia.
E a julgar pelo conteúdo depressivo que encontrei aqui, acredito que esse dia deveria ter acontecido há muito tempo atrás.

Acho que hoje encontrei uma verdade que não queria aceitar.

Talvez eu também precise ter com quem contar. Eu preciso dos outros.

Sempre que alguém me oferece ajuda, eu choro. Eu consegui percebeu isso na hora que a psicóloga me disse que estava disponível pra mim e eu chorei. Acho que no fundo eu não consigo conceber por que alguém iria se interessar por mim. Por que alguém me daria atenção. Por que alguém iria se importar com o que sinto ou deixo de sentir. Por que alguém iria me estender a mão.

As minhas primeiras experiências com as pessoas foram péssimas. Parece que quando a vida escolhe alguém em quem bater, ela não tem misericórdia. Olhando pra minha vida em perspectiva eu vejo o quanto abusaram de mim. Eu já fui chamada de verme, parasita, piranha, gorda (até quando pesava 50kg), louca, humilhada diante dos outros e em particular, agarrada à força, controlada por namorado, usada, exposta, colocada como estepe pra quando as coisas dessem errado, já sofri bullying no colégio (e virtual! Hoje em dia parece até engraçado), já recebi silêncio e desprezo em troca da admiração que eu tinha. Como eu poderia negligenciar isso? Como poderia esquecer isso, perdoar tanta coisa? Aos poucos eu fui perdendo a fé nas pessoas. Mesmo que agora elas me agredissem de forma sutil. Oferecendo companhia e amizade e pedindo sexo em troca. Estando comigo somente quando não houvesse chance de estar com algum parceiro sexual/afetivo. Conversando comigo só pra tentar suprir uma carência de demonstrar “superioridade” intelecutal.

Quando não, eu estava cercada de pessoas que só se reuniam pra criticar os outros, ainda mais pessoas que mal conheciam, por tomarem atitudes exatamente iguais às que elas tomavam. Rotulando, e demonstrando-se amargas e provavelmente com o ego ferido. Se você convive num grupo com gente que está sempre a falar mal dos outros, quando você dá as costas, tenha certeza de que o próximo assunto na pauta é você. E eu não podia mais conviver com isso.

Foi assim que eu construí meu Muro (ou Muralha, que o valha).

As pessoas com quem eu conversava e convivia foram ficando pra trás aos poucos. Fiquei aqui só atrás dO Muro, e sem nada a oferecer a elas. Excluí algumas redes sociais. Bloqueei minhas fotos nas restantes pras pessoas não me acessarem, não saberem sobre mim. Me escondi. Elas não tem notícia, não sabem do que se passa comigo. Então rapidamente foram embora, como as moscas vão quando você deixa a mesa limpa, ou quando os pássaros vão porque você arrancou as árvores do jardim. Assim eu fiquei sozinha, num lugar confortável onde eu não preciso me arriscar a passar por tudo que já passei. E mesmo que eu ainda tenha uma ou outra pessoa pra conviver, eu nunca estou realmente lá. Cheguei a um ponto que passei a sentir repulsa por demonstrações de carinho.

Mas nesse lugar também o som do silêncio às vezes é tão alto, que é desesperador.

E no fim das contas, não fui capaz de olhar para o que realmente sou.
Não fui capaz de olhar diretamente pras feridas. Só assim com o canto do olho. Com medo de ver. De toda forma eu sou aquela pessoa que fecha os olhos nas cenas gore de filmes, mesmo. Por que não na vida real?

Eu estou ao mesmo tempo curiosa pra saber o que há lá dentro. Mas com medo. Tenho medo de voltar pro mundo cruel que tem lá fora.

“Since, my friend, you have revealed your deepest fear
I sentence you to be exposed before your peers
Tear down the wall
Tear down the wall
Tear down the wall
Tear down the wall

Tear down the wall”